destaque
As grande diferenças de Inter e Grêmio no Gre-Nal
- Grêmio e Internacional entram em campo nesta noite pelo primeiro dos dois Gre-Nais que valem uma vaga na semifinal da Copa do Brasil. Os dois chegam pressionados, na parte de baixo da tabela do Campeonato Brasileiro e longe de apresentar um grande futebol, mas a preparação para o clássico mostra diferenças enormes entre os clubes. Enquanto o Grêmio viveu dias de reuniões, cobranças, antecipação de pagamentos e pressão pública sobre Luís Castro, o Inter adotou uma postura muito mais silenciosa antes da partida no Beira-Rio.
- Talvez essa seja a primeira grande diferença. Pelo lado colorado, praticamente nada vazou sobre alguma preparação especial para o clássico. Não houve notícia de reunião com jogadores, aumento de premiação ou qualquer grande movimentação interna relacionada diretamente ao Gre-Nal. No Grêmio aconteceu exatamente o contrário. Oito representantes de torcidas organizadas se reuniram com cinco lideranças do elenco, além de Luís Castro, Paulo Pelaipe e Fernandão. Houve cobrança forte, reconhecimento dos jogadores de que precisam entregar mais e a promessa de uma postura diferente nos clássicos.
- Além disso, o Grêmio antecipou pagamentos que seriam feitos apenas no começo de setembro. Salários e valores relacionados a direitos de imagem foram colocados na conta dos jogadores com aproximadamente duas semanas de antecedência. E a informação é de que o próprio clube deixou essa situação chegar ao conhecimento público também como uma demonstração de que a direção está fazendo a sua parte antes da decisão. É o famoso “doping financeiro”: colocar tudo em dia, antecipar dinheiro e eliminar qualquer ruído antes de dois jogos que podem definir a temporada.
- A segunda diferença está na concentração. Luís Castro normalmente não costuma retirar o elenco de casa com tanta antecedência. Em jogos comuns, os atletas se apresentam no próprio dia, almoçam juntos, participam da palestra e seguem para o estádio. Para o Gre-Nal, isso mudou. O Grêmio treinou, seguiu diretamente para o hotel e passou a noite concentrado, controlando alimentação, descanso e toda a preparação durante aproximadamente 24 horas antes do clássico. É uma alteração clara na rotina justamente pelo tamanho da partida.
- No Internacional, Paulo Pezzolano manteve praticamente tudo como vinha acontecendo. Não houve concentração antecipada. Os jogadores fizeram uma atividade de ativação pela manhã, seguiram a programação normal, almoçaram, participaram da preparação final e depois ficaram prontos para ir ao Beira-Rio. Mesmo diante de um dos jogos mais importantes do ano, a comissão técnica colorada preferiu não mexer na rotina. Enquanto o Grêmio tenta criar um ambiente diferente, o Inter aposta justamente na normalidade.
- O noticiário dos dois clubes também foi bastante distinto. No Grêmio, a semana teve reunião do Conselho Deliberativo, apresentação de números financeiros, prejuízo próximo de R$ 33 milhões no segundo trimestre, restrições da CBF por dívidas com outros clubes e ainda a cobrança de Luis Suárez por valores que ficaram pendentes desde 2023. Tudo isso às vésperas do clássico. No Inter também houve uma notícia extremamente negativa, com o transfer ban causado por uma dívida na contratação de Juninho, mas fora isso o ambiente esportivo foi consideravelmente mais silencioso.
- A comunicação das direções seguiu essa mesma lógica. Paulo Pelaipe concedeu entrevista depois da derrota para o Bragantino e praticamente estabeleceu um prazo para Luís Castro apresentar resultados. Disse que tudo tem limite e citou exatamente os dois Gre-Nais e o jogo contra a Chapecoense como uma sequência em que o Grêmio precisa responder. Não falou abertamente em demissão, mas colocou pressão pública sobre o treinador. No Inter, depois do último jogo, quem falou foi Maripán. Não apareceu presidente, executivo ou grande liderança do clube para transformar o clássico em um evento ainda maior.
- Dentro de campo também existem diferenças curiosas. O Grêmio tem, no papel, alguns jogadores que desequilibram essa comparação individual. Basta olhar para posições como goleiro e centroavante para entender que existem peças importantes do lado gremista. O Inter, porém, hoje apresenta uma organização coletiva mais clara. Pezzolano conseguiu construir uma forma de jogar reconhecível, principalmente sem a bola e nas transições, enquanto Luís Castro ainda tenta fazer o Grêmio desenvolver um futebol mais coordenado.
- E existe um número que talvez resuma perfeitamente o tamanho desse Gre-Nal. O Grêmio tem uma campanha razoável dentro da Arena no Campeonato Brasileiro, aparecendo entre as melhores campanhas como mandante. O problema é quando sai de casa. O time é extremamente frágil como visitante, ainda não conseguiu construir uma sequência consistente e sequer venceu duas partidas consecutivas no Brasileirão. Para o primeiro clássico, justamente, terá que jogar no Beira-Rio.
- Só que aí aparece a contradição colorada: o Inter é muito ruim dentro de casa. A campanha no Beira-Rio está entre as piores do campeonato, superior apenas a uma das equipes da competição. Ou seja, o primeiro Gre-Nal coloca frente a frente um Grêmio que não consegue jogar fora de casa contra um Internacional que não consegue aproveitar o próprio estádio. Na volta, a lógica se inverte, porque o Grêmio leva a decisão para um lugar onde costuma ter desempenho melhor.
- É por isso que talvez a definição de “Gre-Nal da miséria” faça algum sentido. Não porque o clássico seja pequeno, muito pelo contrário. É justamente um confronto gigantesco entre duas equipes que chegam em momentos muito abaixo daquilo que suas torcidas esperavam. Os dois estão pressionados no Brasileirão, os dois precisam da Copa do Brasil e nenhum consegue entrar em campo carregando uma grande sequência.
- A diferença é como cada um decidiu chegar até aqui. O Grêmio fez praticamente de tudo para transformar o ambiente: reunião com torcida, concentração antecipada, dinheiro na conta e pressão pública sobre o treinador. O Inter seguiu sua rotina, evitou grandes manifestações e colocou praticamente toda a responsabilidade para dentro do campo.
- Agora não existe mais preparação que resolva. A partir do momento em que a bola começar a rolar no Beira-Rio, toda essa diferença de bastidor vai valer muito pouco. O que vai definir quem sai na frente na Copa do Brasil é qual dos dois consegue, pelo menos durante 90 minutos, deixar para trás o futebol ruim que vem apresentando.
-
destaque1 semana atrásOs detalhes sobre os dois novos reforços e o motivo por trás da pressa da direção
-
Inter1 semana atrásFoi um crime o que aconteceu no Beira-Rio
-
Grêmio7 dias atrásO alerta que acendeu sobre Luís Castro, a ligação do presidente pra um jornalista e o pagamento feito pro Carlos Vinícius
-
Inter1 semana atrásO jogador que não deve vir mais, o contrato do Sanabria e a transação feita na Europa
-
Inter5 dias atrásA chance de reviravolta que pode colocar Alex Arce no Inter
-
Grêmio1 semana atrásA notícia bombástica descobera sobre um contrato no Grêimo e as próximas saídas perto de acontecer
-
Grêmio5 dias atrásA melhor explicação que consegui sobre o salário de R$ 500 mil no Grêmio
-
Inter5 dias atrásPezzolano passou um pouco dos limites neste jogo do Inter