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Presidente conta vários bastidores do Inter e sobe o tom após pergunta de repórter
- O presidente Alessandro Barcellos concedeu uma entrevista bastante reveladora sobre o momento do Internacional e admitiu publicamente as dificuldades financeiras do clube. Entre os principais pontos, confirmou valores atrasados com jogadores, explicou que novas punições de transfer ban podem acontecer, praticamente encerrou a possibilidade de novas contratações nesta janela e garantiu a permanência de Paulo Pezzolano mesmo em caso de eliminação para o Grêmio na Copa do Brasil. A prioridade do Inter agora é uma só: juntar dinheiro para pagar quem está trabalhando no clube.
- Segundo Barcellos, duas receitas importantes ficaram muito abaixo daquilo que o Internacional projetava para a temporada: vendas de jogadores e patrocínio principal da camisa. No mercado, o clube conseguiu negociar Borré em definitivo e Alan Rodríguez por empréstimo, mas não teve o volume de transferências que imaginava. O presidente também citou uma retração geral do mercado brasileiro nesta janela, além de dificuldades no setor de apostas e do direcionamento de verbas publicitárias para a Copa do Mundo. Na área comercial, a saída encontrada foi buscar acordos pontuais de patrocínio para tentar melhorar o fluxo de caixa.
- Esse problema de caixa chegou diretamente ao vestiário. Barcellos confirmou que existem pagamentos atrasados com os jogadores, situação que já havia provocado a decisão do elenco de não fazer a concentração antes do primeiro Grenal. Há diferentes informações sobre a composição exata da dívida, envolvendo direitos de imagem e outros compromissos, mas o presidente não negou o problema e afirmou que espera apresentar novidades sobre os pagamentos nas próximas duas ou três semanas.
- Ao mesmo tempo, fez questão de defender a postura dos jogadores. Barcellos desafiou quem acompanha o Inter a apontar alguma partida recente em que o grupo tenha feito corpo mole por causa dos atrasos. Na avaliação dele, mesmo sem receber tudo aquilo que deveria, o elenco continua mostrando comprometimento. Por isso, a prioridade financeira será justamente regularizar os compromissos com jogadores e funcionários.
- Essa decisão terá uma consequência direta no mercado. O Inter já sofreu um transfer ban pela dívida envolvendo Juninho e sabe que novas punições podem surgir por outros compromissos atrasados. Mesmo assim, o plano é não utilizar agora o pouco dinheiro disponível para retirar todos esses bloqueios. Com a janela perto do encerramento, o clube prefere deixar algumas dessas questões para serem negociadas posteriormente e concentrar os recursos no pagamento de quem está dentro do Beira-Rio.
- Com isso, a possibilidade de contratar Alex Arce praticamente acabou. O Inter já trouxe Tonny Sanabria e entende que não existe condição financeira para fazer outro investimento relevante. A partir de agora, a direção deve negociar com os clubes credores buscando parcelamentos ou outras formas de resolver as pendências, mas sem comprometer o dinheiro reservado para o elenco. Em resumo: o mercado colorado está praticamente encerrado.
- Um dos momentos mais fortes da entrevista aconteceu quando Alexandre Ernst questionou Barcellos sobre a responsabilidade da atual gestão pela crise financeira. O repórter lembrou que o presidente já ocupa funções importantes no clube há bastante tempo e não poderia tratar as dificuldades atuais como se tivesse chegado recentemente ao Beira-Rio. Barcellos reagiu de maneira firme, disse que assume seus erros, mas defendeu que teve mais acertos do que equívocos e citou a balança de negociações de atletas como um indicador positivo de sua administração.
- Esse argumento, porém, permite discussão. É natural que clubes brasileiros tenham saldo positivo entre compras e vendas porque normalmente formam ou desenvolvem jogadores para negociá-los por valores muito superiores àqueles utilizados nas contratações. Vendas como as de Yuri Alberto e Gabriel Carvalho, por exemplo, puxam qualquer balanço para cima. Isso não apaga operações ruins individualmente, como jogadores contratados por valores relevantes que pouco produziram e ainda deixaram compromissos financeiros para o clube.
- Barcellos também afirmou que sua gestão pagou aproximadamente R$ 400 milhões em dívidas e disse querer, ao final do mandato, mostrar detalhadamente de onde vieram esses compromissos. A intenção é comparar aquilo que recebeu das administrações anteriores com aquilo que deixará para o próximo presidente. É aquela discussão quase eterna do futebol brasileiro: quem assume normalmente aponta as dívidas deixadas pelo antecessor, enquanto quem está saindo tenta mostrar o quanto conseguiu reduzir do passivo recebido.
- No futebol, a principal garantia foi para Paulo Pezzolano. Barcellos afirmou que gosta do trabalho do treinador e que uma eventual eliminação para o Grêmio na Copa do Brasil não significará sua saída. A direção entende que o técnico está construindo uma equipe diferente, alterando bastante a estrutura conforme os adversários e finalmente começou a receber jogadores para o setor ofensivo, como Calebe, Nicolás Eliasson e Sanabria. O presidente destacou ainda que oito dos 11 reforços contratados desde a chegada de Pezzolano participaram do primeiro Grenal.
- Também houve reclamação sobre a arbitragem do clássico, não apenas pelo lance envolvendo Carlos Vinícius, que poderia ter recebido o segundo cartão amarelo, mas pela atuação geral da equipe de arbitragem. Esse, porém, acabou sendo um assunto menor diante do tamanho das informações financeiras apresentadas.
- A entrevista de Barcellos deixou uma realidade bastante clara. O Internacional não está escondendo que tem um problema sério de fluxo de caixa. Tem salários e direitos atrasados, pode sofrer novos transfer bans e já desistiu de fazer outra contratação importante nesta janela. A escolha agora é priorizar jogadores e funcionários, tentar gerar receitas pontuais e ganhar tempo para negociar as dívidas externas.
- Pode-se discutir as explicações apresentadas pelo presidente e até quanto da crise atual é responsabilidade da própria gestão, mas pelo menos o cenário ficou mais transparente: não haverá Alex Arce, novos transfer bans podem aparecer, os atrasados viraram prioridade e Pezzolano continuará respaldado. O Inter entrou numa fase em que precisa escolher quais contas consegue pagar primeiro. E essa talvez seja a informação mais preocupante de toda a entrevista.
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