Grêmio
Vitória para dizer que o Grêmio ainda pode se salvar
- O Grêmio venceu o Coritiba por 1 a 0 no Couto Pereira e, para mim, essa pode ser a vitória que começa a tirar o time da Série B. Até os acréscimos, eu estava como muita gente: olhando aquele empate, vendo o Grêmio novamente sem conseguir vencer fora de casa e pensando que não tinha mais jeito. Só que aos 46 minutos do segundo tempo apareceu Braithwaite, um jogador que não marcava havia cinco meses e vinha muito abaixo daquilo que fez o Grêmio investir tanto na sua renovação, para fazer seguramente o gol mais importante da passagem dele pelo clube até agora.
- É a primeira vitória gremista fora de casa neste Campeonato Brasileiro. E isso muda completamente o ambiente. Não significa que está tudo resolvido, que o Grêmio se salvou ou que começou a jogar um baita futebol. Nada disso. Mas aquela luz no fim do túnel que parecia cada vez menor apareceu. Agora vem o Athletico-PR na Arena, numa quinta-feira em que a expectativa é de estádio lotado. Se o Grêmio consegue emendar duas vitórias consecutivas, a perspectiva muda de verdade e existe até possibilidade de começar a sair da zona de rebaixamento dependendo dos outros resultados.
- Só que, dentro de campo, não foi um jogo que anime muito. Renato começou com três zagueiros e, sinceramente, não gostei. O Grêmio conseguiu controlar algumas situações defensivamente, mas estamos falando do Coritiba, um adversário que também tem enormes limitações. Na segunda etapa, Renato tirou um zagueiro, colocou Krovinović para tentar preencher melhor o meio, depois lançou Braithwaite para jogar próximo de Carlos Vinícius e também utilizou Enamorado, que em vários momentos apareceu até centralizado. O time foi se modificando, mas nunca encontrou uma estrutura que fizesse a gente pensar: “agora Renato achou o Grêmio”.
- Krovinović até ajudou a dar um pouco mais de presença no meio, começando mais recuado e depois atuando quase como meia. Braithwaite entrou, fez o gol, mas a entrada dele também não transformou coletivamente a equipe. Enamorado teve momentos em que parecia não saber exatamente o que fazer com a bola, segurando demais e procurando alguma solução que não aparecia. Villasanti fez uma partida muito ruim, errando uma quantidade enorme de jogadas. Então os problemas continuam todos ali.
- Amuzu foi um dos poucos que conseguiu produzir mais no segundo tempo. É verdade que perdeu uma chance absurda na primeira etapa, praticamente sem goleiro, depois de uma boa jogada de Carlos Vinícius e cruzamento de Pavón. Mas continuou tentando, teve uma finalização forte depois de carregar por dentro e acabou recompensado com a assistência para o gol da vitória. O Grêmio também teve finalização fraca de Pavón, tentativa de letra de Carlos Vinícius e uma cabeçada perigosa de Wallace. Foram algumas chances reais.
- O problema é que muito disso aconteceu mais pela fragilidade do Coritiba do que por uma grande produção gremista. Era um jogo de trocação contra um adversário fraco. Tanto que Weverton ainda precisou fazer duas boas defesas na primeira etapa, incluindo uma situação praticamente cara a cara. Se o adversário tivesse um pouco mais de qualidade, talvez a história fosse diferente.
- E teve uma ironia enorme no gol. O Grêmio passou praticamente a noite inteira errando bola parada. Foram escanteios curtos mal executados, jogadas ensaiadas que não funcionaram e cobranças desperdiçadas. Aí, justamente aos 46 minutos, sai de uma bola parada. Escanteio curto, Amuzu recebe, cruza e Braithwaite aparece para desviar de cabeça e fazer o 1 a 0.
- É o futebol.
- Não foi bonito. Não foi organizado. Renato ainda não achou a escalação, o Grêmio segue sem uma bola parada confiável, o meio-campo continua com dificuldades e existem vários jogadores abaixo. Mas venceu. E, na situação atual, vencer vale mais do que qualquer análise estética.
- Essa vitória também muda completamente a manchete. Se terminasse empatado, estaríamos falando de oito jogos sem vencer, de mais dois pontos desperdiçados e fazendo contas cada vez mais desesperadoras. Agora a conversa é outra: primeira vitória fora de casa e possibilidade de embalar com mais um jogo dentro da Arena. Parece detalhe, mas isso muda o vestiário, muda o torcedor e muda a maneira como o próximo jogo é encarado.
- E aí o torcedor também entra nessa história. Foram cerca de 4 mil gremistas no Couto Pereira, numa mobilização em que o próprio clube investiu para levar gente ao Paraná. Agora é lotar a Arena contra o Athletico-PR. Dia de semana, horário complicado, não importa. Se existe uma oportunidade de transformar uma vitória isolada em arrancada, é essa.
- O Grêmio ainda joga mal. Ainda tem uma quantidade enorme de problemas. Renato ainda não encontrou o time. Mas agora tem uma vitória. E, numa luta contra o rebaixamento, às vezes é justamente uma vitória dessas, feia, sofrida e no último minuto, que começa a mudar tudo.
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