Grêmio
Respeitem quem chegou na sua 10ª final da Copa do Brasil
- Deixaram o Grêmio chegar. Desde o apito final, essa é a frase que melhor define o que acabou de acontecer. O Grêmio está na sua 10ª final de Copa do Brasil. Um número gigante, imponente e que representa muito do tamanho deste clube em competições eliminatórias. Não é o melhor time da competição, não tem o melhor elenco e ninguém vai olhar para toda a campanha dizendo que foi um futebol maravilhoso do começo ao fim. Mas deixaram o Grêmio chegar. E quando foi preciso, os jogadores cresceram, Renato Portaluppi encontrou soluções e o time soube jogar a semifinal contra um Atlético-MG que, no papel, tinha mais qualidade.
- Depois de vencer por 2 a 0 na Arena, o Grêmio foi até Belo Horizonte e empatou por 1 a 1. E mereceu a classificação. Não existe nenhum grande adendo para colocar nessa semifinal. O Atlético teve mais posse, pressionou, criou situações, mas o Grêmio soube exatamente quem era na fila do pão. Entendeu que não precisava tentar jogar como o melhor time do mundo. Precisava ser competitivo, reativo, maduro e sobreviver aos momentos de pressão. Foi isso que fez durante os 180 minutos.
- E eu também não compro essa história de que a Copa do Brasil deveria ter sido deixada de lado porque o Grêmio está brigando contra o rebaixamento. Chegar numa final como essa é adrenalina pura. Dá confiança, combustível e faz o jogador pensar que consegue mais. Eu acredito que essa classificação pode até ajudar o Grêmio a sair definitivamente da situação no Campeonato Brasileiro. O ambiente muda completamente. Um time que estava desacreditado agora está numa final nacional, com possibilidade real de título e Libertadores.
- O Atlético começou o jogo numa pressão absurda. A festa na Arena MRV foi espetacular, com sinalizadores, estádio empurrando e um ambiente que realmente parecia que seria um inferno para o Grêmio. O Galo teve quase 80% de posse no primeiro tempo e encontrou uma forma interessante de enfrentar os três zagueiros gremistas: jogou sem um centroavante de referência, com vários jogadores circulando por trás e na frente da área. Isso tirava um pouco a função dos defensores do Grêmio e, principalmente nos primeiros 20 minutos, o Atlético foi melhor.
- O Grêmio praticamente sobrevivia com Weverton lançando direto para frente e Carlos Vinícius e Amuzu brigando por cada bola. Os dois terminaram extenuados de tanto correr e disputar. O Atlético fez 1 a 0, a Arena MRV explodiu e ali existia a possibilidade de o confronto incendiar de vez. Só que apareceu o mental do Grêmio. Em uma das poucas escapadas, Amuzu sofreu a falta. A bola foi colocada na área, sobrou, Noriega conseguiu dar sequência e Carlos Vinícius apareceu para cabecear e empatar.
- Ali, para mim, acabou a semifinal.
- O gol matou o estádio e matou psicologicamente o Atlético. Para levar aos pênaltis, o Galo passava a precisar fazer mais dois. Para classificar diretamente, três. O time sentiu, a torcida sentiu e o Grêmio percebeu que a situação estava completamente sob controle. O Atlético continuou com enorme posse de bola, mas aquela sensação de avalanche desapareceu. O Grêmio passou a jogar com o relógio, com a vantagem e com o desespero do adversário.
- No segundo tempo ainda houve um momento em que o Atlético poderia ter colocado fogo novamente. Renan Lodi apareceu cara a cara depois de uma ótima jogada e Weverton fez uma defesa gigantesca. Carlos Vinícius foi decisivo de um lado e Weverton do outro. Renan Lodi tinha dito depois da primeira partida que o jogo do Grêmio era basicamente Weverton e Carlos Vinícius. Pois os dois decidiram de novo. Só que eles não decidiram sozinhos. Noriega se matou em campo, Villasanti se entregou, João Pedro correu demais, Wallace fez uma partida monstruosa, Kannemann respondeu e Balbuena ressurgiu muito bem nessa reta final.
- Depois ainda veio a chuva. E veio muita chuva. A bola começou a prender no gramado sintético da Arena MRV, os refletores chegaram a oscilar e aquilo que já era difícil para o Atlético ficou ainda pior. Para o Grêmio, que precisava controlar o jogo e gastar tempo, a situação virou quase perfeita. O time poderia ter segurado um pouco mais a bola em alguns momentos e evitado tantos chutões, mas hoje não é dia para transformar isso numa grande crítica.
- Já perto do fim ainda teve expulsão do Atlético depois de uma entrada forte sobre Braithwaite, e aí os próprios torcedores do Galo começaram a ir embora. Não havia mais o que fazer. O Grêmio estava classificado.
- E ninguém chega a uma final de Copa do Brasil à toa. Ninguém elimina o Inter e depois passa pelo Atlético-MG em dois jogos sem mérito. O Grêmio soube entender suas limitações, Renato encontrou uma maneira de competir e entregou aos jogadores o futebol que era possível jogar. Se era necessário defender com cinco, defendia. Se era necessário ligar Weverton em Carlos Vinícius, fazia. Se era necessário sofrer, sofria.
- Agora é final.
- Jogo único, dia 6 de dezembro, em Brasília, contra Palmeiras ou Vasco. E em jogo único acontece de tudo. Contra um adversário tecnicamente superior, o Grêmio pode fechar espaço, levar a decisão para os detalhes ou até para os pênaltis. Contra um rival mais equilibrado, pode jogar de outra forma. O mais importante é que o time chega com confiança e sabendo que consegue competir.
- O Grêmio resgatou sua alma copeira.
- Chegou à sua 10ª final de Copa do Brasil.
- E depois do que mostrou contra o Atlético-MG, tem todo o direito de olhar para essa decisão e acreditar que também pode ser campeão.
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