Grêmio
Declarações fortíssimas de Marlon e Carlos Vinícius na Arena do Grêmio
- Renato Portaluppi, Marlon e Carlos Vinícius convocaram uma entrevista na Arena para falar sobre o momento do Grêmio. Não foi uma manifestação espontânea depois de uma partida, mas uma conversa organizada pelos três justamente para dar um recado sobre tudo que vem acontecendo ao redor do clube. Renato abriu falando diretamente com o torcedor, passando uma mensagem de confiança e dizendo que, diferente do que muita gente vem falando, o grupo está fechado e unido. Lembrou até 2024, quando o Grêmio viveu todas as dificuldades provocadas pela enchente e também precisou lutar contra o rebaixamento. Na visão dele, a união pode novamente fazer a diferença.
- Só que Marlon e Carlos Vinícius foram ainda mais fortes nas declarações. Carlos começou falando sobre seu futuro e mostrou bastante irritação com as informações que aparecem praticamente toda semana. Disse que já foi colocado em pré-contrato com Vasco, Atlético-MG, clube mexicano e outras equipes, mas garantiu que não assinou com ninguém. Segundo ele, neste momento não existe negociação para sair e nem para renovar com o Grêmio. A preocupação dele e da direção é exclusivamente permanecer na Série A. E avisou que essa seria a última vez que falaria publicamente sobre o contrato.
- O desabafo mais forte veio na sequência. Carlos Vinícius disse que aquilo que se criou em volta do Grêmio nas últimas semanas é algo que ele nunca tinha visto na carreira. Falou que, se tivesse poder, colocaria jornalistas e pessoas que estão falando sobre o clube dentro do vestiário para acompanharem a realidade e talvez mudarem algumas opiniões. Lembrou que já disputou diferentes campeonatos, jogou na Europa e até Champions League, mas entende que algumas pessoas estão passando da linha na cobertura do momento gremista.
- O centroavante deixou claro que sabe que o time não está entregando dentro de campo. Não tentou esconder isso. Só fez uma separação entre jogar mal e transformar os jogadores em pessoas sem caráter. Segundo ele, existem mentiras que acabam impactando o ambiente e citou três situações: a história de que existe um “X9” no vestiário, a acusação de que algum jogador estaria fazendo corpo mole e a ideia de que as declarações de Renato poderiam rachar o grupo.
- Carlos Vinícius negou as três coisas. Disse que o elenco não está rachado e que a chance de isso acontecer por causa dessas declarações é zero. O que vem de fora incomoda, evidentemente — até porque ele próprio estava claramente irritado —, mas a versão apresentada é de que internamente o grupo continua fechado.
- Marlon seguiu praticamente na mesma linha. Também disse que existem narrativas sendo criadas e que algumas delas não correspondem à realidade. Mas a entrevista ganhou um ingrediente importante quando ele foi questionado sobre a informação de que o Grêmio discute uma premiação extra para o grupo caso consiga permanecer na Série A.
- Segundo Marlon, os jogadores foram pegos de surpresa com essa notícia. Não houve negociação com a direção sobre bicho extra até agora. Só que ele também foi bastante direto: se os dirigentes chegarem e disserem que existe uma premiação de determinados milhões pela permanência, aí a conversa muda. Ou seja, não existe acordo nem discussão com os atletas neste momento, mas obviamente uma eventual proposta seria recebida.
- Depois disso, Marlon entrou numa análise bem mais profunda sobre a responsabilidade do próprio elenco pela situação atual. Disse mais de uma vez que quem colocou o Grêmio nesse cenário foram os jogadores. Antes era Luís Castro, agora é Renato Portaluppi, mas o treinador não entra em campo para finalizar. O dirigente também não perde gol. Quando o jogador erra, a responsabilidade é dele.
- E aqui talvez tenha vindo a declaração mais interessante de todas. Marlon revelou que o grupo já “lavou roupa suja” internamente em outros momentos da temporada, quando as coisas não estavam acontecendo. Disse que os próprios atletas sabem que foram eles que colocaram o clube nessa condição e repetiu algumas vezes que, quando a temporada terminar, será necessário fazer um balanço para definir quem aproveitou a oportunidade e quem não aproveitou.
- Foi uma cobrança forte. Marlon falou que o futebol é um “triturador de pessoas” e lembrou que ele próprio já viveu situações em outros clubes em que não respondeu e acabou saindo. Para ele, primeiro é necessário salvar o Grêmio. Depois, no final do ano, será o momento de avaliar quem merece continuar.
- E ele ainda deixou uma frase que chama bastante atenção: faltou entendimento, dentro do vestiário, sobre a camisa que alguns estavam vestindo. Segundo Marlon, aconteceram coisas nos bastidores que atrapalharam o desempenho dentro de campo. Questionado diretamente sobre quais seriam essas situações, preferiu não detalhar.
- Mas deixou outra pista quando disse que “jogador é blindado demais”. A interpretação que fica é de que alguns atletas talvez não tenham entendido plenamente onde estavam, o tamanho da cobrança do Grêmio ou a responsabilidade de vestir essa camisa. Pode envolver jogador desfocado, deslumbrado ou simplesmente alguém que não assimilou o peso do momento. Marlon não deu nomes e não explicou exatamente quais episódios aconteceram, mas a crítica existiu.
- Então foi uma entrevista convocada justamente para dar um recado.
- Renato tentou transmitir união e confiança. Carlos Vinícius negou qualquer pré-contrato, criticou informações que considera falsas e garantiu que o elenco não está rachado. Marlon também contestou narrativas externas, disse que não existe negociação sobre bicho extra e, ao mesmo tempo, colocou parte importante da responsabilidade diretamente sobre os jogadores.
- Talvez essa tenha sido a principal mensagem. O Grêmio pode ter problemas de direção, de treinador, de planejamento e de contratação. Mas, segundo um dos líderes do próprio elenco, quem colocou o clube nessa situação foram os jogadores. E depois que a luta contra o rebaixamento terminar, muita coisa ainda terá de ser revista internamente.
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