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Gre-Nal teve um claro beneficiado no Beira-Rio

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  • Inter e Grêmio empataram em 0 a 0 no Beira-Rio pelo primeiro Gre-Nal das quartas de final da Copa do Brasil. Foi um jogo ruim, com poucas chances claras e dois times que mostraram exatamente muitas das limitações que carregam durante a temporada. O Grêmio foi um pouco melhor no primeiro tempo, o Inter cresceu na segunda etapa, mas ninguém conseguiu fazer o suficiente para vencer. No fim, o resultado deixa tudo aberto para a Arena, embora eu veja esse empate como melhor para o lado gremista.
  • Paulo Pezzolano começou o clássico com algumas surpresas importantes. Alan Patrick e Bruno Henrique ficaram no banco, Calebe apareceu como lateral-direito e Vitinho atuou mais avançado, praticamente como referência ofensiva. A estrutura, porém, continuou parecida com aquilo que o Inter vinha fazendo: linha de cinco sem a bola, Villagra e Paulinho protegendo o meio e Carbonero, Bernabei e Vitinho tentando construir as transições. A ideia até fazia sentido, mas as escolhas individuais não funcionaram. Calebe sofreu bastante pela direita e Vitinho não conseguiu produzir como atacante.
  • O primeiro tempo, portanto, acabou sendo mais do Grêmio. O Tricolor teve aproximadamente 56% de posse de bola, finalizou mais e conseguiu controlar melhor a partida, mesmo sem transformar essa superioridade em grandes oportunidades. Jovane Cabral começou no lugar de Amuzu e deu um pouco mais de fôlego pelo lado, enquanto Krovinović tentou assumir uma função de organização no meio. Noriega também teve papel importante taticamente: com a bola, atuava como primeiro volante; sem ela, afundava e formava praticamente uma linha de três zagueiros para equilibrar o ataque colorado.
  • Mesmo com mais controle, o Grêmio também produziu pouco. Weverton praticamente não precisou trabalhar em situações realmente perigosas e o jogo ficou muito concentrado no meio-campo. A melhor definição talvez seja justamente essa: um time teve mais a bola, mas nenhum dos dois conseguiu transformar posse em oportunidade clara.
  • O lance mais importante da primeira etapa aconteceu com Carlos Vinícius. O centroavante já tinha cartão amarelo quando abriu o braço em uma disputa e acertou Bruno Gomes. Para mim, era lance para segundo amarelo e expulsão. A arbitragem errou e acabou beneficiando o Grêmio nessa situação. É um lance que precisa ser registrado porque poderia mudar completamente o clássico, embora não faça sentido transformar toda a análise da partida em discussão sobre arbitragem.
  • No intervalo, Pezzolano percebeu que Calebe não estava funcionando pela direita e mudou. Bruno Gomes passou a ocupar mais o corredor e o Inter conseguiu se soltar. A segunda etapa foi colorada, com uma superioridade até mais clara do que aquela que o Grêmio havia apresentado antes do intervalo. Só que novamente apareceu o principal problema: faltou transformar domínio em gol.
  • Carbonero teve a grande chance da partida. Recebeu dentro da área, tinha condição de finalizar e acabou batendo travado na marcação. Era a bola que poderia decidir o primeiro Gre-Nal. E novamente Carbonero deixou escapar uma oportunidade importante. Ele tem capacidade para criar desequilíbrio, mas ainda precisa começar a ser decisivo nos momentos que definem partidas grandes.
  • Pezzolano tentou mudar o ataque depois. Alan Patrick entrou, Sanabria fez sua estreia para dar uma referência mais clara na área, mas nenhuma das alterações conseguiu transformar o Inter em um time realmente perigoso. Houve mais presença ofensiva, mais controle e mais iniciativa durante boa parte do segundo tempo, mas pouca produtividade.
  • Luís Castro também mexeu. Jovane Cabral saiu para a entrada de Amuzu, Carlos Vinícius foi substituído por Braithwaite e posteriormente Danilo Barbosa entrou para aumentar a força física do meio-campo. Enamorado também recebeu oportunidade. O Grêmio, porém, não conseguiu recuperar o nível do primeiro tempo e passou boa parte da etapa final mais preocupado em controlar o Inter e levar o empate para Porto Alegre.
  • A saída de Carlos Vinícius também chamou atenção. Além da possibilidade de expulsão que já existia desde o primeiro tempo, o centroavante acabou deixando o jogo e depois recebeu atendimento no banco. Não ficou completamente claro se havia algum problema físico, mas naquele momento também fazia sentido para Luís Castro evitar correr qualquer risco de ficar com um jogador pendurado em campo.
  • Mesmo sendo superior na segunda etapa, o Inter saiu vaiado por parte dos aproximadamente 44 mil torcedores presentes no Beira-Rio. E eu consigo entender. O 0 a 0 não é um bom resultado para o Colorado. Uma vitória mínima mudaria completamente o cenário da volta, principalmente porque Pezzolano sabe montar um time para defender espaços e jogar em transição. Se levasse uma vantagem para a Arena, o Inter teria condições de construir um jogo extremamente desconfortável para o Grêmio.
  • Agora a situação muda. O Grêmio tem uma campanha muito melhor dentro da Arena do que fora de casa, enquanto o Internacional tem apresentado dificuldades enormes como mandante. Empatar um Gre-Nal no Beira-Rio e decidir a classificação na Arena é um cenário interessante para o Tricolor. Isso não significa favoritismo absoluto, porque os dois times continuam muito próximos e o clássico mostrou exatamente isso.
  • Talvez a maior frustração seja que se esperava até um jogo cheio de erros justamente porque Grêmio e Inter vivem momentos ruins. Só que aconteceu quase o contrário: os dois foram tão limitados ofensivamente que nem conseguiram criar situações suficientes para aproveitar possíveis falhas do adversário. Foi um clássico de pouca criatividade, pouca inspiração e pouquíssimas chances reais.
  • Se fosse transformar a partida em uma disputa por pontos, talvez desse uma pequena vantagem para o Inter pelo segundo tempo. Um 10 a 9, nada além disso. Mas futebol não é boxe. O que vale é o placar, e o 0 a 0 deixa o Grêmio satisfeito por ter sobrevivido ao Beira-Rio sem desvantagem.
  • Agora são mais 90 minutos na Arena. Está tudo aberto e qualquer tentativa de apontar um classificado neste momento seria exagero. O primeiro Gre-Nal confirmou apenas aquilo que já sabíamos: são dois times com muitos problemas, pouca confiança e que vão decidir uma vaga enorme na Copa do Brasil sem que nenhum deles consiga se colocar claramente acima do outro.
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