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Renato feriu orientação da direção e a reação de Luís Castro após a coletiva

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  • A entrevista coletiva de Renato Portaluppi depois do Grenal continua repercutindo dentro e fora do Grêmio. E dois bastidores ajudam a entender o tamanho da situação. O primeiro envolve Luís Castro, que teria ficado bastante incomodado com as declarações do atual treinador gremista. O segundo atinge diretamente a direção, porque Renato fez uma manifestação política dentro da Arena justamente em um período no qual os funcionários do clube haviam recebido orientações internas para evitar esse tipo de posicionamento nas dependências gremistas.
  • Começando por Luís Castro. Segundo informações, o treinador português recebeu as declarações de Renato e considerou as críticas injustas, desrespeitosas e a entrevista como um todo bastante surreal. Renato disse que, antes da sua chegada, o Grêmio criava pouco, finalizava pouco e até corria pouco. Também questionou características do elenco, a quantidade de estrangeiros e deu a entender que alguns jogadores foram contratados sem que o clube analisasse exatamente aquilo que precisava para determinadas funções.
  • Naturalmente, muita coisa acaba respingando no trabalho anterior. E a avaliação que chega de pessoas próximas a Luís Castro é de que ele jamais faria esse tipo de comentário publicamente sobre um colega de profissão. Não significa que Castro não discorde de decisões ou que não tenha críticas ao que aconteceu depois da sua saída. A questão seria mais de postura. Durante sua passagem pelo Grêmio, ele foi muito contestado, teve discursos que irritaram parte da torcida e da imprensa e repetia bastante sua trajetória desde divisões inferiores até chegar à Champions League. Mas, mesmo sob pressão, dificilmente partia para ataques diretos a outros treinadores.
  • Existe também uma interpretação, vinda desse entorno, de que Renato estaria vivendo um momento de enorme pressão. O Grêmio continua na zona de rebaixamento, ele ainda não venceu desde que retornou e já existem relatos de que o treinador está mais introspectivo e menos próximo dos dirigentes desde o empate com o Remo. A coletiva forte depois do Grenal, portanto, foi recebida como uma tentativa de dividir responsabilidades por uma situação que não começou com ele.
  • Só que o problema para o Grêmio não termina no futebol. Renato também encerrou uma resposta sobre Alexandre Mendes, o Gabeira, declarando seu apoio político a Bolsonaro. Renato tem todo o direito, como cidadão, de manifestar sua preferência política. A questão é o local em que isso aconteceu e as orientações internas que haviam sido repassadas pelo próprio clube.
  • A informação é de que, antes do período eleitoral, o Grêmio distribuiu aos funcionários um documento com orientações de comportamento. Entre os pontos apresentados estavam cuidados com manifestações políticas utilizando roupas do clube, participação em eventos partidários com uniforme de trabalho e manifestações desse tipo dentro das dependências gremistas. Também havia orientações relacionadas ao comportamento nas redes sociais.
  • Renato é funcionário do Grêmio e fez sua manifestação política dentro da Arena, durante uma entrevista coletiva oficial do clube. Portanto, pelo menos numa leitura direta dessas orientações, a fala entra em conflito com aquilo que havia sido recomendado aos demais profissionais. O documento ainda indicaria que eventuais descumprimentos poderiam ser analisados com base no código de ética do Grêmio.
  • A grande questão é: o que o clube vai fazer com isso? É difícil imaginar qualquer medida mais drástica contra Renato neste momento, ainda mais considerando o tamanho que ele tem dentro do Grêmio e a situação esportiva delicadíssima. Não existe indicação de demissão ou algo semelhante. O mais provável é que qualquer conversa aconteça internamente.
  • Odorico Roman, inclusive, já tentou baixar a temperatura depois da coletiva. O presidente falou com a imprensa e tratou as declarações de Renato como opiniões pessoais do treinador, evitando uma resposta mais dura. Faz sentido. Se o presidente resolve rebater publicamente o técnico, cria uma crise ainda maior. Renato critica elenco, contratações e direção; o presidente responde; jogadores entram no debate e o clube, que já está lutando contra o rebaixamento, ganha mais um problema.
  • Então são dois efeitos diferentes da mesma entrevista. De um lado, Luís Castro teria recebido muito mal as críticas que atingiram diretamente o seu trabalho e a forma como o elenco foi utilizado anteriormente. Do outro, a direção gremista precisa administrar declarações de um treinador que questionou a qualidade do grupo, atingiu indiretamente a montagem do elenco e ainda fez uma manifestação política que contraria orientações repassadas internamente aos funcionários.
  • Renato sempre falou o que pensa. Isso não é novidade para ninguém.
  • O problema é que, neste momento, o Grêmio está numa situação em que cada frase tem um peso muito maior.
  • E agora a direção precisa administrar não apenas os resultados dentro de campo, mas também as repercussões daquilo que o próprio treinador está dizendo fora dele.
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