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O suco de futebol brasileiro que acaba de acontecer na Arena do Grêmio

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  • O Grêmio teve uma reunião entre integrantes das torcidas organizadas, lideranças do elenco, Paulo Pelaipe e Luís Castro depois da sequência ruim dentro de campo e, principalmente, da tentativa frustrada de protesto no aeroporto. Foi aquele cenário bem típico do futebol brasileiro: torcedores frente a frente com jogadores e dirigentes cobrando mais desempenho, mais foco e uma reação imediata. A conversa, porém, aconteceu em bom nível e terminou com os atletas reconhecendo que o momento está abaixo do esperado e prometendo uma postura diferente principalmente nos Grenais da Copa do Brasil.
  • Participaram do encontro aproximadamente oito representantes das organizadas e, pelo lado do Grêmio, cinco jogadores considerados lideranças do grupo: Weverton, Walter Kannemann, Marlon, Villasanti e Carlos Vinícius. Paulo Pelaipe e Luís Castro também estiveram presentes, além de Fernandão, responsável pela segurança. A ideia inicial dos torcedores era conversar com todo o elenco, mas o entendimento foi de que isso poderia mais atrapalhar do que ajudar. Então foram escolhidos alguns dos principais líderes para ouvir as cobranças e depois transmitir o recado aos demais jogadores.
  • A reunião aconteceu depois de um episódio que aumentou bastante a irritação da torcida. No retorno da delegação a Porto Alegre, após a derrota para o Bragantino, grupos de torcedores foram ao aeroporto para protestar. O ônibus oficial do Grêmio ficou no local onde todos aguardavam, mas a direção utilizou outro veículo dentro do aeroporto para retirar jogadores e comissão por uma saída diferente. Na prática, o clube evitou o encontro e impediu que aquela cobrança acontecesse. A partir disso, os torcedores solicitaram uma conversa direta com representantes do futebol e o Grêmio resolveu abrir as portas da Arena para o encontro.
  • Pelo que se sabe, não houve nenhum grande confronto ou discussão fora de controle. A cobrança foi forte, mas dentro de um ambiente considerado respeitoso. Os torcedores deixaram claro que esperam mais do grupo e que não estão satisfeitos com aquilo que o Grêmio vem apresentando. E os próprios jogadores fizeram uma espécie de meia-culpa. Reconheceram que vários atletas não estão jogando aquilo que sabem ou aquilo que podem entregar e admitiram que o rendimento precisa melhorar.
  • Isso talvez seja o ponto mais importante da conversa. Ninguém dentro do elenco tentou vender a ideia de que está tudo bem ou que as críticas não fazem sentido. Existe internamente a consciência de que o futebol apresentado está muito abaixo do que deveria. E, depois de uma sequência em que o Grêmio praticamente repete os mesmos problemas todas as semanas, pelo menos reconhecer isso é o primeiro passo.
  • Também houve uma promessa de mudança de postura pensando principalmente no Gre-Nal. Não chegou a informação de que alguém tenha prometido classificação ou dito que o Grêmio obrigatoriamente vai eliminar o Internacional. Não foi esse tipo de declaração. O compromisso assumido foi de preparação diferente, foco maior e uma resposta dentro de campo nos dois clássicos da Copa do Brasil.
  • E não tem como fugir disso: o Gre-Nal virou o centro da temporada gremista. Existe o jogo contra a Chapecoense entre os clássicos, existe o Campeonato Brasileiro e existe toda uma preocupação com a tabela, mas emocionalmente e esportivamente os dois confrontos com o Inter podem mudar completamente o ambiente. Uma classificação ameniza muita coisa. Uma eliminação, principalmente se vier acompanhada de atuações ruins, aumenta demais a pressão sobre jogadores, Luís Castro e direção.
  • A reunião também mostra como o momento chegou a um ponto em que o clube entendeu que precisava dar alguma resposta à torcida. Depois de evitar o protesto no aeroporto, seria muito difícil simplesmente fechar novamente as portas e ignorar a cobrança. Então houve essa tentativa de criar um canal entre quem está dentro do futebol e quem está extremamente insatisfeito nas arquibancadas.
  • É o bom e velho futebol brasileiro na sua essência. Torcida organizada cobra, jogadores reconhecem que precisam melhorar, treinador participa, dirigente acompanha e todo mundo promete uma resposta no próximo grande jogo. Isso por si só não muda absolutamente nada dentro de campo. Não vai fazer o Grêmio atacar melhor, movimentar mais rápido ou corrigir os problemas que o time apresenta há semanas.
  • Mas mostra uma coisa: ninguém está indiferente ao tamanho da crise. Os jogadores sabem que estão devendo, Luís Castro sabe da pressão, Pelaipe sabe que os resultados precisam aparecer e a torcida já deixou claro que a paciência está acabando.
  • Agora não existe mais muito espaço para discurso. A conversa aconteceu, a cobrança foi feita e a promessa de uma postura diferente está colocada. O que realmente vai importar é aquilo que o Grêmio apresentar quando começar o Gre-Nal. Porque reunião de torcida com jogador é o suco do futebol brasileiro, mas no final das contas a única resposta que realmente acalma arquibancada continua sendo jogar melhor e ganhar.
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