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Noite perfeita na Arena: Grêmio ganha antes do Galo e faz Inter entrar no Z4

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  • Foi o melhor jogo do Grêmio desde a chegada de Renato Portaluppi. Eu diria mais: desde o Gre-Nal, foi uma das melhores atuações gremistas da temporada. Vitória por 2 a 0 sobre o Athletico-PR na Arena, sem vírgula, sem ressalva e sem precisar procurar justificativa. O Grêmio mereceu. Foi melhor tecnicamente, taticamente, teve mais atitude e conseguiu se impor diante de um adversário que fazia grande Campeonato Brasileiro. Para completar uma noite de mais de 35 mil pessoas na Arena, o time saiu da zona de rebaixamento.
  • E essa vitória ganha ainda mais importância porque vem logo depois daquele 1 a 0 sofrido contra o Coritiba. Lá, o Grêmio não jogou bem, mas encontrou o gol de Braithwaite no final e conseguiu sua primeira vitória fora de casa. A esperança era justamente de que aquele resultado servisse como ponto de partida para uma arrancada. Pois serviu. Agora são duas vitórias consecutivas, o Grêmio deixa o Z4 e chega completamente diferente para os dois confrontos contra o Atlético-MG pela semifinal da Copa do Brasil.
  • O momento anímico muda tudo. Imagina o Grêmio conseguir se manter fora da zona de rebaixamento e ainda avançar para uma final de Copa do Brasil, com possibilidade de título e vaga na Libertadores. O cenário que há poucos dias parecia completamente desesperador passa a ter outra perspectiva. Depois do jogo, Renato ainda chamou os jogadores para comemorarem com o torcedor. É o tipo de noite que pode mudar a trajetória de uma equipe dentro de uma temporada.
  • Taticamente, Renato repetiu o sistema com três zagueiros e eu acho que esse deve ser o caminho, pelo menos nos jogos mais importantes daqui para frente. Sem a bola, o desenho vira praticamente um 5-4-1. Os laterais baixam para formar a linha de cinco, os pontas recompõem ao lado dos dois jogadores de meio e Carlos Vinícius fica sozinho mais adiantado. Contra o Athletico funcionou muito bem. E não foi apenas porque o Grêmio se fechou. Houve momentos claros de pressão alta e marcação no campo adversário, algo que partiu de uma orientação do treinador.
  • Isso merece elogio. Eu sempre digo que futebol não pode ser resumido a raça, vontade e entrega. Tudo isso importa, evidentemente, mas é preciso enxergar o plano por trás. Renato percebeu que poderia incomodar a saída do Athletico pressionando mais alto e fez isso. O Grêmio não ficou simplesmente esperando o adversário. Subiu suas linhas, disputou a bola no campo ofensivo e conseguiu tirar o rival da zona de conforto. Foi uma estratégia pensada pelo treinador e que deu certo.
  • Ainda existem coisas a corrigir. O Grêmio recuou demais a bola para Weverton em alguns momentos e quase se complicou. Wallace teve uma saída perigosa, e o próprio Weverton precisou aparecer quando o Athletico conseguiu chegar. No segundo tempo, Renato também começou a preservar jogadores. Quando Noriega saiu do meio para a entrada de Dodi, o Grêmio perdeu bastante terreno e passou a ser mais pressionado. Depois Caio Paulista entrou para tentar dar mais velocidade aos contra-ataques. Foram ajustes que nem sempre funcionaram, mas nada disso muda o tamanho da atuação coletiva.
  • Weverton novamente apareceu quando foi necessário. Fez duas grandes defesas e manteve a segurança atrás. Os três zagueiros funcionaram, mesmo eu não sendo o maior fã desse sistema nas condições atuais do Grêmio. Balbuena entrou muito bem, Wallace teve boa atuação e Gustavo Martins ainda me parece um pouco abaixo dos dois. Kannemann foi preservado e nem ficou à disposição.
  • Mas talvez o grande destaque do meio-campo seja Noriega. Ele está jogando muito. E não é de hoje. A sensação é de que, em vários momentos, ele precisa jogar por ele e por Villasanti. Villasanti está em campo porque obviamente tem qualidade, é um jogador de outro nível quando está bem, mas neste momento não vem se ajudando. Noriega está cobrindo espaço, marcando, aparecendo para jogar e entregando uma intensidade enorme. Foi novamente um dos melhores do Grêmio.
  • Mais à frente ainda existem dúvidas. Amuzu fez um jogo aceitável, mas Enamorado novamente ficou abaixo. E começa a ficar difícil entender por que ele está tão à frente de Tetê. Tetê também não se ajuda quando recebe oportunidade, isso precisa ser dito. Mas Enamorado ainda não mostrou no Grêmio aquilo que apresentou no futebol colombiano. Teve um lance no segundo tempo em que partiu praticamente em direção ao gol, carregou tanto a bola e esticou tanto a jogada que acabou praticamente entregando para o goleiro. Hoje, ainda não aconteceu.
  • E aí chegamos a Carlos Vinícius. Ele teve uma finalização perigosa desviada pela defesa e, fora isso, participou pouco. Só que isso não tem nada a ver com estar pensando em Vasco, Atlético-MG ou qualquer outro clube. Carlos Vinícius sempre foi esse jogador. Ele é finalizador. Se o time criar uma estrutura para que a bola chegue até ele dentro da área, vai fazer gol. É muito bom no último toque.
  • O que ele não é: um centroavante que cria jogadas para si mesmo, um grande construtor, um atacante de muitas assistências ou aquele jogador que vai comandar a pressão e participar o tempo inteiro do jogo coletivo. Quando a bola chega, ele resolve. Quando não chega, tende a desaparecer. Esse é o pacote e sempre foi.
  • Mas hoje não é dia para transformar isso na grande discussão. Hoje é dia de olhar para o todo. O Grêmio jogou bem, foi superior a um adversário forte, venceu por 2 a 0, conquistou sua segunda vitória seguida e saiu da zona de rebaixamento. Finalmente apareceu a evolução que todo mundo cobrava do trabalho de Renato. E ela apareceu exatamente no momento em que o Grêmio mais precisava.
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