Grêmio
A avaliação que Castro tinha sobre o elenco do Grêmio e o motivo que impediu dois jogadores de jogarem com Renato
- Renato Portaluppi está de volta ao Grêmio e deve começar efetivamente o trabalho no Rio de Janeiro, onde vai encontrar a delegação antes da partida contra o Botafogo. O anúncio oficial ainda dependia de alguns trâmites no momento da gravação, mas o próprio Renato praticamente resolveu isso ao publicar nas redes sociais que estava feliz com a volta. Só que esse retorno também traz uma curiosidade importante: Renato chega pouquíssimo tempo depois de Arthur ter ido para o Santos e de Everton Cebolinha ter negociado com o Grêmio, sem acordo. Dois jogadores que, principalmente pensando num mata-mata de Copa do Brasil com Renato, poderiam mudar bastante o cenário ofensivo do time.
- E aqui existem algumas diferenças. Arthur não era exatamente um jogador que Luís Castro enxergava como essencial para o seu modelo. Existia uma avaliação de que o meia não encaixava perfeitamente naquilo que o treinador queria para o meio-campo. A negociação também tinha uma diferença financeira enorme: Arthur pediu algo na casa dos R$ 2,5 milhões mensais, o Grêmio trabalhava até aproximadamente R$ 1,5 milhão e Odorico Roman mandou encerrar porque entendeu que não haveria consenso. Cebolinha era diferente. Luís Castro queria o atacante. O próprio jogador priorizava uma volta ao Grêmio caso retornasse ao futebol brasileiro, mas novamente a questão financeira pesou.
- O Santos terminou fazendo um pacote curto e bastante caro por Cebolinha, enquanto o Grêmio decidiu não avançar. E isso aconteceu justamente num momento em que Odorico Roman estava sendo bombardeado por cobranças financeiras. Presidente do Vitória cobrando valores por Wagner Leonardo, Cuiabá reclamando de dívidas, clubes do Paraná também aparecendo com cobranças. Então o presidente, que tem um perfil extremamente rígido com dinheiro e é visto internamente como uma pessoa muito séria nessa parte financeira, olhou para aquilo e disse: “Não vamos contratar”. A prioridade era colocar a casa em ordem e parar de aumentar uma pilha de compromissos que o clube já tinha dificuldade para honrar.
- Só que existe uma discussão esportiva aí. Gabriel Mec foi vendido numa negociação de €11 milhões no total, com a parte gremista ficando abaixo disso. E uma das leituras que existia era bastante simples: vendeu um jogador por esse valor, poderia pegar uma pequena parte desse dinheiro e reinvestir em Cebolinha como reposição. Algo na linha de “entrou oito, nove, gasto um e reforço o time”. Odorico preferiu não fazer isso. Então hoje Renato chega sem Arthur e sem Cebolinha. E a pergunta naturalmente aparece: como seria esse time num mata-mata de Copa do Brasil se Renato tivesse também esses dois jogadores à disposição? Não aconteceu. E, principalmente no caso de Cebolinha, a decisão passou diretamente pela contenção financeira da presidência.
- Esse debate também ajuda a explicar uma das reclamações internas de Luís Castro. A avaliação do treinador era de que o Grêmio tinha um time titular competitivo, mas não tinha um elenco suficientemente competitivo. Completo, conseguia enfrentar qualquer adversário e fazer partidas como o Grenal. O problema era perder uma ou duas peças. Marlon saía e as opções eram Pedro Gabriel ou Caio Paulista, com uma queda importante. Amuzu e Pavón não estavam disponíveis e apareciam Tetê e Jovane Cabral, novamente com perda de desempenho. Sobre Jovane, inclusive, existia gente no próprio ambiente gremista questionando se um jogador que estava no Estrela da Amadora, em Portugal, realmente tinha nível para ser uma peça importante no Grêmio.
- Esse era basicamente o resumo da visão de Luís Castro: o time era competitivo; o elenco, não. E tem um outro ponto importante para colocar porque nem todas as contratações que chegaram podem simplesmente ser colocadas na conta do treinador. Tetê, por exemplo, já era um negócio trabalhado pela direção. A comissão de Luís Castro aprovou o nome e Vítor Severino chegou a mandar mensagem e foto do CT ao jogador enquanto a negociação acontecia, o que acabou dando a impressão de que tinha sido uma indicação direta da comissão. Pelo bastidor, não foi exatamente assim. O Grêmio já negociava e Luís Castro deu o OK.
- Nardoni segue uma lógica parecida. Luís Castro queria um meio-campista com determinadas características. O scout apresentou possibilidades, as primeiras opções não deram certo e Nardoni apareceu mais abaixo nessa lista. O treinador aprovou o perfil, mas não significa que um português que estava trabalhando na Arábia Saudita estivesse acompanhando semanalmente o Campeonato Argentino e tenha chegado dizendo: “Quero o Nardoni do Racing”. O clube encontrou o jogador dentro das características pedidas. Quando ele entra contra o Vasco e dá aquela bola no pé do adversário, isso é deficiência técnica do atleta, não uma característica que o treinador pediu ao scout.
- Krovinović já foi diferente. Era um jogador mais ligado diretamente à ideia de Luís Castro, alguém que ele conhecia e que se aproximava do perfil que desejava. Então também não dá para colocar tudo no mesmo pacote. Houve jogadores indicados ou trabalhados diretamente pela comissão, outros encontrados pelo departamento de futebol e aprovados pelo treinador e outros que já estavam sendo negociados antes dessa participação. No final, porém, quem escala é o técnico e Luís Castro colocou essas peças porque eram as opções que tinha.
- Agora essa discussão terminou para ele. Luís Castro está fora e Renato assume esse elenco sem Arthur e Cebolinha, dois jogadores que poderiam ter aumentado bastante as alternativas. Castro deixou o clube falando rapidamente com a imprensa, valorizando o título gaúcho, a semifinal da Copa do Brasil e o espaço dado aos garotos. Só que ainda existe uma pendência importante: a rescisão. A multa está sendo calculada pelos advogados das duas partes e a informação é de que esse valor deveria ser quitado à vista, salvo algum novo acordo entre Grêmio e treinador. Caso não exista pagamento dentro do prazo previsto, começam a incidir juros e outras penalidades.
- Então não é simplesmente aquela conta que parecia inicialmente: R$ 2 milhões por mês para Luís Castro até o fim do contrato e mais R$ 2 milhões para Renato. A situação pode exigir uma saída financeira muito maior agora para encerrar o vínculo do português. Os advogados estão discutindo como fazer esse acerto e o Grêmio vai precisar encontrar uma maneira de pagar.
- No fim, Renato chega para tentar resolver no campo aquilo que Luís Castro não conseguiu. Só que recebe praticamente o mesmo elenco que o treinador anterior dizia ser curto. Não tem Arthur, não tem Cebolinha e continua com uma série de peças que já vinham sendo questionadas. A diferença é que Renato conhece esse ambiente como ninguém, tem capacidade de mobilizar rapidamente o torcedor e chega justamente com uma semifinal de Copa do Brasil pela frente.
- Agora acabou a discussão sobre o que Luís Castro faria com esse grupo. A pergunta passa a ser outra: o que Renato consegue tirar dele?
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