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Grêmio

Esse recado é para a torcida do Grêmio!

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  • O Grêmio perdeu por 3 a 1 para o Flamengo no Maracanã, voltou para a zona de rebaixamento e, mesmo assim, eu começo dizendo: calma. Eu sei que tem muito torcedor revoltado, dizendo que a direção apequenou o clube, que foi mais uma vergonha e que não dava para entregar uma partida dessa maneira. Só que precisamos olhar para o cenário real. O Grêmio enfrentou o Flamengo. E, com o momento técnico e a diferença entre os elencos, provavelmente perderia essa partida com os reservas ou com os titulares. Então, diante de uma semifinal de Copa do Brasil logo pela frente, Renato tomou a decisão mais lógica: preservou boa parte do time.
  • Não podemos deixar as vitórias sobre Coritiba, Athletico-PR e Atlético-MG apagarem todos os problemas que esse Grêmio apresentou durante a temporada. Contra o Coritiba, inclusive, venceu no último minuto sem jogar bem. Depois melhorou muito, saiu do Z4 e conseguiu uma grande vantagem na Copa do Brasil, mas isso não transformou o elenco gremista em um time capaz de ir ao Maracanã e enfrentar de igual para igual um Flamengo com Arrascaeta, Carrascal, Samuel Lino, Pedro e toda a qualidade que tem. O bom momento melhorou o ambiente. Não resolveu magicamente as limitações.
  • E aqui entra aquela frase que Renato gosta de usar: quem muito quer, nada tem. O próprio Atlético-MG virou exemplo disso. O Galo vinha tentando disputar Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Sul-Americana com força máxima e acabou chegando fisicamente desgastado na Arena. Agora, no mesmo fim de semana em que o Grêmio poupou diante do Flamengo, o Atlético também utilizou reservas contra o Botafogo. Imagina se Renato coloca os principais jogadores no Maracanã, perde do mesmo jeito e chega com Noriega, Villasanti, Carlos Vinícius, Everton e companhia desgastados para decidir a classificação na Arena MRV enquanto o Atlético descansou seu time.
  • Não faria sentido. O Grêmio tinha que escolher. E escolheu a Copa do Brasil. Pode dar errado? Claro. Futebol permite que tudo dê errado. Mas, olhando a situação antes da partida, a estratégia fazia sentido. O time construiu 2 a 0 na ida da semifinal, pode chegar a uma final nacional e, nessa caminhada, ainda buscar uma vaga para a Libertadores. Depois disso, restam os jogos do Brasileiro para tentar garantir a permanência. É uma escolha de prioridade, não uma declaração de que o Campeonato Brasileiro deixou de importar.
  • A volta ao Z4 é ruim, evidentemente. Ninguém está comemorando isso. Só que a minha leitura é que o Grêmio provavelmente voltaria para a zona de qualquer maneira porque dificilmente pontuaria no Maracanã. A história que colocou o clube nessa situação começou muito antes desta partida: elenco mal montado, trabalho de Luís Castro que não funcionou como esperado, Renato chegando com o campeonato já avançado e uma direção que acumulou decisões ruins. Não dá para colocar todo esse peso numa escolha de poupar justamente contra o adversário mais forte do campeonato.
  • Sobre o jogo em si, não existe muita coisa para analisar. Renato começou com um time praticamente reserva, mantendo Noriega e Villasanti entre os poucos titulares, e o Flamengo dominou completamente o primeiro tempo. Com três minutos, Grando já precisava trabalhar. O Flamengo acumulou escanteios, chances e foi construindo naturalmente a vantagem. Teve erro individual, Marcos Rocha cabeceando para trás, Carrascal fazendo grande jogada para Pedro e um time gremista que simplesmente não conseguia competir naquele nível. O 3 a 0 no primeiro tempo refletiu o que aconteceu.
  • No intervalo, eu até esperava que Renato fizesse o contrário: tirasse Noriega e Villasanti e preservasse ainda mais pensando na Copa do Brasil. Só que ele colocou titulares, recuperou o sistema com três zagueiros e tentou diminuir o tamanho da pancada. Minha impressão é que ele olhou para aquele 3 a 0 e pensou que poderia virar cinco se não reorganizasse o time. Não estava tentando buscar uma virada impossível no Maracanã, mas evitar que a derrota se transformasse num desastre ainda maior.
  • Acontece que o Flamengo também tirou completamente o pé no segundo tempo. O jogo virou praticamente um treinamento. O Grêmio conseguiu diminuir com Amuzu numa cobrança de falta e o atacante ainda teve outras participações interessantes, mas o Flamengo já administrava a vantagem sem a mesma intensidade. Terminou 3 a 1, uma derrota natural dentro daquilo que se projetava para essa partida.
  • Por isso eu não transformaria esse jogo numa grande crise. Guarda essa derrota, aceita que aconteceu e muda imediatamente a chave. A cobrança pesada precisa acontecer no próximo compromisso. Ali, sim, não existe desculpa. O Grêmio construiu 2 a 0 contra o Atlético-MG, preservou jogadores justamente para chegar inteiro à Arena MRV e tem a obrigação de transformar essa vantagem em classificação para a final da Copa do Brasil.
  • Depois, volta todas as energias para o Campeonato Brasileiro. O Grêmio ainda terá quatro partidas e continua com uma situação perfeitamente reversível. Está novamente no Z4, a diferença é pequena e a tensão provavelmente vai acompanhar o clube até as últimas rodadas. Mas ainda depende de si em jogos fundamentais.
  • Então eu entendo a irritação de quem olha simplesmente para Flamengo 3, Grêmio 1 e vê o time novamente na zona de rebaixamento. Só não concordo que o erro tenha sido poupar. O erro seria gastar os titulares numa partida em que a chance de derrota já era enorme e chegar fisicamente comprometido justamente para o jogo que pode colocar o Grêmio numa final de Copa do Brasil.
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