Entre pro time

Inter

Inter toma punição da FIFA, mas segue tentando trazer outro camisa 9

Publicado

em

  • O Internacional sofreu um novo transfer ban e está impedido, neste momento, de registrar novos jogadores. A punição já aparece no sistema da FIFA e foi posteriormente explicada pelo próprio clube: o problema desta vez está relacionado a valores pendentes da contratação do zagueiro Juninho junto ao futebol dinamarquês. É mais um episódio bastante constrangedor para um Inter que convive com diversas dívidas no mercado e que, justamente por saber que uma nova punição poderia aparecer, acelerou a contratação de Tonny Sanabria antes mesmo do fechamento da janela.
  • Num primeiro momento, existia a possibilidade de o bloqueio estar relacionado ao Racing, que cobra parcelas atrasadas da compra de Carbonero, ou até a valores envolvendo Benjamin Arhin. Depois, porém, o próprio Inter esclareceu que a cobrança que gerou este transfer ban é referente a Juninho. Isso não torna a situação melhor. Pelo contrário. Mostra que existem várias frentes diferentes de pagamentos atrasados e que o clube está administrando aquilo que consegue pagar conforme a urgência aparece. A própria direção nunca escondeu completamente esse cenário: não existe dinheiro para quitar todos os compromissos de uma vez e, quando algum credor consegue uma decisão mais pesada na FIFA, aquela dívida passa a virar prioridade.
  • É também por isso que esses transfer bans recentes normalmente não permanecem por muito tempo. O Inter recebe a punição, corre para fazer o pagamento ou chegar a um acordo, apresenta a documentação para a FIFA e, depois de aproximadamente 24 ou 48 horas, consegue novamente autorização para registrar atletas. Existe, portanto, uma boa possibilidade de o bloqueio cair ainda dentro da janela. O problema maior é o constrangimento de um clube do tamanho do Internacional chegar repetidamente a esse ponto para conseguir organizar seus compromissos.
  • A situação ajuda a explicar também a pressa na contratação de Sanabria. O Inter sabia que Alex Arce poderia demorar, sabia que existiam cobranças avançando na FIFA e não queria correr o risco de chegar aos últimos dias da janela sem um centroavante registrado. Por isso Fabinho Soldado acelerou a alternativa. Sanabria assinou até o final de 2029, com um custo total mensal próximo dos R$ 800 mil considerando salário, imagem, luvas e impostos, e passou a ser a segurança do clube para uma posição na qual praticamente só existia Alerrandro como alternativa.
  • E agora qualquer tentativa por Alex Arce fica ainda mais delicada. Mesmo que o Internacional chegasse a um acordo hoje com o jogador e com o Independiente Rivadavia, enquanto o transfer ban estiver vigente ele não poderia ser registrado. Claro que o problema pode ser resolvido rapidamente caso o clube quite a dívida que gerou a punição, mas a imagem do Inter no mercado também sofre. O Rivadavia já pede aproximadamente US$ 3,5 milhões e deseja receber uma parte enorme desse valor à vista. Para um clube argentino que já conhece as dificuldades financeiras coloradas, ver o Inter novamente bloqueado na FIFA não ajuda em absolutamente nada.
  • Por isso a estratégia por Arce continua sendo deixar o jogador e seu empresário trabalharem diretamente pela liberação. O Inter entende que uma negociação formal clube a clube tende a terminar sempre no mesmo lugar: o Rivadavia cobrando muito dinheiro e querendo pagamento imediato. O jogador quer sair, pode aumentar consideravelmente seu salário no futebol brasileiro e deverá conversar novamente com os dirigentes argentinos nas próximas horas. Se conseguir uma flexibilização, o Inter volta para a mesa. Se o Rivadavia mantiver a exigência atual, o negócio praticamente não tem como acontecer.
  • Enquanto tenta resolver essas contas, o Colorado também busca dinheiro em outras frentes. Carbonero despertou interesse do Krasnodar, mas os números que começaram a circular estão muito abaixo do que o Inter imagina para uma venda. Fala-se em algo próximo dos 3 milhões de euros, enquanto o clube pagou aproximadamente US$ 4,5 milhões pelo atacante e gostaria de negociá-lo por algo próximo do dobro desse investimento, na faixa de US$ 9 milhões. Nesse cenário, uma proposta russa nesses valores iniciais dificilmente avançaria.
  • Também existem movimentos para aliviar a folha. Richard está encaminhando uma saída para o Coritiba, enquanto Clayton Sampaio foi emprestado para o futebol russo. O zagueiro tinha salário próximo dos R$ 150 mil mensais e deixa de pesar temporariamente na folha, além de existir uma possibilidade de compra próxima de 1,2 milhão de euros. Não são operações capazes de resolver a situação financeira do Inter, mas fazem parte dessa tentativa de somar pequenas economias e receitas para ganhar algum espaço no caixa.
  • O clube conseguiu ainda um novo patrocínio pontual com a SpeedMax para os Grenais da Copa do Brasil e pelo menos mais uma partida do Brasileirão, numa operação que pode colocar aproximadamente R$ 1 milhão nos cofres. Juntando esse dinheiro com premiações da Copa do Brasil, novos acordos comerciais e possíveis saídas, o Inter tenta montar o caixa necessário para atravessar a temporada e, se surgir uma condição realmente viável, ainda sonhar com Alex Arce.
  • Só que o transfer ban expõe novamente o tamanho do problema. O Inter precisa fazer conta para contratar, precisa fazer conta para pagar quem já contratou e muitas vezes só consegue priorizar uma dívida quando ela vira punição na FIFA. Juninho entrou agora nessa lista, mas Carbonero e outros compromissos continuam existindo.
  • O bloqueio pode cair rapidamente e provavelmente não vai impedir definitivamente o Inter de atuar nesta janela. Mas a questão vai muito além disso. Quando um clube precisa esperar a FIFA impedir novos registros para então decidir qual credor receberá primeiro, o problema não é apenas administrativo. É um sinal bastante claro da situação financeira em que o Internacional está metido.
Publicidade

Destaque