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Grêmio se supera e encaminha a classificação pra final da Copa do Brasil

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  • O Grêmio venceu o Atlético-MG por 2 a 0 na Arena e, para mim, encaminhou a classificação para a final da Copa do Brasil. Ainda faltam 90 minutos e os acréscimos na Arena MRV, Renato Portaluppi obviamente precisa colocar isso na cabeça dos jogadores e não deixar ninguém achar que está resolvido, mas futebolisticamente e pelo tamanho da vantagem construída, o Grêmio colocou os dois pés na decisão. Foi melhor, controlou a partida e fez por merecer o resultado diante de mais de 50 mil gremistas.
  • E olha a semana que o Grêmio construiu. Primeiro venceu o Coritiba fora de casa no último minuto. Depois fez sua melhor atuação com Renato contra o Athletico-PR, ganhou por 2 a 0 e saiu da zona de rebaixamento. Agora bate o Atlético-MG por 2 a 0 numa semifinal de Copa do Brasil. Em poucos dias, um time que estava completamente mergulhado numa crise muda o ambiente, ganha três partidas seguidas e fica muito perto de disputar um título nacional.
  • O mais curioso é olhar para a posse de bola: Atlético-MG com 76% e Grêmio com apenas 24%. Só que posse não significou controle. Quem controlou o jogo foi o Grêmio. Renato novamente montou o time com três zagueiros. Sem a bola, vira um 5-4-1: os laterais baixam, formam uma linha de cinco com os três defensores, os pontas retornam para ajudar os dois volantes e Carlos Vinícius fica sozinho na frente. Quando recupera, os laterais sobem, os pontas avançam e o desenho se transforma num 3-4-3.
  • Esse sistema tem problemas. Existe um espaço enorme entre o meio-campo e Carlos Vinícius. O centroavante fica isolado e o adversário consegue circular bastante a bola numa zona intermediária. O Atlético teve muita posse justamente ali. Mas a ideia gremista foi quase dizer: “até aqui vocês podem jogar; daqui para trás não passam”. O Grêmio povoou tanto a região defensiva que o Galo teve enorme dificuldade para transformar toda aquela posse em chances realmente claras. E são três partidas com esse sistema desde o jogo contra o Coritiba e nenhum gol sofrido.
  • O primeiro gol também mostra que algumas coisas estão sendo trabalhadas. Weverton já tinha tentado duas ligações diretas antes e, na terceira, acertou. Lançamento longo para Carlos Vinícius, que dominou, ganhou a jogada de Lyanco e finalizou para abrir o placar. Podemos chamar de ligação direta, mas quando o time tenta repetidamente a mesma situação até encontrar o espaço, existe uma ideia por trás. E Carlos Vinícius fez aquilo que melhor sabe fazer: recebeu numa condição de finalização e resolveu.
  • Logo no primeiro minuto do segundo tempo veio o golpe que praticamente mudou a semifinal. João Pedro tabelou com Enamorado, chegou à linha de fundo e encontrou Noriega entrando na área para fazer 2 a 0. E esse movimento também conversa diretamente com aquilo que Renato vem cobrando dos seus meio-campistas: não basta ficar atrás da jogada, tem que pisar na área. Ele cobra isso de Krovinović e vem cobrando dos demais. Noriega entendeu, entrou como elemento surpresa e marcou.
  • A partir daí, o Grêmio não precisava mais correr tantos riscos. A missão virou proteger a vantagem. E conseguiu. O time sentiu fisicamente, principalmente porque vinha de uma sequência pesada, e no segundo tempo perdeu terreno. Mesmo assim, o Atlético-MG nunca conseguiu transformar aquela pressão em domínio completo. Weverton apareceu quando precisou, inclusive numa defesa enorme cara a cara com Renan Lodi. Quando a bola passou pelo goleiro, ainda teve uma no travessão.
  • Para mim, Noriega foi o melhor jogador da partida. E disparado. Não apenas pelo gol. Está jogando muita bola e hoje virou uma peça fundamental desse Grêmio. Marca, cobre espaço, ajuda Villasanti e ainda aparece na área. Villasanti, inclusive, esteve melhor do que vinha apresentando, mas Noriega continua sendo o jogador que mais sustenta esse meio-campo. João Pedro também fez uma baita partida. Mesmo no fim, já com o desgaste enorme, seguia chegando ao ataque e participando das jogadas. Meu pódio teria Noriega, João Pedro e Weverton.
  • Wallace novamente foi muito seguro. Balbuena também vem jogando bem e o sistema com três defensores ganhou consistência. Gustavo Martins, por outro lado, acabou expulso depois de dois cartões em sequência e será desfalque na volta. É uma perda porque diminui as opções, mas provavelmente Kannemann estará disponível para formar o trio com Wallace e Balbuena. Entre os zagueiros que vêm jogando, Gustavo ainda é aquele que me passa menos segurança e teve novamente alguns erros importantes.
  • Na frente, Carlos Vinícius fez o gol, mas continua sofrendo muito com o isolamento provocado pelo próprio sistema. Braithwaite, quando entra, passa pelo mesmo problema. Fica um atacante contra três zagueiros e praticamente sem ninguém perto para tabelar. Então não adianta cobrar de Carlos participação constante, pressão nos três defensores ou construção de jogo. Esse nunca foi o principal futebol dele. O que ele faz é finalizar. Se receber uma bola em condição de gol, existe uma boa chance de guardar. Foi exatamente o que aconteceu.
  • O banco ainda mostra algumas limitações. O Grêmio terminou com Tetê pela direita, Caio Paulista mais adiantado e Pedro Gabriel na lateral esquerda porque Marlon sentiu. Tetê continua numa fase ruim, e utilizar Caio Paulista como ponta está longe de ser a situação ideal. Mas agora haverá tempo para recuperar fisicamente o time. Depois dessa vantagem, ficou ainda mais claro que Renato deve preservar praticamente todos contra o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro e colocar a força máxima na volta da semifinal.
  • Houve também reclamações de arbitragem, principalmente em dois lances envolvendo Lyanco: uma bola que bate no braço e um puxão em Carlos Vinícius. PC de Oliveira avaliou que não marcaria o segundo por falta de intensidade, e eu também não colocaria a arbitragem como protagonista desta partida. O que importa é o futebol.
  • E futebolisticamente o Grêmio foi muito bem. Fez uma atuação madura, soube jogar sem a bola, foi eficiente quando teve suas oportunidades e construiu uma vantagem gigantesca. Não está matematicamente na final. Mas, para ficar fora agora, terá que fazer muita coisa errada em Belo Horizonte. Porque depois desse 2 a 0 na Arena, o Grêmio está muito, muito perto da decisão da Copa do Brasil.
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