Grêmio
Renato dispara pra todo lado na coletiva após o Gre-Nal
- Renato Portaluppi deu uma entrevista coletiva longa e cheia de recados depois do empate em 1 a 1 no Grenal. E algumas das declarações acabam respingando diretamente no trabalho de Luís Castro, mas principalmente na montagem do elenco feita pela direção do Grêmio. Renato evitou citar nomes ou transformar a coletiva em ataque aberto, mas deixou claro que considera o time atual mais competitivo do que encontrou e, ao mesmo tempo, entende que existem limitações de qualidade que ele simplesmente não consegue resolver apenas com treinamento.
- Questionado sobre uma possível falta de evolução desde a sua chegada, Renato discordou. Disse que assistiu aos jogos anteriores e viu um Grêmio que criava pouco, finalizava pouco e até corria pouco. Na avaliação dele, isso mudou. O problema é que a mudança ainda não virou vitória. São três partidas diretamente com Renato na casamata, além daquele primeiro jogo em que Felipão comandou com sua participação, e o Grêmio ainda não venceu. Renato lembrou que enfrentou Palmeiras, jogou Grenal e também pontuou contra o Remo, tentando mostrar que pelo menos existe mais entrega. Só que resumiu a situação com uma frase importante: vontade e dedicação ele consegue cobrar. Qualidade, não.
- E aí voltou a uma tese que já utilizou outras vezes. Para Renato, Palmeiras, Flamengo, Cruzeiro e até o Fluminense possuem uma qualidade acima dos demais. No restante do campeonato, segundo ele, muitas partidas acabam sendo decididas por concentração, entrega e vontade. É justamente isso que pretende extrair do Grêmio. O treinador entende que pode aconselhar, ajustar posicionamentos e fazer o jogador evoluir, mas não consegue colocar dentro de um atleta uma característica técnica que ele não possui.
- Só que, quando a conversa chegou na responsabilidade por esse elenco, Renato começou a deixar alguns recados fortes. Uma pergunta colocou diretamente a direção gremista no centro da discussão e ele preferiu não atacar nominalmente ninguém, mas questionou aquela ideia de que tudo no futebol seja culpa do treinador. E deu um exemplo bastante claro: chega ao vestiário e encontra três ou quatro jogadores falando uma língua, outros três ou quatro falando outra. Para Renato, não é porque a CBF permite um número maior de estrangeiros que um clube precisa sair contratando jogadores de vários mercados sem pensar também no processo de adaptação.
- Amuzu foi citado como exemplo dessa dificuldade. Renato explicou que não é simples fazer um jogador que acabou de chegar de outra realidade compreender imediatamente tudo aquilo que representa o Grêmio, como funciona o clube e aquilo que o treinador espera dentro de campo. E, mesmo sem dizer diretamente “a direção contratou errado”, a crítica está posta. Se Renato afirma que não adianta contratar estrangeiro simplesmente porque existe vaga e que é preciso entender o perfil de cada jogador, naturalmente isso cai sobre quem montou o elenco.
- Outro exemplo foi Krovinović. Renato revelou que vem conversando com o meio-campista e cobrando que ele pise mais na área. Só que, segundo o treinador, esse tipo de característica deveria ser analisado antes da contratação. O clube precisa saber exatamente aquilo que está buscando quando escolhe um jogador. Renato chegou a usar Arrascaeta como referência na conversa com Krovinović. Não para comparar a qualidade dos dois, segundo ele, mas para mostrar que um jogador daquela posição precisa estar perto do gol, chegar na área, marcar e dar assistências.
- É uma diferença clara de conceito em relação ao trabalho anterior. Krovinović fazia muito sentido para Luís Castro como um meio-campista de ida e volta, ajudando na marcação e na construção sem necessariamente ser um camisa 10 que invade constantemente a área. Renato quer outra coisa. Quer um jogador mais agudo. E aí aparece novamente aquele problema de trocar treinador no meio do caminho: tu monta o elenco para uma ideia, muda o técnico e o novo comandante enxerga algumas peças de outra maneira.
- O mesmo vale para os atacantes de lado. Renato admitiu que Carlos Vinícius está muito isolado e disse que vem tentando tirar dos pontas o hábito de permanecer sempre muito abertos. Na visão dele, os atacantes precisam fechar por dentro e chegar perto do centroavante. Durante o próprio Grenal, contou que ficava na beira do campo gesticulando para os jogadores se aproximarem de Carlos Vinícius. A cobrança é bastante simples: se são atacantes, precisam aparecer perto do gol.
- Renato chegou a dizer que esse comportamento mais aberto é muito utilizado por treinadores estrangeiros, mas que ele prefere outra dinâmica. Quer os pontas atacando a área e aproximando do 9. E deixou até um aviso: por enquanto continuará utilizando esses jogadores, mas, se eles não conseguirem executar aquilo que pede, terá que improvisar outros atletas em algumas funções. Ou seja, também existe cobrança direta ao grupo.
- Apesar do tom forte, Renato tentou mostrar por que ainda confia na recuperação. Disse que este elenco tem muitos jogadores acostumados a ganhar títulos e considera isso importante num momento de pressão. Lembrou uma experiência no Vasco, quando perguntou no vestiário quantos atletas já tinham sido campeões e poucas mãos se levantaram. Brincou que praticamente tinha mais títulos sozinho do que boa parte daquele grupo. No Grêmio, segundo ele, é diferente. Existem jogadores experientes e campeões, e Renato acredita que isso pode pesar quando a briga contra o rebaixamento apertar ainda mais.
- Também houve reclamação de arbitragem. Renato disse que não viu grande problema na atuação do árbitro dentro de campo no Grenal, mas reclamou do VAR por não ter chamado numa situação de possível pênalti para o Grêmio. Foi uma crítica pontual, sem transformar a coletiva inteira numa discussão sobre arbitragem.
- Sobre Danilo Barbosa, explicou por que escolheu o volante como titular. Renato gosta da força dele pelo alto e também da capacidade de jogar com os dois pés, o que facilita inversões e saídas para ambos os lados. Foi uma escolha que agradou ao treinador e Danilo teve uma atuação considerada boa no clássico.
- Por fim, Renato confirmou que Wallace vai passar por cirurgia no nariz. O zagueiro será operado nesta segunda-feira, depois da chegada do médico responsável a Porto Alegre. A expectativa é bastante positiva: em três ou quatro dias ele já poderá voltar a treinar utilizando uma máscara de proteção. Até poderia existir uma tentativa de utilizá-lo rapidamente contra o Cruzeiro, mas Renato orientou que Wallace aproveitasse o terceiro cartão amarelo para cumprir suspensão e não correr riscos desnecessários.
-
Inter1 semana atrásO pedido feito por um jogador do elenco colorado
-
Grêmio4 dias atrásRenato deu indereta sobre trabalho de Luís Castro no Grêmio
-
Inter3 dias atrásAlguns bastidores do Eduardo Baptista com os jogadores do Inter
-
Inter4 dias atrásComeçou muito bem o Inter de Eduardo Baptista
-
Inter4 dias atrásOlha o que o Grêmio deixou acontecer antes do Gre-Nal
-
Grêmio2 dias atrásAs razões que tiraram Arthur e Cebolinha do Grêmio
-
Grêmio2 horas atrásResultado bem pior pro Grêmio no Gre-Nal
-
Inter2 horas atrásO fato que o Inter tem que “comemorar” no Gre-Nal