Inter
O motivo para o presidente não estar com a delegação e a obrigação que recaiu sobre os jogadores do Inter
- O Internacional vive uma semana em que o problema financeiro e a situação dentro de campo estão completamente conectados. Alessandro Barcellos não acompanhou presencialmente a derrota para o Bahia na Fonte Nova porque permaneceu em Porto Alegre participando de reuniões para tentar levantar dinheiro e regularizar pagamentos atrasados com os jogadores. Ao mesmo tempo, Fabinho Soldado garante que o problema financeiro não afetou a entrega do elenco, enquanto Paulo Pezzolano já trata os próximos dois compromissos como obrigações: eliminar o Grêmio na Copa do Brasil e depois vencer o Santos pelo Campeonato Brasileiro.
- A ausência de Barcellos em Salvador chamou atenção, mas existe uma explicação bastante objetiva. O presidente ficou em Porto Alegre buscando alternativas para melhorar o fluxo de caixa. O Inter tem valores atrasados com o elenco, principalmente relacionados a direitos de imagem, além de outras pendências que foram acumuladas. Existem versões diferentes sobre a quantidade exata, mas o cenário mais citado aponta para algo próximo de dois meses e meio de compromissos em aberto, além de outras parcelas relacionadas a férias e 13º de períodos anteriores.
- Depois do episódio antes do Gre-Nal, quando os jogadores decidiram não realizar a concentração planejada justamente por causa desses atrasos, a prioridade financeira mudou. O Inter já sofreu um transfer ban pela dívida envolvendo Juninho e sabe que novas punições podem aparecer por outros compromissos. Mesmo assim, a direção decidiu que o pouco dinheiro disponível será utilizado primeiro para colocar o elenco em dia.
- Foi exatamente por isso que Barcellos permaneceu em Porto Alegre. A missão é encontrar recursos, seja através de receitas comerciais, antecipações, novas operações financeiras ou qualquer outra alternativa disponível, para diminuir o problema interno. O clube entende que antes de resolver dívidas com quem está fora, precisa recuperar tranquilidade com jogadores e funcionários que estão diariamente no Beira-Rio.
- Apesar de todo esse cenário, Fabinho Soldado fez questão de afastar a ideia de que os salários atrasados estejam causando falta de empenho dentro de campo. O executivo confirmou que existem pendências, mas afirmou que esse assunto está sendo conduzido diretamente pelo presidente. Segundo ele, tanto o departamento de futebol quanto Abel Braga acompanham o ambiente do vestiário e não identificam falta de comprometimento.
- Essa é também uma defesa que Barcellos já havia feito depois do Gre-Nal. A direção entende que, mesmo diante dos atrasos, os jogadores continuam correndo e demonstrando disposição. E olhando as partidas, realmente é difícil colocar o principal problema do Inter na falta de vontade. Muitas vezes falta qualidade, sobra erro técnico e algumas escolhas de Pezzolano não funcionam, mas não parece existir um time simplesmente largado dentro de campo.
- Até o episódio da concentração mostra uma diferença importante. O elenco decidiu pressionar a direção e não dormir no hotel antes do clássico, mas isso não significou se recusar a jogar ou deixar de cumprir as obrigações esportivas. Gabriel Mercado foi uma das principais lideranças dessa posição e acabou sendo, inclusive, um dos melhores jogadores colorados no Gre-Nal. Portanto, dá para criticar a situação interna sem estabelecer automaticamente que ela provocou corpo mole dentro do campo.
- Já Paulo Pezzolano voltou a apontar outro problema: o Inter não consegue aproveitar as oportunidades que cria. Contra o Bahia isso ficou novamente muito claro. Depois de Vitinho diminuir para 3 a 2, o próprio atacante recebeu uma oportunidade praticamente cara a cara para empatar e desperdiçou. Nos minutos finais, Juninho também teve uma bola dentro da área e finalizou de maneira completamente errada. Para o treinador, essas oportunidades precisam começar a virar gol.
- O problema é que o Inter não cria em quantidade suficiente para poder desperdiçar tanto. É um time que normalmente depende de poucas chances por partida. Quando elas aparecem, precisam ser aproveitadas. Se o Colorado cria três ou quatro oportunidades realmente importantes e perde duas ou três delas, passa a depender de uma eficiência defensiva quase perfeita para conseguir resultado. E isso também não está acontecendo.
- Pezzolano, porém, não fugiu da responsabilidade pelo momento. Ele tratou a classificação contra o Grêmio como obrigação. O Inter vai para a Arena depois do 0 a 0 no Beira-Rio e precisa vencer para chegar à semifinal da Copa do Brasil. Só que, na avaliação do próprio treinador, existe uma obrigação ainda maior logo depois: derrotar o Santos no Beira-Rio e começar a sair da zona de rebaixamento.
- Essa fala é importante porque mostra que ninguém dentro do clube pode usar uma eventual classificação no Gre-Nal para esquecer o Campeonato Brasileiro. Eliminar o maior rival seria gigantesco e mudaria completamente o ambiente, mas o Inter continua dentro do Z4. Não adianta chegar à semifinal da Copa do Brasil, comemorar durante alguns dias e continuar perdendo pontos no campeonato.
- O treinador também elogiou Alan Patrick, que novamente foi um dos melhores jogadores do Inter contra o Bahia. O camisa 10 fez gol, deu assistência e segue sendo a principal referência técnica da equipe. Ainda assim, Pezzolano não antecipou qual será a formação utilizada na Arena e mantém aberta a possibilidade de novas mudanças.
- É assim que o Inter chega aos dias mais importantes da temporada. O presidente procura dinheiro para pagar o elenco, a direção tenta impedir que a crise financeira contamine o vestiário e o treinador precisa encontrar uma maneira de fazer o time voltar a vencer.
- O Gre-Nal é obrigação. Vencer o Santos também. E talvez essa seja a melhor definição do momento colorado: já não existe muito espaço para escolher qual problema resolver primeiro. O Inter precisa resolver vários ao mesmo tempo.
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