Inter
Os caras estão trabalhando para rebaixar o Inter
- O Internacional perdeu por 3 a 2 para o Bahia e entrou de vez numa situação extremamente preocupante no Campeonato Brasileiro. O Colorado está na zona de rebaixamento e ainda tem um jogo a mais do que alguns dos principais concorrentes. Ou seja, já não dá mais para tratar o Z4 como um risco distante ou momentâneo. O Inter está afundado na parte de baixo da tabela e, desde a volta da Copa do Mundo, ainda não venceu uma partida pelo Brasileirão.
- Tudo isso acontece justamente na semana em que o clube decide uma vaga na semifinal da Copa do Brasil contra o Grêmio. E o cenário extracampo também não ajuda. O presidente Alessandro Barcellos sequer viajou para Salvador porque ficou em Porto Alegre tentando encontrar recursos para regularizar pagamentos atrasados com os jogadores. Então o Inter chega para uma das partidas mais importantes do ano pressionado esportivamente, financeiramente e também internamente.
- Contra o Bahia, Paulo Pezzolano preservou algumas peças e fez mudanças em relação ao time que iniciou o Grenal. A estrutura, porém, continuou parecida. O Inter novamente tentou se organizar com uma linha de cinco, Mateus Bahia fazendo função de zagueiro pelo lado e Bernabei retornando para a lateral esquerda. Sem a bola, a proposta era entregar mais posse ao adversário e tentar atacar em transições rápidas.
- O problema é que, quando o Inter precisa ter a bola, tudo fica mais difícil. No segundo tempo, por exemplo, o Colorado passou a controlar mais a posse, mas isso praticamente não significou crescimento ofensivo. É uma equipe que funciona melhor quando pode esperar o adversário, roubar a bola e acelerar em três ou quatro passes. Quando precisa construir com paciência, trocar passes e encontrar espaços contra uma defesa posicionada, as limitações aparecem de forma muito clara.
- Mesmo assim, o Inter abriu o placar. Alan Patrick, que foi o melhor jogador colorado na partida, apareceu pelo lado esquerdo e finalizou para fazer 1 a 0. Foi uma jogada importante, mas que não significava necessariamente domínio do jogo. O Bahia conseguiu empatar pouco depois em uma nova falha defensiva do Inter, que voltou a permitir cruzamento e não conseguiu proteger corretamente a área.
- A partir daí veio o grande apagão colorado. O Inter tentou adiantar a marcação e pressionar o Bahia ainda no campo ofensivo, uma estratégia que Pezzolano já utilizou em outros momentos. A lógica existe: se o time tem dificuldade para construir desde trás, roubar a bola perto do gol adversário permite atacar em poucos toques. O problema é que subir as linhas também oferece espaço nas costas. E, com jogadores tecnicamente limitados e erros individuais acontecendo, a estratégia virou um desastre.
- O Bahia aproveitou os espaços e abriu 3 a 1 ainda no primeiro tempo. Aguirre voltou a falhar defensivamente e Mateus Cunha também teve participação ruim em um dos gols, espalmando uma finalização para uma zona perigosa e oferecendo o rebote ao adversário. O Inter chegou ao intervalo completamente desmontado depois de ter começado a partida vencendo.
- Na segunda etapa, houve reação. Alan Patrick novamente apareceu como principal referência e deu a assistência para Vitinho diminuir para 3 a 2. O Inter passou a jogar mais no campo do Bahia e até criou situações para empatar. Logo depois do segundo gol, Thiago Maia roubou uma bola e deixou Vitinho em condição clara dentro da área, mas o atacante desperdiçou. Já nos acréscimos, Juninho recebeu praticamente na pequena área e finalizou de maneira completamente errada, mandando a bola para a lateral.
- São lances que ajudam a resumir um dos grandes problemas do Inter. O time cria pouco, mas mesmo quando cria não consegue aproveitar. Não é uma equipe que vai produzir dez grandes chances por jogo. Justamente por isso, precisa ser muito mais eficiente nas poucas oportunidades que aparecem. Vitinho poderia ter empatado. Juninho também teve uma chance enorme. Num cenário ideal, o Inter poderia até ter encontrado uma virada completamente improvável.
- Mas isso não tornaria a atuação boa. O Bahia também teve oportunidades e foi superior durante boa parte da partida. O 3 a 2 não foi uma injustiça. O problema é que, mesmo em um jogo ruim, o Inter ainda encontra chances para mudar o resultado e não consegue aproveitar. Falta qualidade individual para transformar esses momentos em gols.
- Alan Patrick foi a grande exceção. Terminou com gol e assistência e novamente mostrou que é o jogador que consegue entregar alguma coisa diferente tecnicamente. Thiago Maia também fez uma partida razoável e participou bem de algumas construções. Fora isso, o nível caiu bastante.
- E aqui já não dá para colocar toda a responsabilidade apenas nos jogadores. Paulo Pezzolano também precisa entrar diretamente na discussão. Durante algum tempo foi possível defender o trabalho pelo fato de o treinador ter encontrado uma forma minimamente organizada de fazer um elenco limitado competir. Só que resultado também importa. Se o Inter está no Z4, tem um jogo a mais do que seus concorrentes e não venceu nenhuma partida do Brasileirão desde a volta da Copa do Mundo, o treinador necessariamente tem responsabilidade.
- Pezzolano não está fazendo um bom trabalho neste recorte. Pode ter boas ideias, pode ter encontrado uma estrutura defensiva mais coerente e pode sofrer com um elenco cheio de limitações, mas o Internacional continua perdendo pontos e se aproximando cada vez mais de um cenário muito perigoso. Futebol profissional não permite uma sequência tão longa sem vitórias sem que o comando técnico seja questionado.
- O Inter está trabalhando para cair. Essa talvez seja a frase mais dura, mas também a que melhor explica o momento. O clube está no Z4, tem menos margem do que os concorrentes, enfrenta problemas financeiros, convive com atrasos internos e ainda precisa decidir sua sobrevivência na Copa do Brasil contra o Grêmio.
- A derrota para o Bahia não pode ser tratada como apenas mais um resultado ruim. É mais um sinal de que o Internacional está entrando numa areia movediça da qual fica cada vez mais difícil sair. E, se antes Pezzolano ainda podia ser visto como parte da solução, hoje ele também precisa ser colocado claramente entre os responsáveis por esse cenário.
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