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Olha a loucura que virou uma reunião do Internacional

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  • O Internacional está tentando encontrar alguma saída para o atoleiro em que se meteu no Campeonato Brasileiro. E agora apareceram mais detalhes daquela conversa de Alessandro Barcellos com possíveis candidatos à presidência do clube. Na verdade, não foram apenas telefonemas. Houve uma reunião presencial, fora do Beira-Rio, com pelo menos dez pessoas, entre elas Roberto Melo, José Amarante e Leonardo Aquino, três nomes colocados como pré-candidatos para comandar o Inter no próximo mandato. A proposta oficial era de “pacificação”. Basicamente: gente, a situação está feia, o clube corre risco de cair e talvez não seja a hora de todo mundo sair para rádio e rede social se atacando enquanto o Internacional está pegando fogo.
  • Barcellos apresentou parte da situação do clube, falou sobre dificuldades financeiras, sobre uma dívida que já gira na casa de R$ 1 bilhão e sobre alguns dos problemas que o próximo presidente herdará. Só que a informação mais interessante é que ele foi muito mais para ouvir do que para falar. Queria entender o que essas pessoas fariam agora e, principalmente, evitar tomar uma decisão que amarre completamente quem assumir o Inter no ano que vem. E obviamente o assunto principal virou futebol. Nesse ponto existe quase uma unanimidade: todo mundo entende que o trabalho de Paulo Pezzolano bateu no teto. A diferença está no momento da demissão.
  • Uma parte das pessoas que estavam na reunião, principalmente gente que já passou por cargos importantes dentro do clube, defendeu o seguinte: só demite Pezzolano quando tiver outro treinador acertado. E isso tem uma lógica. Faltam 12 jogos. Tu manda o treinador embora, passa uma ou duas semanas procurando substituto, coloca interino e pode entregar quatro, seis pontos preciosíssimos numa luta contra o rebaixamento. Outra parte foi mais radical: “Não, deu. Liga para o Pezzolano, agradece pelo trabalho e encerra agora. Depois vê o que faz”. Então ninguém está exatamente defendendo que o trabalho está bom. A discussão é se ele cai agora ou se o Inter espera ter o substituto na mão.
  • É por isso também que o mercado está sendo sondado. Eduardo Coudet já foi consultado pelo próprio Barcellos e não quis assumir um trabalho de apenas 12 partidas. Thiago Carpini também apareceu como um treinador sondado. Lisca foi muito citado nas discussões porque existe aquela ideia quase automática no futebol gaúcho: se é uma situação desesperadora para salvar um time, pega o telefone e liga para o Lisca. Ele já viveu situações assim, conhece o clube e sabe trabalhar num cenário de pressão. Isso não significa que exista negociação encaminhada. São nomes discutidos enquanto o Inter tenta descobrir quem toparia pegar esse rojão.
  • E apareceu ainda uma discussão que pode transformar uma simples troca de treinador numa mudança muito maior no departamento de futebol. Existe um entendimento de que o Inter precisa de um vice-presidente de futebol mais presente, principalmente para falar com o torcedor. Hoje Barcellos não consegue mais mobilizar. Fabinho Soldado também perdeu muita aderência. O torcedor ouve entrevistas e já não compra mais o discurso. Por isso, o nome de Roberto Siegmann foi citado como uma figura de fala forte, firme e que poderia assumir emergencialmente uma função política no futebol até o final da temporada. Não houve consenso sobre isso, mas a ideia foi colocada na mesa.
  • O problema é que mexer em Pezzolano pode criar um efeito dominó. Há pessoas dentro desse processo que entendem que Barcellos já gostaria da troca, enquanto Fabinho Soldado e Abel Braga seriam mais resistentes. E aí vem aquela conta: se Pezzolano for demitido contra a opinião de Fabinho, será que Fabinho continua? Se Fabinho sair, Abel fica? Há quem ache que Abel também poderia deixar o clube nesse cenário. E tem gente defendendo exatamente o contrário: tira Pezzolano, tira Fabinho, tira Abel e coloca um vice-presidente de futebol forte para tocar o departamento à moda antiga até o final do ano.
  • Olha o tamanho da confusão. A reunião era para “pacificar” o Internacional e terminou discutindo treinador, executivo, coordenador, vice-presidente de futebol e até quem vai assumir o clube daqui a alguns meses. E para completar, ainda teve discussão entre os próprios pré-candidatos. Leonardo Aquino e Roberto Melo trocaram farpas justamente quando começaram a falar em pacificação. O tom subiu, um cobrou o outro e virou aquela situação quase irônica: a reunião para pacificar teve briga entre pessoas da própria oposição. O Inter realmente não é para amadores.
  • Então o cenário hoje é esse. Barcellos está ouvindo gente de todos os lados porque sabe que alguma coisa precisa acontecer. Existe uma avaliação muito forte de que Pezzolano já não consegue tirar mais deste time. A dúvida é quem colocar no lugar e quando fazer a troca. Carpini aparece, Lisca é discutido, Coudet já foi consultado e recusou. Também existe a possibilidade de mexer em outras peças do departamento e colocar um novo dirigente político no futebol.
  • Enquanto todo mundo discute, Paulo Pezzolano continua no CT treinando normalmente e segue como técnico do Internacional. Por quanto tempo? Aí ninguém consegue responder. Pode durar alguns dias, pode aparecer um substituto e acabar rapidamente, ou o Inter pode simplesmente não encontrar ninguém e continuar com ele. O que parece cada vez mais claro é que a permanência já não acontece por grande convicção no trabalho. Acontece porque, neste momento, o clube ainda não conseguiu encontrar uma saída melhor.
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