Inter
O fato que o Inter tem que “comemorar” no Gre-Nal
- A primeira coisa que precisa ser dita sobre o empate em 1 a 1 no Gre-Nal é simples: o resultado é melhor para o Internacional do que para o Grêmio. Claro que uma vitória seria muito mais importante, ainda mais porque os resultados paralelos ajudaram e poderiam tirar o Colorado da zona de rebaixamento. Mas, dentro daquela conta que todo time ameaçado começa a fazer, o Inter venceu em casa contra o Corinthians e agora empatou fora no clássico. São quatro pontos em dois jogos com Eduardo Baptista. Não resolveu nada, continua numa situação perigosíssima, mas o aparelho colorado parece ter um pouco mais de oxigênio.
- E fica até um gosto amargo porque o Inter controlou boa parte da partida. Mesmo tendo menos posse de bola, conseguiu deixar o Grêmio bastante seguro, sem criar grandes oportunidades, principalmente no primeiro tempo. O empate gremista saiu apenas na segunda etapa, numa bola parada e com uma falha pontual de Anthoni, que antes já tinha feito uma grande defesa. Então não foi uma partida ruim do Inter. Muito pelo contrário. Depois de apenas dois jogos, já existem sinais de trabalho de Eduardo Baptista aparecendo.
- A escalação foi praticamente a mesma estrutura utilizada contra o Corinthians. Três zagueiros, dois alas, dois homens de meio, dois jogadores mais adiantados por dentro e Alerrandro como centroavante. Dependendo do momento, dá para chamar de 3-4-2-1 ou até 3-4-3. Sem a bola, o Inter fazia uma linha de cinco e outra de quatro na frente. Em algumas situações, Alerrandro voltava para marcar por um dos lados e Alan Patrick permanecia um pouco mais adiantado. O mais importante é que os jogadores parecem saber o que precisam fazer.
- E isso faz diferença. Esse time não está negando suor. Corre muito, recompõe rápido e começa a apresentar movimentos claramente treinados. O Inter consegue sair de uma pressão alta e, em poucos segundos, voltar para formar sua linha defensiva. Isso aconteceu várias vezes no Gre-Nal. Em determinados momentos fechava completamente atrás. Em outros, subia a marcação no campo gremista. Não era aquela pressão desesperada durante 90 minutos. Era escolher o momento certo para pressionar.
- Foi assim, inclusive, que nasceu o gol.
- Alerrandro pressionou, roubou a bola de Villasanti e ela chegou para Vitinho encobrir Weverton. Mérito enorme do centroavante, que há pouco tempo mal vinha sendo utilizado e agora é aposta clara do novo treinador. E não foi só ele. Juninho fez uma boa partida, Aguirre também, Thiago Maia foi bem. Eduardo está utilizando jogadores que estavam sem grande protagonismo e, pelo menos nesse começo, está recebendo resposta.
- Talvez a melhor mudança do treinador durante o primeiro tempo tenha sido tática. O Inter começou jogando um pouco mais pela esquerda, com Vitinho daquele lado. Depois Eduardo deslocou Vitinho para a direita, fez Bruno Gomes avançar quase como um jogador de meio, aproximou Aguirre e povoou aquele setor. O Grêmio não entendeu muito bem a movimentação. Continuou com mais posse, mas sem conseguir transformar essa posse em alguma coisa realmente perigosa.
- A exceção foi uma chance enorme de Amuzu, cara a cara com Anthoni. E aí apareceu o goleiro colorado. Anthoni fez uma defesa importantíssima e justificou a escolha de Eduardo Baptista. É um lance que muda jogo. Se aquela bola entra, toda a análise provavelmente seria diferente. Então também tem mérito individual.
- Alan Patrick foi outro jogador fundamental. Flutuou muito pelo meio, encontrou espaços e conseguiu jogar entre as linhas gremistas. Em alguns momentos, sem a bola, Alerrandro voltava para ajudar na recomposição e Alan ficava quase como um falso 9. Com a bola, o camisa 10 encontrava liberdade para pensar o jogo. E jogou demais enquanto esteve em campo.
- O problema foi justamente a saída dele. Alan Patrick sentiu a coxa e não voltou para o segundo tempo. Bruno Henrique entrou e o Inter perdeu qualidade imediatamente. Não porque Bruno Henrique tenha feito alguma aberração, mas porque simplesmente não entrega a mesma criatividade. O time ficou mais pesado, perdeu capacidade de segurar a bola e começou a sofrer um pouco mais.
- Na segunda etapa, o Inter já não conseguiu controlar da mesma maneira. Melhorou novamente quando Carbonero entrou pela esquerda e passou a ser aquela válvula de escape que já vinha sendo imaginada para ele. Recebe, encara o marcador e tenta puxar contra-ataque. Ele conseguiu produzir algumas jogadas individuais e dar uma velocidade que o time não tinha naquele momento.
- Ainda assim, o Inter criou muito pouco ofensivamente depois do intervalo. Teve um chute de Vitinho mais para o final, uma jogada de Carbonero e outra finalização bloqueada. Foram situações pontuais. O time já estava mais preocupado em sustentar o resultado do que em matar o jogo.
- E acabou pagando por isso. Bernabei, que fez uma partida bastante apagada, precisou parar Pavón e cometeu a falta. Marlon colocou a bola na área, Anthoni não conseguiu espalmar da melhor maneira e Wallace apareceu dentro da pequena área para empatar. O goleiro tem crédito pela defesa em Amuzu, mas também poderia ter resolvido melhor essa bola.
- No fim, ficou o 1 a 1.
- Não é um resultado maravilhoso. O Inter continua na zona de rebaixamento e não existe motivo nenhum para comemorar empate como se fosse uma vitória. Só que, olhando o contexto, foi melhor para o Colorado. Pontuou fora, manteve-se à frente do Grêmio e chegou a quatro pontos em seis possíveis com Eduardo Baptista.
- E mais importante do que isso: parece existir trabalho.
- Ainda é cedo demais para fazer qualquer grande conclusão, mas já dá para enxergar um time mais organizado, que se recompõe rápido, entende quando pressionar e tem jogadores começando a recuperar protagonismo.
- Por isso, dentro dos 90 minutos e principalmente dentro do momento dos dois clubes, o Gre-Nal terminou sendo mais positivo para o lado vermelho do que para o lado azul.
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