Inter
Abel entrega pedidos dos técnicos e conta principal virtude do Eduardo Baptista
- Abel Braga falou bastante sobre a chegada de Eduardo Baptista ao Internacional e deixou algumas coisas bem claras. A primeira é que, internamente, ninguém trabalha com a possibilidade de rebaixamento. Segundo Abel, isso simplesmente não passa pela cabeça das pessoas no clube. E ele já percebeu uma mudança de ambiente com a chegada do novo treinador. Disse que a expressão dos jogadores foi muito boa, que Eduardo trouxe uma energia diferente para o vestiário e que agora o Inter precisa se agarrar a isso para tentar sair da situação em que está.
- Abel também falou sobre Paulo Pezzolano. Continua considerando o uruguaio um bom treinador, embora reconheça que ele tenha cometido alguns erros estratégicos nos últimos jogos. Para Abel, isso faz parte do futebol. Só que a repercussão da contratação de Eduardo Baptista naturalmente entrou na conversa. Diori Vasconcelos chegou a citar que o anúncio do treinador tinha mais de 27 mil comentários nas redes sociais e que boa parte deles era negativa. Abel respondeu que isso não o surpreende mais. Na visão dele, qualquer treinador que chegasse agora ao Inter enfrentaria rejeição.
- E aí Abel explicou uma dificuldade importante que a direção encontrou no mercado. O Inter está num ano eleitoral, com troca de gestão se aproximando, e não queria comprometer o próximo presidente com um contrato longo. Só que, segundo ele, praticamente todos os treinadores hoje querem vínculo de um ano e meio e multa rescisória. Abel até lembrou da própria carreira para dizer que nunca trabalhou dessa maneira. Contou que fez contratos sem multa, pediu demissão no Flamengo, pediu demissão na Suíça e sempre tratou essas questões de outra forma.
- Foi nesse ponto que elogiou bastante Eduardo Baptista. Disse que o novo treinador não ficou discutindo salário, não ficou exigindo contrato longo e aceitou ser parceiro do Inter neste momento. Para Abel, era exatamente disso que o clube precisava: alguém disposto a chegar, assumir o problema e trabalhar nesses 10 jogos sem transformar a negociação numa disputa contratual. Falou inclusive que quer estar cercado de amigos, de pessoas com boa energia, e pediu para que o torcedor também faça parte disso.
- Abel sabe que existe desconfiança. Tanto que ele próprio citou a sequência ruim recente de Eduardo no Criciúma. Mas também fez uma comparação: Luis Zubeldía, que era o preferido de muita gente, saiu do Fluminense depois de uma sequência ainda maior sem vencer. Então, na visão dele, não dá para resumir um treinador apenas pelo último recorte de resultados.
- E Abel foi ainda mais longe ao falar da estreia. Disse que espera 40 mil pessoas no Beira-Rio e que acredita em apoio. Quando foi perguntado sobre a possibilidade de vaia na apresentação de Eduardo Baptista pelo sistema de som do estádio, não gostou. Chamou a pergunta de inoportuna e chegou a dizer que ficou chateado. A expectativa dele é exatamente a contrária: aplauso. Abel acredita que o torcedor vai entender o momento, comprar a ideia e apoiar o novo treinador.
- Essa defesa de Eduardo Baptista não começou agora. Abel contou que já observava o trabalho dele há alguns anos. Disse que, quando estava no Vasco, assistiu a partidas do Novorizontino e comentou com Paulo Bracks sobre a organização daquele time. A impressão era de uma equipe com uma forma muito específica de jogar, algo que para Abel só aparece quando existe treinamento e dedo do treinador. É justamente essa organização que ele acredita que Eduardo pode levar agora para o Internacional.
- E existe ainda uma informação importante: Abel Braga foi, sim, consultado para assumir o Inter nestas últimas 10 rodadas. Ele não negou. A direção perguntou sobre essa possibilidade, mas a resposta não foi exatamente um “não quero”. Foi um “não sei se consigo”. Abel explicou que já passou por três ou quatro cirurgias relacionadas ao ciático, tem problemas nas costas e não consegue mais suportar uma rotina de viagens como técnico. O Inter ainda tem cinco jogos no Beira-Rio e outros cinco fora, o que tornaria tudo ainda mais difícil.
- Ele relembrou inclusive uma situação de 2022, quando D’Alessandro teria ligado perguntando se poderia ajudar o clube. Abel imaginou que seria alguma palestra, alguma conversa com jogadores, alguma contribuição pontual. Quando descobriu que o convite era para voltar como treinador, ficou surpreso. Pediu alguns minutos para pensar e acabou aceitando porque era o Inter. Só que, segundo ele, hoje não consegue mais fazer esse tipo de coisa.
- Então a situação foi essa: Abel foi consultado, mas não tinha condições de assumir. Outros treinadores também foram procurados, encontraram dificuldades contratuais ou não quiseram o projeto curto. Eduardo Baptista aceitou.
- E agora Abel Braga banca a escolha.
- A mensagem dele é simples: não adianta olhar para trás, não adianta discutir quem foi a primeira, segunda ou sexta opção. O Inter tem 10 jogos, está no Z4 e precisa de união. Eduardo Baptista chegou com respaldo interno e, pelo menos da parte de Abel, terá apoio total para tentar salvar o clube do rebaixamento.
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