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O jogador que não deve vir mais, o contrato do Sanabria e a transação feita na Europa

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  • O Internacional praticamente descartou a contratação de Alex Arce e já trabalha com uma nova realidade para o ataque. Depois da apresentação de Niclass Eliasson, dirigentes colorados conversaram com jornalistas e deixaram claro que a operação pelo artilheiro da Libertadores ficou muito difícil. O Independiente Rivadavia quer cerca de US$ 3,5 milhões, algo próximo de R$ 18 milhões, e exige uma parcela muito grande desse valor à vista. E o Inter simplesmente não tem essa grana disponível para fazer uma transferência desse tamanho de uma vez.
  • Isso não significa que Alex Arce esteja oficialmente fora. O jogador tem interesse em atuar no futebol brasileiro, o empresário também tenta construir a saída e agora existe uma pressão deles sobre a direção do Rivadavia para flexibilizar as condições. Mas, neste momento, eu trataria como uma negociação praticamente descartada. O Inter não consegue pagar o que os argentinos querem da maneira que eles querem receber. E ainda existe outro interessado: o Vasco também entrou na disputa. Portanto, se alguma coisa acontecer, vai precisar partir muito mais do jogador e do empresário convencendo o Rivadavia do que de uma grande movimentação financeira colorada.
  • Por isso Tonny Sanabria passa a ser, de fato, o novo centroavante do Internacional. O paraguaio de 30 anos chega da Cremonese e assina um contrato longo, até o final de 2029. Não houve pagamento de transferência. O clube italiano precisava aliviar um salário pesado depois do rebaixamento e aceitou dividir os direitos econômicos do jogador com o Inter. A informação passada pela direção é de que inicialmente cada clube ficará com aproximadamente 50%, e, ao longo do contrato, o Colorado poderá aumentar sua participação até algo próximo de 70%.
  • É uma operação financeiramente interessante, principalmente porque na primeira conversa teriam sido mencionados valores completamente fora da realidade colorada. O Inter acabou conseguindo trazer o jogador sem pagar pela transferência e assumindo basicamente seu salário. Somando vencimentos, direitos de imagem, luvas e impostos, o custo mensal informado fica na casa dos R$ 800 mil. Chegaram a circular números próximos de R$ 1 milhão, mas a versão do clube é de que o pacote completo está mais perto dos R$ 800 mil.
  • Agora, não vamos inventar que Sanabria chega como um goleador absurdo porque não chega. Os números recentes não são espetaculares e essa é uma contratação que precisa ser analisada dentro do contexto. Na última temporada, ele marcou pouco pela Cremonese. Tem carreira europeia, passou pela base do Barcelona e rodou por Roma, Betis, Genoa, Torino e outros clubes, mas nunca explodiu como aquele centroavante que todo mundo imaginava quando surgiu. É um jogador experiente, de seleção paraguaia e com bagagem, mas é claramente o reforço possível depois das dificuldades por Alex Arce e Bakambu.
  • Inclusive, Sanabria tinha outra possibilidade antes de escolher o Internacional. O técnico do Olimpia revelou que o clube paraguaio estava encaminhando a contratação e demonstrava bastante otimismo, mas o atacante acabou optando pelo Inter. É curioso porque Sanabria nasceu no Paraguai, mas nunca construiu a carreira na América do Sul. Foi muito cedo para a Espanha e praticamente toda sua trajetória profissional aconteceu na Europa. Agora, aos 30 anos, desembarca para jogar no futebol sul-americano pela primeira vez.
  • Niclass Eliasson, por outro lado, parece ser uma contratação pensada de maneira muito mais específica para aquilo que o Inter precisa dentro de campo. O atacante já foi apresentado, recebeu a camisa 17 e vai atuar utilizando passaporte brasileiro por ser filho de mãe brasileira. Mesmo tendo vivido praticamente toda a vida na Europa, fala português e chega com características que agradaram bastante à direção: velocidade, capacidade de puxar contra-ataques e muita qualidade nos cruzamentos.
  • Existe até uma história interessante na formação dele. Quando ainda estava no Bristol City, na Inglaterra, Eliasson era considerado tecnicamente talentoso, mas muito abaixo fisicamente. A comissão técnica decidiu então colocá-lo para praticar judô semanalmente durante aproximadamente um ano. O objetivo era melhorar equilíbrio, contato físico, centro de gravidade e a capacidade de utilizar o corpo nos duelos. Segundo o próprio treinador daquela época, a mudança ajudou Eliasson a deixar de ser apenas um jogador habilidoso e passar também a competir melhor fisicamente.
  • Então o Inter tem duas contratações bem diferentes para o ataque. Eliasson chega com uma característica que encaixa diretamente no modelo de Paulo Pezzolano, principalmente para acelerar transições e jogar em velocidade. Sanabria chega como uma solução para a camisa 9 dentro das condições financeiras que o clube conseguiu encontrar. Alex Arce seria, evidentemente, uma contratação de impacto maior pelo momento que vive, mas hoje essa operação depende muito mais de uma mudança radical de postura do Rivadavia do que do próprio Inter.
  • E existe ainda uma atualização envolvendo Gabriel Carvalho. O meia de 19 anos está deixando o Al-Qadsiah por empréstimo e vai defender o Shakhtar Donetsk durante uma temporada. A passagem dele pela Arábia Saudita não aconteceu como se imaginava. Foram apenas 12 partidas, três como titular, com um gol e duas assistências. Entre a limitação de estrangeiros e a própria dificuldade de um jovem se adaptar imediatamente ao futebol saudita, ele acabou tendo pouco espaço.
  • No Shakhtar, a história pode ser diferente. É um clube tradicionalmente conhecido por apostar em jogadores jovens e oferecer espaço para desenvolvimento. O empréstimo prevê uma opção de compra de 18 milhões de euros e, caso ela seja exercida, o Internacional ainda terá direito a um percentual da operação. O valor exato dessa participação colorada ainda não está esclarecido.
  • Gabriel Carvalho foi vendido muito jovem e por uma quantia considerada excelente pelo Inter, mas sua primeira experiência fora do Brasil ficou abaixo da expectativa. Agora terá uma nova oportunidade em um ambiente mais acostumado a desenvolver atletas da idade dele. E talvez seja justamente disso que precisava: voltar a sentir que está numa etapa de crescimento da carreira, e não simplesmente num contrato extremamente lucrativo sem espaço para jogar.
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