Inter
Sonda fez duras críticas ao Barcellos e tem duas condições para voltar a ajudar o Inter
- Delcir Sonda falou. E falou bastante. Em entrevista ao GE, o empresário explicou por que decidiu ajudar financeiramente o Internacional neste momento, fez críticas muito fortes à gestão de Alessandro Barcellos, questionou o trabalho das categorias de base e ainda deixou uma mensagem importante para a eleição colorada: se Roberto Melo for eleito presidente, pretende continuar ajudando o clube. Não significa que vai largar tudo para viver o Inter, porque ele mesmo colocou limitações pessoais e profissionais, mas deixou essa disposição bastante clara.
- A primeira explicação de Sonda para a ajuda foi o medo do rebaixamento. Na avaliação dele, se o Inter cair novamente para a Série B, será muito difícil se levantar. A perda financeira seria gigantesca. Só em receitas de televisão, a redução poderia passar da casa dos R$ 100 milhões, e quando entram sócios, bilheteria, patrocínios e todo o impacto de disputar a segunda divisão, a conta cresce ainda mais. Foi por isso que decidiu tentar colaborar agora, antes que o pior aconteça.
- Só que isso não significa que ele esteja satisfeito com aquilo que vê dentro de campo. Muito pelo contrário. Sonda foi direto ao falar sobre o atual time: disse que vai torcer para dar certo, mas considera a equipe muito ruim. É uma frase pesada, principalmente vindo de alguém que acabou de aparecer novamente como uma figura importante no ambiente colorado. E as críticas não ficaram nos jogadores.
- Sonda também atacou a condução administrativa do Inter. Na visão dele, a gestão complicou demais a situação financeira do clube e deveria ter montado uma estrutura de trabalho muito melhor. Cobrou mais humildade de Alessandro Barcellos para administrar o Internacional e disse que todo o grupo responsável pelo clube poderia ter sido mais qualificado. Ou seja, a crítica não é somente ao time que entra em campo. É ao conjunto da obra.
- Ele também relembrou questões políticas de outros momentos. Questionou, por exemplo, a aproximação da atual gestão com figuras que, na avaliação dele, não tinham uma relação tão profunda com o futebol ou com o Inter. Citou Maggi e colocou uma diferença entre possuir capacidade financeira e efetivamente ter uma ligação de longa data com o clube e com o futebol. É uma crítica que obviamente também entra no ambiente eleitoral, ainda mais agora que Sonda aparece novamente ao lado de Roberto Melo.
- Outro ponto que incomoda muito Delcir Sonda é a base. Ele chamou de “loucura” o Inter não conseguir produzir e vender mais jogadores. A comparação utilizada foi com clubes como o Palmeiras, que conseguem transformar atletas formados internamente em receitas enormes. Na visão de Sonda, mesmo que nem toda venda chegue aos valores que ele citou, formar um ou dois jogadores importantes por ano e negociá-los bem poderia ser uma fonte fundamental de dinheiro para um clube que vive uma crise financeira tão profunda.
- Sonda também confirmou que autorizou a cobrança judicial de valores que entende ter a receber do Internacional. Segundo ele, a direção prometia resolver a situação, mas as tratativas não avançavam. Havia diferentes títulos de cobrança e, na visão dele, uma gestão séria deveria pelo menos ter chamado para negociar e apresentado uma forma concreta de pagamento. Como isso não aconteceu, autorizou que a questão fosse levada à Justiça.
- E apareceu ainda um tema importante sobre o futuro dele dentro do clube. Sonda relatou na entrevista que passou por um período muito delicado de saúde neste ano. Disse que ficou aproximadamente quatro meses hospitalizado, incluindo 22 dias em coma, e que está há cerca de dois meses novamente em casa. Segundo ele, está se recuperando, mas ainda precisa cuidar mais da própria saúde antes de assumir qualquer compromisso maior envolvendo o Internacional.
- Isso pesa bastante quando se fala numa possível participação mais ativa numa futura gestão. Sonda admitiu que gostaria de ajudar, mas também explicou que hoje não consegue simplesmente abandonar suas empresas para viver o Inter. Em outros momentos tinha uma estrutura familiar que permitia dividir mais responsabilidades. Agora precisa estar mais presente nos negócios e também cuidar da própria recuperação.
- Mesmo assim, colocou uma condição bastante objetiva: se Roberto Melo for eleito presidente, ele pretende ajudar. Foi assim que respondeu. Sonda mantém relação próxima com Melo e já demonstrou isso na prática recentemente. Não quer dizer que vá assumir um cargo executivo ou passar todos os dias no Beira-Rio, porque ele próprio disse que não pode fazer isso. Mas a intenção de colaboração existe.
- E evidentemente há um componente político enorme nessa história. Roberto Melo aparece novamente associado a uma das pessoas de maior capacidade financeira entre os colorados conhecidos. Sonda ajuda o clube num momento de crise, critica duramente a atual gestão e afirma que continuará ajudando caso Melo seja eleito. Para uma campanha que já está acontecendo nos bastidores, mesmo antes de começar oficialmente, é uma sinalização muito forte.
- O resumo é esse: Sonda quer ajudar porque teme que um rebaixamento torne a recuperação do Inter ainda mais difícil, não gosta do time atual, faz críticas pesadas à gestão Barcellos, cobra muito mais produção da base e confirma que pretende continuar próximo se Roberto Melo vencer a eleição.
- Só que também coloca um limite: saúde e empresas não permitem que ele simplesmente largue tudo para viver o Internacional. A ajuda pode existir. A presença diária, pelo menos neste momento, não.
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