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Estes são os motivos que fizeram o Inter contratar Eduardo Baptista

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  • Eduardo Baptista já é o novo técnico do Internacional e agora começam a aparecer os bastidores que ajudam a entender por que a direção colorada escolheu justamente ele para substituir Paulo Pezzolano. Até aqui nenhum dirigente veio a público explicar a demissão do uruguaio ou detalhar os motivos da contratação, mas internamente o Inter trabalha com algumas justificativas bem claras. A primeira é que o clube não queria um treinador com contrato longo. A ideia sempre foi trazer alguém até o final de 2026, com uma missão específica: faca nos dentes para os 10 jogos restantes, tirar o Inter da zona de rebaixamento e depois discutir o futuro.
  • Isso, inclusive, foi uma das dificuldades com Luis Zubeldía. O argentino queria um vínculo mais longo, pelo menos até o final de 2027, e a direção não pretendia deixar esse tipo de compromisso para a próxima gestão. Eduardo Baptista aceitou o contrato curto. E outra informação importante dos bastidores é que o nome não foi apenas uma escolha de Fabinho Soldado. Abel Braga também defendia a contratação. Evidentemente, quando aparece o nome do Abel junto, existe um peso diferente para o torcedor, mas a versão interna é de que ele realmente participou da escolha.
  • Também existe uma versão passada pela direção de que Eduardo Baptista já era o escolhido desde domingo. Segundo esse relato, ele teria pedido para disputar a última partida pelo Criciúma antes de deixar o clube. O jogo estava marcado inicialmente para segunda-feira, acabou adiado por causa do temporal para terça e isso teria atrasado todo o anúncio. É uma versão que coloca a direção numa situação bem melhor, porque dá a entender que Pezzolano foi demitido e imediatamente já havia um substituto encaminhado. Só que durante esse período apareceram contatos com Jair Ventura, Zubeldía e outros nomes, então essa cronologia naturalmente gera discussão. O fato é que Eduardo está aqui e agora precisamos entender por que o Inter acredita que ele pode dar certo.
  • A principal justificativa da direção é o início dos trabalhos. O Inter analisou recortes recentes de Eduardo Baptista e entendeu que ele costuma organizar rapidamente suas equipes. No Novorizontino, por exemplo, foi observado um começo de trabalho com aproveitamento superior a 70% nos primeiros 10 jogos. No Criciúma, os dois primeiros jogos foram mais complicados, mas depois o time engrenou e teve uma arrancada forte. A direção olha justamente para esse período curto e pensa: “É disso que precisamos”. Não existe tempo para construir alguma coisa em seis meses. São 10 rodadas.
  • Só que existe uma contradição interessante. O próprio Eduardo Baptista já falou em entrevista ao GE que não se considera um treinador “bombeiro”. Pelo contrário. Já disse que rende melhor quando recebe tempo para trabalhar e que parte do sucesso no Criciúma aconteceu justamente porque teve continuidade. Agora ele chega ao Inter exatamente para ser bombeiro. São 10 partidas, um clube no Z4 e uma pressão gigantesca para dar resultado imediatamente. É uma aposta.
  • Taticamente, o Inter também enxerga facilidade de adaptação porque Eduardo trabalha com conceitos muito parecidos com os que Pezzolano já tentava aplicar. No Criciúma, utilizava uma estrutura com três zagueiros, às vezes com um lateral compondo essa última linha, dois meio-campistas de ida e volta, alas dando amplitude, jogadores de lado infiltrando por dentro e um centroavante. Se a gente colocar no papel, é muito parecido com aquilo que o Internacional vinha fazendo.
  • E aí a pergunta aparece naturalmente: se não estava funcionando com Pezzolano, por que contratar alguém que joga de forma parecida?
  • A resposta interna é de que Eduardo faria algumas coisas de maneira diferente. O Inter avalia que ele é mais direto. Não tem problema em usar a bola longa, acelerar jogadas e simplificar quando necessário. Outro ponto bastante citado é a bola parada, considerada uma virtude dos seus trabalhos. A ideia seria manter uma estrutura que os jogadores já conhecem, sem perder uma Data Fifa inteira ensinando algo completamente novo, mas melhorar a objetividade, a bola parada e principalmente o sistema defensivo.
  • Esse é o pensamento colorado. Agora vem o outro lado.
  • Conversando com gente da imprensa de Criciúma, a avaliação é de que o trabalho de Eduardo Baptista teve méritos. Afinal, o Criciúma chegou a liderar a Série B. Só que a queda de rendimento recente trouxe críticas bastante parecidas com algumas feitas a Pezzolano no Internacional: falta de variação tática, previsibilidade e pouca ousadia quando o plano inicial não funciona.
  • Uma das reclamações é que Eduardo dificilmente abandona o sistema com três zagueiros. Mesmo quando o jogo pede outra coisa, insiste na estrutura. E as substituições também eram consideradas muito previsíveis: ponta por ponta, lateral por lateral, centroavante por centroavante. Faltaria justamente aquele movimento de mudar o desenho, colocar mais um atacante, arriscar alguma coisa diferente quando o jogo começa a escapar.
  • E aí, sim, acende um sinal de alerta. Porque uma das críticas mais fortes feitas a Pezzolano recentemente era exatamente essa. Quando precisava ser diferente, acabava fazendo o óbvio. Se Eduardo vier com a mesma rigidez e as mesmas dificuldades para encontrar um plano B, o Inter pode ter trocado o treinador sem mudar exatamente o problema.
  • Também existe uma questão de personalidade. Pessoas que acompanharam Eduardo em Criciúma relatam que ele pode ficar bastante irritado em entrevistas quando é muito questionado. E aí entra outro fator: a pressão em Porto Alegre é diferente. O nível de cobrança da imprensa, da torcida e do ambiente colorado neste momento é gigantesco. Ele chega com o clube no Z4, depois de ser a sexta alternativa da direção e com apenas 10 jogos para salvar o ano.
  • Então este é o cenário. O Inter acredita que Eduardo Baptista monta times rapidamente, conhece um modelo parecido com o que o elenco já vinha utilizando, tem um jogo mais direto e pode melhorar a bola parada. Abel Braga e Fabinho Soldado participaram da escolha e o contrato curto encaixa exatamente na ideia da direção.
  • Mas também existem dúvidas importantes. O próprio treinador já disse que não gosta do papel de bombeiro, vinha sendo criticado pela falta de variação no Criciúma e trabalha com um sistema muito semelhante ao de Pezzolano.
  • Agora não adianta mais discutir lista, primeira opção ou sexta opção. Eduardo Baptista é o técnico.
  • E ele tem 10 jogos para mostrar se consegue fazer em Porto Alegre aquilo que o Inter acredita que ele faz melhor: acertar um time rápido.
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