Entre pro time

Grêmio

O erro que o Grêmio repetiu após bater o Inter

Publicado

em

  • Passada a euforia do Gre-Nal, o Grêmio voltou para a dura realidade do Campeonato Brasileiro. Perdeu por 1 a 0 para o Vitória no Barradão e segue ali, do outro lado da rua da zona da confusão. Não está dentro do Z4, mas também não está suficientemente longe para olhar a situação com tranquilidade. O Grêmio tem 28 pontos, enquanto quem está na zona do rebaixamento está na casa dos 25. São três pontos. Se tivesse vencido fora de casa, poderia dar um passo importante para se afastar dessa bagunça. Como perdeu, e perdeu sem nenhuma grande injustiça, continua olhando para aquele lado da rua e pensando: “Me meto ou não me meto?”. O ideal é não se meter. O problema é que o time continua dando motivos para preocupação.
  • E aí vem o ponto principal: o Gre-Nal foi um jogo à parte. Teve motivação, faca nos dentes, ambiente diferente, torcida empurrando, decisão. Quando tudo isso saiu da frente, os velhos problemas reapareceram. O Grêmio não foi um desastre completo contra o Vitória, mas voltou a mostrar um time com pouca coletividade, setores muito distantes e jogadores que pegam a bola e muitas vezes não sabem qual é o próximo movimento. Falta ligação entre defesa, meio e ataque. Falta aquela jogada rápida, trabalhada, em que o jogador recebe já sabendo onde o companheiro vai estar. E isso, inevitavelmente, cai na conta de Luís Castro.
  • O treinador colocou praticamente força máxima. Não teve aquele negócio de poupar metade do time depois do clássico. Marlon não podia jogar, algumas mudanças foram obrigatórias, mas de resto foi o Grêmio que vem sendo utilizado. A ideia era ter menos a bola e sair em contra-ataque, mas de novo apareceu a distância enorme entre os setores. Sem aquele fator emocional do Gre-Nal, a engrenagem não funcionou. O Vitória conseguia chegar mais, e Everton precisou aparecer desde cedo. Fez duas boas defesas no primeiro tempo e ainda terminou a partida com uma defesa absurda. Se o Grêmio perdeu só por 1 a 0, muito passa pelo goleiro.
  • O Grêmio também teve suas chances. Diego Caito entrou pela direita, invadiu a área e obrigou Lucas Arcanjo a fazer boa defesa. Carlos Vinícius chegou a marcar, mas estava impedido porque a bola demorou demais para sair e ele já tinha partido. Depois Villasanti apareceu mais pela direita e cruzou para Carlos Vinícius finalizar, novamente parando no goleiro do Vitória. Então não foi um primeiro tempo em que só um time jogou. O Vitória tinha alguma superioridade, mas o Grêmio também encontrava espaço para atacar. O problema é que eram jogadas isoladas. Não existia uma sequência coletiva que desse a sensação de que o gol gremista estava amadurecendo.
  • Na segunda etapa, o jogo caiu muito. E aí começaram a aparecer outros problemas. Pedro Gabriel foi titular na esquerda porque Marlon não podia atuar. É um garoto muito novo, fez uma partida abaixo e ainda recebeu cartão amarelo. Luís Castro decidiu trocar, o que fazia sentido. Colocou Caio Paulista para dar uma oxigenada no setor. Só que, com dois ou três minutos em campo, Caio já arrumou uma confusão completamente desnecessária e levou amarelo. Pouco depois, ainda falhou no gol do Vitória. Na cobrança de escanteio, Wallace tentou chegar na bola, mas quem estava na marcação de Renê era justamente Caio Paulista, que se perdeu e deixou o adversário aparecer para fazer 1 a 0.
  • Dá para colocar essa falha na conta do treinador? Diretamente, não. Quem entrou e errou foi o jogador. Só que também existe uma discussão inevitável: Luís Castro conhece Caio Paulista e continua insistindo nele. É aquela vida dura do treinador. Às vezes ele faz uma substituição que parece lógica e o cara entra, leva cartão quase instantaneamente e depois falha no gol. Mas também não dá para fingir que o técnico não participa das escolhas.
  • E se é difícil cobrar Luís Castro por Caio Paulista, também é complicado explicar algumas atuações individuais. Tetê, por exemplo, parece outro jogador. A gente olha e tenta entender como esse cara foi comprado por milhões no futebol europeu, passou por Shakhtar, Lyon, Leeds e outros clubes importantes, porque hoje ele não consegue entregar nem perto daquilo que se esperava. No começo existia a explicação do cansaço, da adaptação, do calendário europeu. Só que já passou. Teve férias, teve tempo de adaptação e continua muito abaixo. Entrou Enamorado depois e também não mudou absolutamente nada.
  • Outro ponto que começa a ficar impossível ignorar é a parte física. No Gre-Nal, eu ainda tinha uma ressalva. O Grêmio abriu 3 a 0 e naturalmente entregou mais a bola ao Inter. Não tinha motivo para continuar correndo riscos ou tentar transformar a partida em 5 ou 6 a 0. Então dava para interpretar aquela queda de intensidade como controle de jogo. Só que agora não. Contra o Vitória, o Grêmio cansou de verdade no segundo tempo. E isso já aconteceu em outras partidas do Brasileirão. Mesmo em jogos em que começou bem ou conseguiu resultado, o time foi perdendo força na etapa final. Existe alguma coisa física que precisa ser olhada com mais atenção.
  • No final, a derrota por 1 a 0 não foi uma tragédia isolada, mas traz de volta perguntas que o 3 a 0 no Gre-Nal tinha anestesiado. O Grêmio segue classificado para a semifinal da Copa do Brasil, isso dá crédito e compra tempo para Luís Castro. Só que o Campeonato Brasileiro continua ali cobrando. O time está perto demais da zona da confusão, ainda depende demais de Everton para sobreviver defensivamente, não consegue criar coletivamente com regularidade e volta a cair fisicamente no segundo tempo.
  • Então a classificação sobre o Inter foi enorme, histórica e merecida. Mas ela não pode servir para fingir que tudo está resolvido. O Gre-Nal mostrou o melhor Grêmio possível. O jogo contra o Vitória mostrou que os problemas anteriores continuam vivos. E, enquanto eles continuarem aparecendo, vai ficar cada vez mais difícil defender o trabalho de Luís Castro apenas com o argumento de que o time está na semifinal da Copa do Brasil.
Publicidade

Destaque