Grêmio
As pérolas do Renato para a imprensa após o jogo na Arena
- Renato Portaluppi confirmou depois da vitória sobre o Athletico-PR que pediu para Weverton e Carlos Vinícius forçarem o terceiro cartão amarelo. Os dois não enfrentam o Flamengo, e o treinador deixou claro que o Grêmio vai rodar o elenco na próxima partida porque a prioridade passa a ser a semifinal da Copa do Brasil. Renato pediu compreensão ao torcedor e explicou que, nesta reta final, precisa administrar um grupo desgastado. Kannemann, por exemplo, nem ficou no banco contra o Athletico por dores musculares, mesmo já tendo sido preservado anteriormente.
- Renato também aproveitou para reclamar do calendário. Citou a Data Fifa acontecendo poucos meses depois de uma Copa do Mundo e justamente na reta decisiva do Campeonato Brasileiro, com jogadores sendo convocados enquanto os clubes disputam seus objetivos mais importantes. Dentro desse cenário, a decisão gremista está tomada: o confronto com o Flamengo terá uma equipe bastante modificada. A ideia é preservar forças para os dois jogos contra o Atlético-MG pela Copa do Brasil.
- E faz sentido dentro da prioridade estabelecida pelo Grêmio. Renato quer chegar à final, evidentemente sonha com o título, mas sabe que simplesmente avançar para a decisão já coloca o clube muito perto de garantir uma vaga na Libertadores da próxima temporada. Se conseguir isso e, ao mesmo tempo, confirmar a permanência na Série A, a temporada muda completamente de figura. Por isso Weverton e Carlos Vinícius limparam os cartões agora e outros jogadores também devem ser preservados.
- Sobre o esquema, Renato concordou com a avaliação de que as melhores atuações recentes aconteceram com três zagueiros. A tendência é manter esse modelo. Foi assim contra o Athletico-PR, quando o Grêmio se defendeu numa linha de cinco e conseguiu alternar entre bloco mais baixo e pressão no campo adversário. Mas o treinador fez uma ressalva: nem todo adversário permite jogar dessa maneira. Se enfrentar um time que povoa muito o meio-campo, pode ser necessário tirar um zagueiro para ganhar mais gente por dentro. Então não é uma regra absoluta, mas hoje o sistema com três defensores larga na frente.
- Só que o ponto mais forte da coletiva veio quando Renato começou a falar do próprio trabalho. Questionado sobre a recuperação recente, respondeu sem muita cerimônia: “Porque eu sou muito bom”. Falou sorrindo, gerou risadas na sala, mas deixou claro que acredita demais no trabalho dele, na comissão técnica e no grupo. Também revelou que vários jogadores ligaram pedindo para que ele aceitasse trabalhar no Grêmio, embora não tenha especificado exatamente em qual momento isso aconteceu.
- Renato fez questão de lembrar o tamanho da dificuldade que encontrou. Disse que, quando chegou, muita gente tratava o rebaixamento como praticamente certo. Depois, como os resultados não apareceram imediatamente, começaram as críticas como se ele tivesse obrigação de transformar tudo em poucos jogos. O treinador lembrou até aquela conversa que circulava nas redes sociais e na imprensa de que, se salvasse o Grêmio, mereceria “outra estátua”. Para ele, isso mostra justamente como a situação era considerada grave quando assumiu.
- E usou uma comparação bem no estilo Renato para explicar o desafio. Disse que não precisou trocar apenas um pneu com o carro andando. Precisou trocar os quatro pneus com o carro em movimento — e sem estepe. Na visão dele, encontrou uma série de problemas ao mesmo tempo e teve que resolver tudo durante a competição, sem tempo para parar, treinar durante semanas e reconstruir o time com calma.
- Foi aí que também apareceu uma crítica direta ao cenário anterior. Renato afirmou que encontrou o grupo “no fundo do poço psicologicamente”. Disse que os jogadores agradeceram sua chegada porque sabiam que ele iria protegê-los, defendê-los publicamente e comprar a briga junto com o elenco. É uma declaração que inevitavelmente respinga no trabalho de Luís Castro, mesmo sem Renato precisar entrar novamente numa comparação direta entre os dois treinadores.
- Na visão de Renato, essa recuperação emocional também faz parte do trabalho que vem sendo feito. O Grêmio ainda não resolveu sua vida no Campeonato Brasileiro, mas conseguiu duas vitórias consecutivas, saiu da zona de rebaixamento e fez contra o Athletico sua melhor atuação desde a troca de treinador. É justamente nesse momento que Renato começa a reivindicar o mérito por ter recuperado um grupo que, segundo ele próprio, estava psicologicamente destruído.
- Agora a estratégia está definida. Contra o Flamengo, preservação e rotação. Na Copa do Brasil, força máxima. E Renato, depois de semanas de críticas, começa a olhar para os resultados recentes e dizer que aquilo que está acontecendo também tem a mão dele.
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