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A melhor notícia da vitória do Inter diante da Chape não veio neste sábado

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  • O Inter venceu a Chapecoense por 2 a 1 e, neste momento, qualquer vitória precisa ser valorizada. O Colorado chegou aos 28 pontos, mesma pontuação do Grêmio, e ganhou uma semana um pouco mais tranquila antes de enfrentar o São Paulo no Morumbi. Se vencer novamente, passa a ter uma possibilidade muito real de finalmente sair da zona de rebaixamento. O problema é que ainda depende de resultados paralelos, principalmente porque tem um jogo a mais do que boa parte dos clubes que estão nessa zona da confusão. Então é importante comemorar, mas sem perder a noção do tamanho do buraco: mesmo vencendo a Chapecoense dentro do Beira-Rio, o Inter continua no Z4.
  • E também não dá para dizer que foi uma atuação maravilhosa. Não foi. O Inter venceu fazendo basicamente aquilo que hoje consegue fazer melhor: entregou a bola para o adversário, protegeu bastante a defesa, tentou atacar em velocidade e aproveitou os erros da Chapecoense. Foi um jogo muito com a cara de Paulo Pezzolano. Linha de cinco atrás, Villagra e Bruno Henrique mais protegendo o meio, Paulinho atuando pela direita mas entrando bastante por dentro, Carbonero aberto pelo outro lado e Alan Patrick praticamente como um falso 9. Se eu tivesse que colocar num desenho, seria algo próximo de um 5-2-3, só que sem um centroavante de referência.
  • Pezzolano continua mexendo bastante. Essa é uma característica dele e provavelmente não vai mudar agora. Em determinado momento do segundo tempo, o Inter tinha João Victor, jogador da base, na lateral direita, Vitinho na lateral esquerda, Bernabei adiantado para a ponta e Carbonero mudando de lado. Esse é o estilo do treinador. Cada jogo tem uma escalação, cada momento apresenta uma formação diferente. Só que agora o mais importante não é encontrar o futebol mais bonito do campeonato. É fazer o básico bem feito. Protege a área, coloca gente no meio, fecha os espaços e tenta arrancar os pontos necessários para sobreviver na Série A.
  • Até porque a tentativa de encontrar um centroavante já virou outro problema. Sanabria foi contratado depois que o Inter não conseguiu fechar com Alex Arce e não encontrou uma opção melhor antes do transfer ban. Chegou com um contrato longo e um pacote pesado para a realidade financeira colorada. Pouco tempo depois, já está no banco. Contra a Chapecoense entrou apenas nos acréscimos, muito mais para segurar a bola, matar tempo e ajudar a acabar com o jogo do que para ser efetivamente uma solução ofensiva. É difícil. Mas neste momento talvez seja exatamente isso: se não tem um grande centroavante disponível, joga sem ele e tenta ganhar de outra forma.
  • O primeiro gol mostra bem o que foi a partida. Não nasce de uma grande construção coletiva. É um lançamento longo, Carbonero domina e cruza para trás. Bruno Henrique chega e dá uma pancada no meio do gol. Uma pancada tão forte que vira o 1 a 0. E aí tudo bem. Não teve posse de bola dominante, não teve uma sequência de 15 passes, não teve uma jogada ensaiada brilhante. Teve gol. Na situação do Inter, serve. O problema é que depois veio o empate numa falha de Mercado. O cruzamento saiu pela direita e ele perdeu o tempo da bola. Mercado não é um zagueiro gigante, mas cabeceio é muito mais posicionamento, impulsão e tempo do que simplesmente altura. Naquele lance ele errou.
  • E vale deixar claro: isso não transforma Mercado em vilão. Pelo contrário. Desde que chegou ao Inter, é provavelmente uma das contratações que mais deram resposta e segue sendo o melhor zagueiro disponível no elenco. Só que falhou naquele lance e a Chapecoense empatou. O jogo poderia começar a virar mais um drama colorado. Só que desta vez o erro decisivo veio do outro lado. O goleiro da Chapecoense errou uma saída de bola, Carbonero ficou com ela, teve mérito para driblar e completar para o gol. Fez o 2 a 1 e decidiu a partida.
  • Carbonero, aliás, acaba sendo um dos grandes nomes justamente porque participa diretamente dos dois gols. Matheus Cunha também teve uma participação importante na vitória. No segundo tempo, a Chapecoense conseguiu uma finalização praticamente da marca do pênalti e ele fez uma defesa enorme. Num time que vem convivendo com erros individuais, desta vez foi o goleiro adversário quem entregou a principal oportunidade e o goleiro colorado quem conseguiu salvar quando precisou.
  • O futebol, porém, continua longe de convencer. O Inter segue parecendo uma orquestra completamente dessincronizada. Tem escanteio curto em que ninguém entende direito a continuação da jogada, jogador se movimentando para um lado, bola indo para outro, dificuldade enorme para criar de maneira trabalhada. Não existe um time entrosado. Existe um time desesperado tentando encontrar um caminho para chegar aos pontos necessários. E talvez seja isso que precise ser aceito nesta reta final. Esquece futebol bonito. Precisa sobreviver.
  • Também é obrigatório colocar o adversário na conta. A Chapecoense está na parte mais baixa da tabela e, mesmo vivendo uma recuperação, tem até aqui um dos piores desempenhos do campeonato. Então vencer era obrigação. Esse mesmo futebol talvez não seja suficiente para enfrentar o São Paulo no Morumbi. Só que o Inter não pode escolher muito. Se arrancar um empate fora, já coloca mais um grãozinho nessa caminhada para tentar chegar aos 45 pontos. Se vencer, pode finalmente começar a sair do Z4, dependendo dos outros resultados.
  • A vitória por 2 a 1 não resolveu a vida colorada. Nem perto disso. Mas pode ser o início de alguma coisa. Pezzolano continua mudando demais, o time ainda apresenta pouquíssimo jogo coletivo e o Inter segue dentro da zona de rebaixamento. Só que, desta vez, fez o que precisava fazer: protegeu-se, jogou no erro da Chapecoense e ganhou. Nesse momento da temporada, talvez não precise ser muito mais complicado do que isso.
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