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A bola de neve de erros que virou o setor de contratações do Internacional

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  • O novo transfer ban sofrido pelo Internacional por causa da dívida na contratação de Juninho ajuda a escancarar um problema que vai muito além de simplesmente dizer que falta dinheiro no Beira-Rio. Nas últimas horas, três jogadores apareceram no noticiário colorado por motivos diferentes: Juninho, Clayton Sampaio e Richard. Somando aproximadamente aquilo que o Inter investiu para contratar esses três atletas, chega-se a um valor próximo dos 3,5 milhões de euros, algo na casa dos R$ 21 milhões. É mais dinheiro do que o clube precisaria, por exemplo, para tentar fechar a contratação de Alex Arce, atual artilheiro da Libertadores.
  • E esse é o ponto principal. O Inter realmente não vive uma situação financeira confortável, isso ninguém discute. Mas parte importante dessa falta de dinheiro vem justamente da maneira como o clube utilizou os recursos que tinha. Juninho custou aproximadamente 1,5 milhão de euros junto ao Midtjylland, da Dinamarca, e agora é justamente uma parcela atrasada dessa operação que colocou novamente o Inter em um transfer ban da FIFA. Antes da confirmação, existia até dúvida sobre qual credor havia provocado a punição, porque também há problemas envolvendo Carbonero e Benjamin Arhim. É tanta conta pendente que existem várias possibilidades quando uma nova cobrança aparece.
  • Clayton Sampaio é outro exemplo. O Inter investiu aproximadamente 1,2 milhão de euros para buscá-lo no AVS, de Portugal. O zagueiro praticamente não conseguiu se estabelecer, recebeu pouco espaço, não entregou retorno esportivo e agora está sendo emprestado para um clube pequeno do futebol russo que briga contra o rebaixamento. O negócio não gera receita imediata relevante, apenas tira da folha um salário próximo dos R$ 150 mil. Existe uma opção de compra que pode permitir ao Inter recuperar futuramente aquilo que investiu, mas até agora foi uma contratação que claramente não funcionou.
  • Richard completa essa conta. O volante chegou depois da saída de Fernando, vindo do futebol turco, numa operação cujo valor teria ficado entre 500 mil e 1 milhão de euros. Mesmo arredondando para algo próximo dos 750 mil euros, a soma das três contratações já encosta nos 3,5 milhões de euros. Richard recebe cerca de R$ 400 mil mensais e sequer entrou em campo em 2026. Agora rescindiu para jogar no Coritiba por um salário muito menor, próximo dos R$ 40 mil, enquanto o Internacional continuará pagando em parcelas aquilo que ainda devia ao jogador.
  • Então não estamos falando apenas de R$ 21 milhões investidos em três jogadores que deram pouquíssimo retorno. Também existe quase R$ 1 milhão mensal em salários quando se juntam os vencimentos desses atletas. É dinheiro que foi gasto em taxas de transferência, salários e compromissos contratuais sem praticamente nenhuma resposta dentro de campo.
  • E aí fica muito difícil aceitar simplesmente a explicação de que o Inter não consegue contratar Alex Arce porque não tem dinheiro. Não tem dinheiro hoje, de fato. Mas por quê? O artilheiro da Libertadores custa aproximadamente US$ 3 milhões a US$ 3,5 milhões, algo próximo de R$ 18 milhões. Só essas três operações recentes já consumiram um valor superior. Evidentemente futebol não funciona como uma conta tão simples, porque os negócios aconteceram em momentos diferentes, com pagamentos parcelados e contextos diferentes. Mas a comparação serve para mostrar como escolhas ruins acabam diminuindo a capacidade de investimento lá na frente.
  • E a situação ainda gera uma bola de neve. Como o Inter acumula dívidas e atrasos, sofre transfer ban. Como sabe que pode sofrer transfer ban, precisa antecipar movimentos de mercado. Foi exatamente isso que aconteceu com Tony Sanabria. A direção sabia que havia uma punição chegando e que Alex Arce continuaria exigindo uma negociação demorada com o Independiente Rivadavia. Então acelerou a contratação de um centroavante possível para garantir alguém registrado antes do bloqueio.
  • Sanabria pode chegar e fazer 20 gols. Pode dar extremamente certo. Não existe como saber. Mas mesmo se der certo, a maneira como o Inter foi obrigado a fazer a operação mostra um problema. O clube não contratou simplesmente porque identificou tranquilamente sua melhor opção. Precisou correr contra o tempo porque dívidas antigas estavam prestes a impedir novos registros. É o acerto, se acontecer, sendo construído a partir de uma situação completamente errada.
  • Esse histórico também começa a prejudicar o Inter fora das quatro linhas. O Independiente Rivadavia sabe da situação financeira colorada e quer uma parte muito grande do pagamento por Alex Arce à vista. O clube argentino não tem interesse em assumir o risco de parcelar uma operação milionária com uma equipe que aparece repetidamente no noticiário por atrasos e punições na FIFA. Então a fama de mau pagador passa a ter impacto também nas futuras contratações.
  • E isso é talvez ainda mais grave do que o próprio transfer ban. Uma punição dessas pode ser retirada em 24 ou 48 horas depois do pagamento. A reputação no mercado não. Se todo clube que senta para negociar com o Internacional começa a pedir dinheiro antecipado porque teme não receber as parcelas posteriores, qualquer contratação passa a ficar mais cara e mais difícil de realizar.
  • Depois de praticamente seis anos da mesma gestão, também começa a ficar complicado jogar todos esses problemas no passado. Evidentemente existem dívidas históricas, problemas estruturais e decisões de administrações anteriores. Mas Juninho, Clayton Sampaio e Richard são exemplos recentes. Carbonero também é uma negociação atual. São escolhas feitas dentro desse período e que precisam ser avaliadas como tal.
  • O problema financeiro do Internacional, portanto, não é simplesmente falta de dinheiro. É também dinheiro mal utilizado. São contratações que custam milhões, salários altos para jogadores que pouco entregam, parcelas que deixam de ser pagas e novas operações sendo condicionadas pelos erros anteriores.
  • No fim, a conta sempre aparece. Às vezes vem na forma de uma rescisão parcelada. Às vezes aparece em um jogador emprestado praticamente de graça. E, em outros momentos, chega diretamente pelo site da FIFA com um transfer ban. É uma bola de neve construída por decisões ruins que agora limita até aquilo que o Inter gostaria de fazer para melhorar o próprio time.
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