Grêmio
Grêmio não evoluiu nada com Renato e caminha pro rebaixamento
- O Grêmio não evoluiu nada com Renato Portaluppi. Nada. E eu sei que daqui a pouco o Renato vai para a entrevista coletiva dizer que tem trabalho, que existe melhora, que quem não está vendo não entende o que está acontecendo. Só que o que aparece dentro de campo é outra coisa. Não tem jogada ensaiada melhor, não tem organização superior, não tem jogador sendo potencializado e nem aquele ganho físico que se imaginava quando ele chegou. O Grêmio continua apresentando praticamente os mesmos problemas do período de Luís Castro, só que agora com menos rodadas pela frente e uma tabela muito mais preocupante.
- Depois da derrota por 4 a 2 para o Cruzeiro, o Grêmio fica com 31 pontos e a situação começa a beirar o desespero. Dependendo dos resultados paralelos, principalmente do Corinthians contra o Vitória, pode ficar ainda pior. E o que mais assusta nem é simplesmente perder para o Cruzeiro, que tem um time melhor. É olhar para o Grêmio e não conseguir enxergar de onde vão sair as vitórias necessárias. O time não melhorou com Renato, não apresenta uma ideia capaz de fazer alguém acreditar que vai ganhar quatro ou cinco partidas nesta reta final. Hoje, sinceramente, o Grêmio caminha a passos largos para o rebaixamento.
- E nem quando estava vencendo jogava bem. O Cruzeiro começou melhor e Weverton já tinha feito duas boas defesas antes do pênalti em Amuzu, lance que gerou discussão e que Carlos Vinícius converteu. O Grêmio abriu o placar, sofreu o empate e depois encontrou um golaço de Pavón de fora da área para ir ao intervalo vencendo por 2 a 1. Só que aí vem outro ponto que pesa diretamente sobre Renato: o time voltou do vestiário de maneira horrorosa. Com dois minutos do segundo tempo, o Cruzeiro já empatava. A rotação dos mineiros era muito maior, e o Grêmio parecia simplesmente não ter voltado para a partida.
- Renato começou num 4-2-3-1. Dois volantes à frente da defesa, Krovinović mais avançado, dois pontas recuando para ajudar e Carlos Vinícius no comando. A ideia até fazia sentido. Renato vinha cobrando Krovinović para chegar mais perto do gol e tentar aproximá-lo do centroavante. Só que, na prática, Carlos Vinícius continuou isolado em vários momentos e o Grêmio não conseguiu se impor dentro da Arena. Aí, quando chegou a hora de mudar, veio novamente aquela troca que já está ficando previsível: sai um meio-campista, entra Braithwaite, e o time passa a atuar quase com dois atacantes.
- É uma alteração que Renato já fez outras vezes desde que voltou. Em algum jogo até ajudou, mas contra o Cruzeiro não mudou absolutamente nada. E esse é o problema: as trocas são óbvias, não existe uma mudança tática mais elaborada, não aparece uma solução diferente para o jogo. O time começa mal, passa por dificuldades no meio da partida e termina mal do mesmo jeito. Aos 44 minutos do segundo tempo, já perdendo por 4 a 2 e com um jogador a menos, Renato ainda colocou Tetê e Enamorado. Para quê? Qual seria o efeito prático de lançar dois pontas naquele momento? Com 10 jogadores e o Cruzeiro dominando completamente a partida, já não havia jogo para buscar.
- Individualmente, também foi uma noite péssima. Weverton ainda fez defesas importantes e foi um dos poucos que conseguiu se salvar mesmo tomando quatro gols. Gustavo Martins teve uma atuação muito ruim e participou negativamente de vários lances do hat-trick de Kaio Jorge. Errou tempo de bote, perdeu corrida e esteve atrasado em situações importantes. Foi vaiado pela Arena, o que é pesado para um jogador jovem, mas fica difícil contestar o torcedor depois da atuação.
- Kannemann também perdeu completamente a cabeça. Existe um lance em que ele toca primeiro na bola e o árbitro marca falta. Dá para reclamar? Claro. A arbitragem teve uma atuação ruim em vários momentos, com inversões e decisões que irritaram. Mas Kannemann não pode reagir do jeito que reagiu, se jogar no chão em protesto e depois fazer gesto indicando roubo. Foi expulso, deixou o Grêmio com 10 jogadores e ainda será desfalque na próxima rodada. Num momento desses, com o clube lutando contra o rebaixamento, uma liderança não pode cometer esse tipo de erro.
- Carlos Vinícius fez o gol de pênalti, mas também teve outra partida muito abaixo. Foram quatro finalizações, apenas a cobrança do pênalti no gol e outras três bloqueadas. Parte disso é responsabilidade dele e parte é do funcionamento do time, porque continua recebendo pouca aproximação. O centroavante passa longos períodos brigando praticamente sozinho contra os zagueiros. Renato já identificou esse problema, cobra os pontas para entrarem por dentro, mas até agora não conseguiu resolver.
- E é justamente esse o ponto central. Renato chegou para mudar alguma coisa. Era essa a aposta. Ninguém esperava futebol de Manchester City, mas se esperava uma resposta imediata, um time mais organizado, jogadores crescendo e pelo menos algum tipo de transformação que fizesse o torcedor acreditar. Até agora, isso não aconteceu.
- Quando olho para o Inter, por exemplo, mesmo com todos os problemas e mesmo depois da derrota para o Mirassol, consigo enxergar algumas ideias de Eduardo Baptista. Existe um sistema, existe uma organização e muitas vezes o time acaba sendo derrubado pelos próprios erros individuais. No Grêmio, é difícil até separar isso. Tem falha individual, tem elenco limitado, mas também falta trabalho visível do treinador.
- E a tabela não vai esperar Renato encontrar essa solução.
- O Grêmio tem 31 pontos, segue extremamente ameaçado e precisa começar a vencer imediatamente. Só que hoje a pergunta é simples: alguém olha para esse time e acredita que ele vai ganhar quatro partidas nesta reta final? Eu tenho enorme dificuldade. A famosa varinha mágica que se esperava de Renato ainda não apareceu. E, sem ela ou sem uma evolução real dentro de campo, o Grêmio está cada vez mais perto da Série B.
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