Grêmio
Começaram a vazar informações preocupantes do Renato no dia a dia do Grêmio
- Renato Portaluppi mudou de comportamento nos últimos dias e isso começou a chamar atenção dentro do Grêmio. A informação de bastidor é de que, principalmente depois do empate com o Remo, o treinador ficou mais calado, introspectivo e distante da resenha habitual. Também teria falado menos com os dirigentes durante a semana do Grenal. Num primeiro momento, dava até para relacionar isso ao resultado em Belém, à concentração para o clássico e também à situação envolvendo Alexandre Mendes, seu auxiliar e braço direito de muitos anos. Só que a entrevista coletiva depois do Grenal fez essa mudança ganhar outra dimensão.
- Renato foi para a coletiva e disparou para vários lados. Disse que o Grêmio melhorou em entrega, mas deixou muito claro que entende existir um problema de qualidade no elenco. Questionou a montagem do grupo, falou sobre a quantidade de estrangeiros, sobre jogadores que chegam e demoram para se adaptar e também sobre características que, na visão dele, deveriam ter sido analisadas antes das contratações. Não chegou a dizer diretamente que a direção montou mal o elenco, mas foi impossível ouvir tudo aquilo sem entender que a crítica também atingia quem escolheu os jogadores.
- E isso já começou a repercutir internamente. Kaliel Dorneles trouxe a informação de que alguns atletas ficaram incomodados com a forma como Renato expôs o grupo. A leitura de parte dos jogadores seria justamente essa: quando chegou, o treinador pediu apoio, tentou blindar o elenco e até criticou vaias da torcida. Agora, depois de poucos jogos e sem vitória, passou a colocar publicamente parte da responsabilidade na qualidade dos jogadores. Braithwaite, por exemplo, publicou uma mensagem de união com a torcida e com o grupo. Não dá para afirmar que a postagem tenha sido uma resposta ao treinador, mas ela aparece justamente nesse ambiente de maior tensão.
- O que dá para afirmar pelos bastidores é que existe uma mudança de comportamento de Renato. Está menos expansivo, menos brincalhão, mais fechado e falando menos com os dirigentes. Isso, isoladamente, poderia significar apenas concentração ou incômodo com resultados. O problema é quando vem acompanhado de uma coletiva em que ele questiona qualidade, perfil de contratação e até algumas escolhas feitas pelo clube antes da sua chegada. Aí começa a parecer sintomático.
- E outro detalhe importante aconteceu depois da entrevista. Odorico Roman acompanhou a coletiva e, na sequência, foi até a zona mista falar com a imprensa. A impressão é de que houve uma tentativa clara de baixar a temperatura. O presidente disse que aquela era a opinião de Renato e que não poderia simplesmente combater a visão do treinador. Foi uma resposta cuidadosa, porque se Odorico resolvesse rebater Renato publicamente, o problema poderia ficar muito maior. O treinador fala uma coisa, o presidente responde outra e, de repente, o Grêmio cria uma crise pública entre comissão técnica, direção e jogadores em plena luta contra o rebaixamento.
- Por isso, faz sentido primeiro apagar o incêndio publicamente e depois tratar o assunto internamente. E essa passa a ser a grande dúvida: alguém vai chamar Renato para conversar e dizer que determinadas críticas, mesmo que ele realmente pense aquilo, precisam ficar dentro do clube? Porque uma coisa é cobrar no vestiário, dizer que determinadas contratações não encaixam ou que alguns jogadores precisam melhorar. Outra é colocar isso numa coletiva e deixar o grupo sentindo que está sendo colocado na berlinda.
- Não estou dizendo que Renato perdeu o vestiário, que brigou com a direção ou que existe uma ruptura dentro do Grêmio. Não existe informação para afirmar nada disso. O que existe são sinais de desconforto. Renato está mais fechado, alguns jogadores teriam ficado incomodados com suas declarações e o presidente sentiu necessidade de aparecer logo depois para minimizar o impacto das falas.
- E tudo isso acontece no pior momento possível. O Grêmio está dentro da zona de rebaixamento, Renato ainda não venceu desde que voltou e a margem de erro diminui a cada rodada. Quando os resultados não vêm, qualquer frase pesa mais, qualquer desconforto cresce e qualquer ruído interno ganha uma proporção muito maior.
- Talvez seja apenas pressão. Talvez seja Renato percebendo o tamanho do problema que recebeu. Mas são sintomas. E, num time que está cada vez mais apertado na luta para permanecer na Série A, esses sintomas precisam ser observados com muita atenção.
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