Entre pro time

Inter

Uma informação vinda de quem estava no vestiário do Inter após o Gre-Nal

Publicado

em

  • O empate em 0 a 0 com o Grêmio não foi o único motivo para o clima pesado no Internacional depois do primeiro Gre-Nal da Copa do Brasil. Quem acompanhou de perto as entrevistas e os bastidores no Beira-Rio percebeu um ambiente de abatimento muito grande dentro do clube. A leitura dos repórteres que estavam no estádio é de que existe uma decepção da direção com a postura adotada pelos jogadores antes do clássico, quando o elenco decidiu não fazer a concentração prevista por causa de valores atrasados.
  • É importante separar as coisas. Essa percepção de um Inter mais abatido é um sentimento de quem estava acompanhando o pós-jogo e observou dirigentes, jogadores e o ambiente do clube. Não existe uma declaração oficial dizendo que direção e elenco romperam relações. Mas existe um fato concreto por trás dessa tensão: o Internacional pretendia concentrar seus jogadores antes do Gre-Nal e isso não aconteceu porque o grupo manifestou insatisfação com pagamentos que continuam pendentes.
  • A discussão sobre exatamente quanto o Inter deve ao elenco tem versões diferentes. Fala-se em aproximadamente dois meses ou dois meses e meio de direitos de imagem, além da possibilidade de existirem pendências envolvendo férias e 13º de períodos anteriores. Independentemente da composição exata, existe dinheiro atrasado. O próprio presidente Alessandro Barcellos reconheceu publicamente a situação, assim como Gabriel Mercado falou sobre o assunto na zona mista.
  • O episódio da concentração aumentou a exposição de um problema que já existia internamente. Os jogadores conversaram com a comissão técnica, representantes do futebol foram chamados e a posição apresentada foi de que, se o clube não estava conseguindo cumprir integralmente suas obrigações, o elenco não entendia como necessária uma concentração antecipada. Isso não significava deixar de jogar ou de cumprir os compromissos esportivos. A equipe treinaria, entraria em campo e faria normalmente seu trabalho, mas não aceitaria aquela exigência adicional naquele momento.
  • E foi justamente essa decisão que causou desconforto. A concentração aconteceria normalmente e foi cancelada depois da manifestação do elenco. Dá para utilizar palavras fortes como motim, levante ou até greve, mas talvez todas exagerem um pouco aquilo que realmente aconteceu. Na prática, foi uma demonstração coletiva de insatisfação. Os jogadores encontraram uma maneira de pressionar a direção por pagamentos atrasados e conseguiram mudar o planejamento antes de um dos jogos mais importantes da temporada.
  • Existe ainda uma questão importante envolvendo a repercussão pública. A informação acabou chegando à imprensa, Barcellos posteriormente confirmou o episódio e Mercado também falou abertamente na zona mista. A leitura possível é que, quando uma manifestação desse tipo se torna pública, a pressão sobre a direção aumenta muito. Ao mesmo tempo, quando o presidente reconhece a situação e explica sua versão, parte da responsabilidade pelo ambiente também volta para os jogadores. Foi uma troca pública de recados que mostrou que o clima interno não está exatamente tranquilo.
  • Isso ajuda a entender o abatimento percebido depois do Gre-Nal. O Inter poderia estar discutindo exclusivamente o 0 a 0, as escolhas de Paulo Pezzolano, a oportunidade perdida no Beira-Rio e a preparação para decidir uma vaga na semifinal da Copa do Brasil dentro da Arena. Em vez disso, uma parte enorme do pós-jogo ficou dominada por salários atrasados, concentração cancelada, transfer bans e dificuldades financeiras.
  • Barcellos sabe que precisa resolver essa situação rapidamente. O próprio presidente já deixou claro que a prioridade financeira mudou: antes de correr para pagar todos os credores internacionais que podem gerar novos transfer bans, o clube pretende juntar recursos para regularizar os compromissos de jogadores e funcionários. A direção considera que quem está trabalhando diariamente no Inter precisa receber primeiro.
  • Essa decisão mostra também o tamanho do alerta. Barcellos fez questão de defender os jogadores e lembrou que, mesmo com pagamentos atrasados, não identifica corpo mole dentro de campo. E realmente seria injusto estabelecer automaticamente essa relação. O problema é pensar no que acontece se os atrasos continuarem aumentando. O elenco já deu uma demonstração clara de insatisfação antes do Gre-Nal. Se nada for resolvido, a tendência é de o desgaste crescer.
  • Por isso, talvez o maior desafio do Internacional nos próximos dias nem seja exclusivamente tático. Pezzolano precisa preparar o time para decidir uma classificação na Arena, mas a direção também precisa reconstruir tranquilidade fora do campo. O clube tem a possibilidade de chegar à semifinal da Copa do Brasil e, ao mesmo tempo, vive uma crise financeira que fez seus próprios jogadores recusarem uma concentração.
  • Foi esse contraste que chamou atenção no Beira-Rio. O 0 a 0 por si só já era frustrante para o Colorado, mas o ambiente parecia carregar algo maior. Um Inter abatido, uma direção desconfortável com a exposição e jogadores que decidiram publicamente colocar um limite diante dos atrasos. Agora, além de tentar eliminar o Grêmio, o clube precisa impedir que um problema financeiro comece a contaminar de vez o ambiente do vestiário.
Publicidade

Destaque