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As cláusulas do Mec que podem render dinheiro ao Grêmio e o plano de Felipão com um ou dois jovens da base

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  • A negociação de Gabriel Mec com o Porto está definida e o Grêmio conseguiu incluir mecanismos que podem aumentar o valor recebido no futuro. O negócio foi fechado por 10 milhões de euros no total, sendo que 8 milhões de euros pertencem ao Tricolor por conta dos 80% dos direitos econômicos que o clube possui. Na conversão atual, estamos falando de aproximadamente R$ 48 milhões entrando nos cofres gremistas, além de duas cláusulas que podem gerar novas receitas caso o jovem de 18 anos tenha sucesso no futebol europeu.
  • A primeira é uma cláusula de produtividade que pode render mais 1 milhão de euros ao Grêmio caso Gabriel Mec alcance determinadas metas no Porto. Os objetivos específicos ainda não foram divulgados, mas podem envolver número de partidas, participação em competições ou outros indicadores previstos no contrato. Portanto, além dos 8 milhões de euros garantidos pela venda, existe a possibilidade de o clube acrescentar aproximadamente outros R$ 6 milhões ao negócio.
  • A segunda cláusula talvez seja ainda mais interessante pensando no longo prazo. O Grêmio terá direito a 10% da mais-valia de Gabriel Mec em uma futura transferência. Isso significa que o percentual será calculado sobre aquilo que o jogador valorizar acima dos 10 milhões de euros pagos agora pelo Porto. Por exemplo: se futuramente Mec for negociado por 25 milhões de euros, a valorização será de 15 milhões. Nesse cenário, 10% representaria mais 1,5 milhão de euros para o Grêmio.
  • É uma maneira de o clube continuar participando financeiramente do futuro de um jogador que está saindo muito jovem. E isso faz bastante sentido principalmente porque o Porto historicamente funciona como uma porta de entrada para atletas que depois podem ser negociados por cifras muito maiores dentro da Europa. Se Gabriel Mec conseguir desenvolver todo o potencial que tem, existe a possibilidade real de o Grêmio voltar a ganhar dinheiro com ele.
  • O negócio também encerra uma discussão que começou a ficar delicada sobre a renovação contratual. Gabriel Mec tinha vínculo até setembro de 2027 e, a partir de março, poderia assinar um pré-contrato com outro clube. Existia o temor de que o Grêmio acabasse perdendo força na negociação e até surgiram comparações com outros casos históricos de jogadores que deixaram o clube em situações ruins. Mas os bastidores mostram que a história foi um pouco mais complexa.
  • Quando a atual direção assumiu, o empresário e a família de Mec procuraram o Grêmio para iniciar uma conversa de renovação. Naquele momento, o jogador ainda tinha pouquíssimos minutos no profissional e as partes chegaram a discutir alguns pontos. A direção, porém, preferiu esperar para observar mais o jovem em campo antes de avançar definitivamente.
  • O problema é que Gabriel Mec passou a jogar, teve boas atuações, especialmente durante o Campeonato Gaúcho, e naturalmente passou a chamar muito mais atenção do mercado europeu. Quando o Grêmio retomou a conversa para renovar, o cenário já era outro. Existia proposta do Shakhtar Donetsk e sondagens de outros clubes. O estafe entendeu que os valores discutidos inicialmente já não correspondiam ao novo momento do jogador e houve um distanciamento entre as partes.
  • Foi daí que surgiu a preocupação de que Mec pudesse não renovar. Pelo lado do jogador e de seus representantes, porém, a versão sempre foi de que não existia intenção de deixar o Grêmio sem compensação. Caso nenhuma venda acontecesse nesta janela, eles garantiam que voltariam à mesa para construir uma renovação e evitar uma saída sem retorno financeiro relevante ao clube.
  • No fim, essa discussão perdeu força porque apareceu uma solução interessante para todos. O Porto agradou ao jogador como destino, o Grêmio considerou os valores aceitáveis e o negócio foi fechado. Mec chega a Portugal muito jovem, com enorme possibilidade de desenvolvimento, enquanto o Tricolor recebe uma quantia importante num momento em que precisa reforçar o caixa e ainda preserva formas de lucrar novamente no futuro.
  • Luís Castro também já havia definido Gabriel Mec como um “talento puro” que ainda precisa ser lapidado. O jovem tem muita qualidade técnica, facilidade para jogar com os dois pés e uma capacidade de drible que o torna imprevisível, mas ainda estava aprendendo novas dinâmicas e maneiras de ser mais efetivo ofensivamente. É justamente esse processo de formação que agora continuará no Porto.
  • A saída de Mec também se conecta com uma declaração importante de Felipão sobre as categorias de base. Mesmo com duas vendas importantes de jovens nesta temporada, o Grêmio não pretende simplesmente subir novos garotos imediatamente para ocupar esses espaços. Segundo Scolari, já existe um número significativo de atletas jovens treinando e jogando com o elenco principal e colocar ainda mais meninos agora poderia atrapalhar o próprio processo de formação.
  • A ideia é esperar pelo menos até a virada do ano. Nesse momento, Felipão entende que um ou dois novos jogadores podem ser promovidos, mas nada muito além disso. O objetivo é evitar um elenco principal excessivamente formado por jovens que ainda estão aprendendo o que significa disputar um Campeonato Brasileiro e enfrentar a pressão diária de um clube do tamanho do Grêmio.
  • Felipão mantém a ideia de que jogadores de 17 ou 18 anos raramente chegam prontos ao profissional. Na maioria dos casos, é necessário passar uma ou duas temporadas treinando, ganhando experiência e desenvolvendo maturidade antes de conseguir entregar uma resposta consistente. Por isso, vários dos atletas promovidos agora são vistos como projetos muito mais para 2027 e 2028 do que como soluções imediatas.
  • Esse, inclusive, é um dos principais trabalhos de Scolari atualmente. Ele já deixou claro que não pretende interferir nas escalações ou nas decisões táticas de Luís Castro. Sua participação está muito mais relacionada a dar opiniões quando solicitado e, principalmente, acompanhar a transição das categorias de base para o profissional, identificando quais jogadores estão realmente preparados para subir.
  • Gabriel Mec deixa o Grêmio antes de completar esse processo dentro do clube, mas sai garantindo uma receita importante e com mecanismos que permitem ao Tricolor participar de uma eventual valorização na Europa. O Grêmio recebe 8 milhões de euros agora, pode alcançar mais 1 milhão em metas e ainda terá 10% sobre a mais-valia em uma futura negociação.
  • Talvez não seja o negócio de 15 ou 20 milhões de euros que um dia se imaginou para Gabriel Mec. Mas, diante do contrato caminhando para uma fase delicada, da falta de protagonismo no time principal e da necessidade financeira do clube, o Grêmio conseguiu transformar o jogador em aproximadamente R$ 48 milhões imediatamente e ainda deixou uma porta aberta para ganhar mais no futuro.
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