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Grêmio

Além do Renato e Felipão, o jogo mostrou algumas coisas fundamentais para o Grêmio

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  • O Grêmio perdeu por 3 a 2 para o Botafogo no Engenhão e a situação no Campeonato Brasileiro ficou ainda mais preocupante. E aqui precisa existir um mínimo de lucidez para analisar a partida. Felipão não tem culpa do que aconteceu. Renato Portaluppi muito menos. Renato se juntou à delegação menos de 24 horas antes do jogo, praticamente não teve treino, não conseguiu implementar absolutamente nada e, no máximo, participou de conversa, escalação e alguns ajustes junto com Felipão. Então não dá para colocar essa derrota na conta deles. Só que também não dá para deixar a euforia da volta do Renato esconder a tabela: o Grêmio tem a mesma pontuação do Inter, o mesmo número de jogos e só aparece fora da zona do rebaixamento pelos critérios de desempate. Inter, Grêmio e Remo estão embolados. Todo aquele desespero que existe do lado colorado também precisa começar a existir do lado gremista.
  • Agora restam apenas 11 partidas no Brasileirão. E o Grêmio vai precisar fazer uma reta final de time que briga na parte de cima para não correr o risco de cair. No meio disso ainda existem dois jogos contra o Atlético-MG pela semifinal da Copa do Brasil. Então o trabalho do Renato é muito maior do que simplesmente chegar, dar aquela injeção de ânimo e fazer todo mundo sorrir de novo. Vai ser árduo. Vai ser difícil. Vai ser complexo. A situação já estava ruim e conseguiu piorar depois dessa derrota no Rio.
  • Felipão utilizou basicamente aquilo que já vinha jogando. Diego Caito pela direita, Caio Paulista pela esquerda, Gabriel Paulista na defesa, além de Wallace e Gustavo Martins porque Kannemann sentiu uma questão física. Gustavo Martins foi bem, Wallace novamente mostrou que consegue atuar dos dois lados e quase sempre entregar um bom nível. No meio, Noriega mais recuado, Villasanti e Krovinović, com uma movimentação que em determinados momentos deixava Krovinović um pouco mais avançado, quase num 4-2-3-1. Na frente, Pavón pela direita, Jovane Cabral pela esquerda e Carlos Vinícius centralizado. Não houve nenhuma revolução. Nem poderia haver.
  • O Botafogo começou com mais bola e com mais qualidade individual. E isso apareceu cedo. Jovane Cabral teve uma chance enorme quando ainda estava 0 a 0. Pavón foi até a linha de fundo, cruzou e Jovane finalizou mal. Depois teve outra bola em que mandou para longe. E futebol é isso também. De um lado, o Grêmio desperdiça. Do outro, Danilo pega a bola, avança e resolve. Um jogador de Seleção Brasileira, de Copa do Mundo, com nível para estar atuando na Europa, vai lá e faz dois baita gols. O Botafogo tem jogadores melhores em algumas posições, e isso ficou muito claro. Montoro também foi um absurdo. Fez gol, deu assistência, fez o time jogar e mostrou uma qualidade que o Grêmio não conseguiu encontrar no seu setor ofensivo.

 

  • E aí existe um problema defensivo que continua assustando. No gol de Montoro, o Grêmio tinha praticamente sete jogadores dentro da pequena área contando o goleiro. Pequena área. Não é nem grande área. Tinha gente para todo lado e mesmo assim a bola sobra limpa para o adversário finalizar. Isso não é falta de jogador ocupando espaço. É falta de organização, reação e leitura da jogada. O Botafogo conseguiu construir três gols com uma certa naturalidade e, se o Grêmio não tivesse novamente algumas boas intervenções defensivas, poderia ter sido ainda pior.
  • O Grêmio conseguiu reagir. E é justo reconhecer isso. Só que precisamos entender como essa reação aconteceu. Não foi porque de repente apareceu uma grande construção coletiva ou porque Felipão e Renato encontraram em algumas horas uma nova maneira de jogar. Gustavo Martins foi colocado lá na frente. Enamorado ficou de um lado, Tetê do outro, um destro pela esquerda, um canhoto pela direita, e a ordem basicamente virou: joga a bola na área. Cruza. Cruza de novo. Vê o que acontece. Tetê conseguiu encontrar Gustavo Martins numa dessas bolas e saiu um gol. Depois Enamorado cruzou, Gustavo ganhou pelo alto e escorou para Carlos Vinícius marcar. Foi no abafa, no jeito que dava.
  • E funcionou a ponto de o Grêmio quase buscar o empate. Houve ainda aquele gol anulado por impedimento milimétrico. Visualmente é um lance complicado, porque as linhas deixam muita gente com dúvida, principalmente pela posição dos braços dos jogadores. Só que eu vou manter o mesmo critério que sempre usei: existe impedimento semiautomático e eu não vou brigar com a tecnologia simplesmente porque o lance foi contra o Grêmio. Se a ferramenta apontou impedimento, para mim o gol foi corretamente anulado. Não adianta escolher acreditar na tecnologia quando beneficia e contestar quando prejudica.
  • Então o 3 a 2 até passa uma imagem de jogo muito mais equilibrado do que foi em vários momentos. O Grêmio teve poder de reação, mérito nisso e mostrou que não desistiu. Mas não dá para sair dizendo: “Olha como o time já mudou com Renato e Felipão”. Não mudou. Não havia tempo para mudar. A reação veio muito mais de bola na área, imposição, Gustavo Martins servindo quase como um segundo centroavante e jogadores tentando alguma coisa no desespero do que de uma evolução de futebol.
  • E justamente por isso Renato não pode ser tratado como solução mágica. Eu continuo achando que, neste momento, era a melhor alternativa para o Grêmio. Conhece o clube, conhece parte do elenco, consegue mobilizar torcida e vestiário rapidamente. Mas ele não vai entrar em campo. O Grêmio continua tendo problemas técnicos, continua com limitações no elenco e continua precisando melhorar muito para escapar dessa situação. A volta do Renato é uma dose de adrenalina. Só que adrenalina não dá ponto na tabela sozinha.
  • Hoje o cenário é de desespero. O Grêmio está com a mesma pontuação do Inter, restam 11 rodadas e a margem para erro ficou minúscula. Felipão e Renato não têm responsabilidade por essa derrota, mas agora recebem o problema inteiro no colo. E a missão é pesada: tirar o Grêmio dessa pontuação de Z4, recuperar um time que vem jogando mal e ainda tentar chegar à final da Copa do Brasil.
  • A partir de agora, não é mais zona da confusão. É luta direta para não cair.
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