Inter
As sugestões que o presidente está recebento após consultar Coudet no Inter
- O Internacional vive um daqueles momentos em que tudo acontece ao mesmo tempo. Teve protesto na porta do CT Parque Gigante, teve torcedor bloqueando a saída dos carros, teve Brigada Militar precisando intervir, teve presidente consultando possíveis candidatos à presidência e, no meio disso tudo, Paulo Pezzolano segue como treinador porque o clube ainda não encontrou quem colocar no lugar. É basicamente esse o cenário colorado neste momento: todo mundo sabe que alguma coisa precisa mudar, mas ninguém sabe exatamente qual vai ser a mudança.
- Cerca de 30 torcedores ligados às principais organizadas do Inter foram até a frente do CT para protestar. Num primeiro momento, bloquearam a saída dos carros e não deixavam ninguém passar. A Brigada Militar apareceu, conversou com o grupo e estabeleceu um limite bem claro: protestar, gritar e fazer palavra de ordem, tudo bem; encostar em carro, bloquear passagem, jogar alguma coisa ou passar desse ponto, não. Pelo que foi possível acompanhar, houve um acordo e o protesto continuou sem passar disso. Os jogadores inclusive atrasaram a saída e, já perto de 13h30, começaram a deixar o CT em fila. Ninguém parou para conversar com os torcedores. O último a sair foi Abel Braga. Então não teve reunião com organizada, não teve conversa com jogador, mas ficou escancarada a insatisfação.
- E enquanto isso acontece do lado de fora, dentro do clube a direção segue procurando uma saída para o futebol. A informação que já tínhamos é de que Alessandro Barcellos entrou em contato com Eduardo Coudet para saber se ele aceitaria assumir o Inter neste final de temporada. A consulta teria sido informal, por telefone, sem proposta contratual formalizada. Coudet não aceitou. E apareceu um detalhe interessante: segundo a apuração do Leonardo Meneghetti, o treinador chegou a conversar com uma pessoa de sua confiança em Porto Alegre para entender como estava a situação do clube. Ou seja, ele pelo menos quis saber o tamanho da barca antes de decidir. E a resposta acabou sendo não.
- O Inter oficialmente nega esse contato. A assessoria de imprensa começou a procurar jornalistas para dizer que Barcellos não ligou e não mandou mensagem para Coudet, reforçando que o técnico do clube continua sendo Pezzolano. Só que aqui existe uma leitura possível. A notícia começou a circular bem antes desse desmentido. E se o clube tentou, recebeu uma negativa e depois percebeu que Pezzolano continuaria trabalhando normalmente no CT, faria sentido tentar fechar esse flanco. Porque imagina a situação: o treinador pega o celular, abre a internet e lê que o presidente já procurou seu substituto. Não é exatamente a melhor forma de preparar um time que precisa desesperadamente vencer.
- De qualquer maneira, uma coisa parece cada vez mais clara: dentro do Inter existe uma avaliação de que o trabalho de Pezzolano bateu no teto. A direção já olha o mercado desde a derrota no Gre-Nal e procura alternativas. O problema é que não quer fazer a demissão e depois ficar uma ou duas semanas sem treinador. Faltam 12 jogos. Duas partidas com um interino neste momento podem significar seis pontos jogados fora numa luta contra o rebaixamento. Então a lógica é: encontra o nome, acerta com esse nome e aí troca. Enquanto isso não acontece, Pezzolano vai ficando.
- E o próprio Barcellos começou a procurar ajuda. O presidente entrou em contato com figuras que podem disputar a próxima eleição do Inter, entre elas nomes como Roberto Melo, José Amarante e Leonardo Aquino, para ouvir opiniões sobre o que fariam neste momento. A conversa passa por tudo: demite Pezzolano ou não? Se demitir, quem contratar? Vale buscar um treinador somente por 12 partidas ou já fazer um contrato de um ano e meio pensando em quem vai assumir o clube no próximo mandato? Essa última hipótese faz sentido principalmente porque uma das dificuldades para trazer um treinador é justamente oferecer um projeto de pouquíssimos jogos.
- O problema é que não existe consenso. São pessoas diferentes, com ideias diferentes sobre futebol e sobre aquilo que deveria ser feito agora. Nem mesmo sobre Fabinho Soldado existe uma opinião única. Há quem entenda que ele também deveria sair e há quem defenda sua permanência. Minha impressão é que o Inter não vai desmontar tudo de uma vez. Se trocar Pezzolano, a tendência é preservar Fabinho pelo menos neste primeiro momento e avaliar o restante mais adiante.
- Uma das sugestões feitas a Barcellos nessas conversas foi colocar um vice-presidente de futebol mais presente. Não necessariamente porque esse novo dirigente chegaria revolucionando o vestiário, mas porque hoje o clube perdeu comunicação com o torcedor. Alessandro Barcellos vai para uma entrevista e não consegue mais mobilizar. Fabinho também perdeu aderência. O torcedor escuta e parece que não compra mais o discurso. Então surgiu essa ideia de colocar uma figura nova, alguém que consiga se comunicar e, pelo menos, tentar juntar alguma coisa faltando 12 partidas para terminar a temporada.
- Sobre treinador, vários nomes circulam no Beira-Rio, mas é importante separar “ser falado” de “estar negociando”. Lisca foi comentado. Argel também. Thiago Carpini foi avaliado. Eduardo Coudet efetivamente entrou nessa história, embora o clube negue o contato. Zubeldía, segundo as informações, está descartado. E ainda aparecem diferenças curiosas entre os próprios treinadores: Lisca não teria interesse em assumir novamente o Inter neste cenário, enquanto Argel toparia e acredita que conseguiria dar conta da missão.
- Então hoje é isso. Protesto no Parque Gigante, torcida completamente de saco cheio, presidente ouvindo possíveis sucessores, direção procurando treinador e Pezzolano ainda trabalhando porque não apareceu um substituto considerado certo. É aquela situação em que tudo pode acontecer.
- Inclusive nada.
- Pezzolano pode seguir, ganhar da Chapecoense e comprar mais alguns dias de vida. Pode aparecer um treinador nas próximas horas e ele cair. O que parece cada vez mais difícil é acreditar que exista convicção real no atual trabalho. Se o Inter já está olhando o mercado e discutindo nomes, é porque a pergunta deixou de ser apenas “Pezzolano fica?”. A pergunta agora é: quem aceita pegar esse Inter com 12 jogos pela frente e a Série B batendo na porta?
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