Inter
Os cinco jogadores mais cobrados pela torcida na converda do CT
- O Internacional ganhou uma espécie de trégua das torcidas organizadas até o jogo contra a Chapecoense. Depois de dois protestos durante a semana, inclusive com cerca de 12 representantes entrando no CT Parque Gigante para conversar diretamente com Fabinho Soldado, Abel Braga, Paulo Pezzolano, integrantes da comissão técnica e jogadores, a cobrança está feita. A ideia agora é deixar o time trabalhar, passar pelo treino de sexta-feira e esperar o que vai acontecer no sábado. Um dos torcedores chegou a resumir a situação dizendo que, neste momento, quem pode ajudar a salvar o Inter é a própria torcida e que a maneira encontrada por eles para fazer a sua parte foi cobrar. Pois bem, cobraram. Agora vão esperar a resposta dentro de campo.
- E essa conversa no CT teve nomes bastante cobrados. Vazou uma lista de jogadores que ouviram mais dos torcedores: Allex, Alerrandro, Rochet, Matheus Cunha e Félix Torres. Cada um por um motivo diferente. Alerrandro foi questionado pela condição física e pelo rendimento, Rochet pelas constantes ausências por lesão, Matheus Cunha pelas atuações muito irregulares e Félix Torres porque simplesmente não vem jogando bem. Allex também recebeu cobrança por situações envolvendo comportamento dentro e fora de campo. Evidentemente outros jogadores participaram da conversa, mas não faria sentido a cobrança ser igual para todo mundo. Mercado, por exemplo, vem jogando bem. Maripán também tem tido atuações razoáveis. Alan Patrick não foi um dos principais alvos. Então existiu uma cobrança direcionada muito mais para quem os torcedores entendem que está entregando abaixo do que deveria.
- Um bastidor interessante é que, inicialmente, Fabinho Soldado não queria colocar os jogadores frente a frente com os representantes das organizadas. Tentou evitar esse contato direto, mas Pezzolano acabou liberando a conversa. E o próprio treinador também foi bastante cobrado. Uma das frases que vazaram desse encontro foi Pezzolano dizendo algo muito próximo de: “Eu estou fazendo o que posso”. E essa frase permite uma interpretação bastante clara. Como quem diz: com aquilo que eu tenho à disposição, estou tentando encontrar uma maneira de fazer esse time funcionar.
- Isso ajuda a entender também por que o Inter muda tanto. No segundo semestre, contando Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil, Pezzolano repetiu uma escalação pouquíssimas vezes. Em 12 partidas, foram apenas três jogos com o mesmo time. O pensamento dele parece ser exatamente esse: eu tenho limitações, então preciso mexer, testar, trocar desenho, mudar jogador e tentar encontrar alguma estratégia diferente que consiga vencer uma partida. A discussão é se isso ajuda ou piora. Porque uma coisa é buscar alternativas. Outra é mudar tanto que o próprio time deixa de criar qualquer tipo de referência. Certo ou errado, foi basicamente essa a explicação que Pezzolano tentou passar aos torcedores.
- Abel Braga também participou da conversa e saiu com uma cobrança em cima dele. Um dos torcedores relatou que Abel tentou “passar pano” durante boa parte do encontro, protegendo jogadores e comissão técnica. E, de certa forma, esse é o papel que ele vem tentando exercer dentro do clube: blindar o vestiário, diminuir a pressão e segurar um ambiente que já está completamente no limite. Só que isso também gera desgaste. Porque chega uma hora em que proteger um trabalho que não está entregando resultado faz o próprio Abel começar a entrar na cobrança.
- E justamente por falar em Abel, apareceu uma informação importante. A assessoria dele divulgou uma manifestação dizendo que não procede a notícia de que poderia entregar o cargo caso Pezzolano fosse demitido. Essa hipótese vinha sendo bastante comentada nos bastidores. Existia uma versão de que Fabinho Soldado e Abel eram contrários à saída do treinador e que, se Barcellos decidisse demitir Pezzolano, poderia acontecer um efeito dominó: Fabinho ficaria contrariado e Abel poderia sair em solidariedade. Pois a posição oficial do estafe de Abel é que isso não foi cogitado. Ele não pretende deixar o Inter nesse cenário.
- Isso muda um pouco o tabuleiro. Porque se o Inter perder para a Chapecoense e a direção entender que não existe mais jeito de manter Pezzolano, a possibilidade de trocar o treinador não significa necessariamente perder Abel Braga junto. O clube pode fazer a mudança e manter Abel na estrutura. Fabinho Soldado é outra discussão, até porque também existe pressão sobre o trabalho dele, mas pelo menos essa ideia de que a saída de Pezzolano automaticamente levaria Abel embora perde força.
- Por enquanto, nada disso aconteceu. Pezzolano continua treinando o time, os jogadores seguem no CT e as organizadas prometeram baixar a temperatura até sábado. Não significa que a insatisfação acabou. Muito pelo contrário. Ela foi colocada diretamente na cara dos jogadores, do treinador e dos dirigentes. Os nomes mais cobrados sabem exatamente o que a torcida pensa, Pezzolano sabe que está no limite e a direção também sabe que uma derrota para a Chapecoense pode fazer tudo explodir novamente.
- Então a situação é mais ou menos essa: protesto feito, conversa realizada e trégua estabelecida. Agora não tem muito mais o que falar. É deixar os caras trabalharem e esperar a bola rolar. Porque se o Inter vencer, Pezzolano pode ganhar uma sobrevida e o ambiente respira um pouco. Se não vencer a Chapecoense, aí essa trégua provavelmente acaba junto com a pouca paciência que ainda resta.
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