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Matheus Cunha fez lance de juvenil, Inter perde e ainda se encheu de problemas futuros

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  • O Internacional conseguiu perder para um Mirassol que, para mim, é um time fraco. Um adversário que também vinha brigando para se afastar da zona de rebaixamento, que tem limitações técnicas e que não fez nenhuma grande partida. Mesmo assim, venceu o Inter por 2 a 0. E o mais complicado é que, em vários momentos, o Colorado até foi melhor, mostrou organização e teve jogadores produzindo. Só que aí aparecem as individualidades negativas, principalmente Matheus Cunha e Félix Torres, e puxam toda a régua para baixo. No final, não tem trabalho de treinador que resista a erro individual atrás de erro individual.
  • Eu continuo dizendo a mesma coisa: se o Inter vencer as quatro partidas que ainda tem no Beira-Rio, chega aos 44 pontos e provavelmente se salva. Só que também precisamos olhar para a realidade. Cada derrota como essa deixa a margem de erro menor, aumenta o desespero e ainda gera consequências para a rodada seguinte. Contra o Botafogo, no sábado, Eduardo Baptista não terá Mercado, Villagra e Vitinho, todos suspensos pelo terceiro cartão amarelo. São três peças importantes fora de um elenco que já é limitado.
  • Eduardo Baptista até abriu mão de uma convicção para montar o time. Sem Alan Patrick, colocou Bernabei mais adiantado, praticamente como ponta, deixando Matheus Bahia atrás. Para mim, fez sentido. O Inter ganhava alguém com mais capacidade defensiva na lateral e, ao mesmo tempo, usava a velocidade de Bernabei mais perto do ataque. Antes de toda a confusão começar, inclusive, o Inter teve uma boa chegada justamente com participação de Bernabei e parecia estar entrando bem na partida.
  • Aí, aos 15 minutos, Matheus Cunha acabou com o planejamento. O goleiro saiu completamente atabalhoado numa jogada em que o atacante ainda tinha que fazer o drible e acabou cometendo a falta fora da área. Para mim, vermelho correto. Existe toda aquela discussão dos critérios de oportunidade clara de gol: distância, direção, domínio e quantidade de defensores. Se o jogador passa pelo goleiro, praticamente entra sozinho. Não tinha motivo para Matheus Cunha fazer aquilo. É um erro de leitura gravíssimo e que obriga o Inter a disputar praticamente o jogo inteiro com um jogador a menos.
  • A partir daí, Eduardo precisou fechar a equipe. Linha de cinco, mais quatro jogadores à frente e Alerrandro voltando muito mais para ajudar defensivamente do que para pensar em atacar. E, mesmo com 10, o mais impressionante é que o Inter conseguiu competir. O Mirassol estava lento, pouco criativo e teve enormes dificuldades para fazer valer a vantagem numérica. Isso também mostra uma coisa: existe trabalho no Inter de Eduardo Baptista. O time está mais organizado do que vinha sendo na reta final de Paulo Pezzolano, sabe se posicionar e consegue competir.
  • Só que no começo do segundo tempo veio o 1 a 0. Eduardo tirou Alerrandro e colocou Félix Torres, empurrando Bruno Gomes para o meio. Logo depois, o Mirassol chegou pela linha de fundo, cruzou e encontrou espaço na região da marca do pênalti. Ninguém acompanhou direito e saiu o gol. A partir daí, parecia que a partida ficaria ainda mais difícil, mas o Inter reagiu.
  • João Victor entrou bem, Carbonero também deu velocidade e João Bezerra foi outro que melhorou o time. O Inter passou a chegar, Bruno Gomes acertou a trave e João Bezerra criou uma grande chance depois de driblar o marcador já dentro da área. Walter apareceu bem pelo lado do Mirassol e evitou o empate. Mesmo com um a menos, o Inter começou a empilhar algumas situações e dava a impressão de que poderia buscar o 1 a 1.
  • E aí apareceu Félix Torres.
  • O zagueiro vinha até de uma boa jogada pouco antes, mas perdeu a bola de maneira completamente desnecessária quando estava quase jogando como lateral direito. O Mirassol recuperou, puxou o contra-ataque e fez o segundo gol. Mais um erro individual que decide uma partida contra o Inter. E não é a primeira vez. Félix já tinha cometido erros importantes contra Santos e Athletico-PR. Matheus Cunha também já havia apresentado problemas em outras oportunidades.
  • Por isso é impossível fugir da discussão sobre a montagem desse elenco. Matheus Cunha foi uma aposta de Fabinho Soldado. Félix Torres também. O treinador pode organizar, treinar, escolher sistema, melhorar parte física e tentar criar mecanismos. Mas futebol continua sendo dos jogadores. Quando um goleiro é expulso aos 15 minutos por uma decisão ruim e, depois, um zagueiro entrega uma bola que gera o segundo gol justamente quando o time buscava o empate, fica muito difícil.
  • E talvez a única boa notícia da noite seja justamente outro goleiro. Kauan Jesus entrou e foi muito bem. Fez três ou quatro intervenções importantes, mostrou segurança e, principalmente, fez o básico. Quando não tinha opção para sair jogando, chutou a bola para frente e acabou com o problema. É jovem, tem 23 anos e estava entrando numa situação terrível. Não precisa inventar. Primeiro jogo, time com 10, briga contra o rebaixamento: faz o simples. E fez.
  • Talvez o Inter tenha encontrado uma alternativa para o gol. Porque Anthony já vinha sendo questionado e Matheus Cunha, depois de mais uma atuação marcada por erro decisivo, abre uma discussão ainda maior. Kauan Jesus pelo menos aproveitou a oportunidade.
  • Só que agora vem o Botafogo e a conta fica pesadíssima. Mercado está fora. Villagra, que vinha sendo um dos melhores jogadores do time, está fora. Vitinho, um dos principais nomes ofensivos, também. Félix Torres pode acabar voltando ao sistema defensivo. No meio, Eduardo Baptista poderá ter que recorrer a Bruno Henrique ou Paulinho. No ataque, existe dúvida sobre quem ocupa o espaço de Vitinho. Calebe vira uma possibilidade, e ainda não existe certeza sobre o retorno de Alan Patrick.
  • Ou seja, não foi apenas uma derrota.
  • O Inter perdeu para um adversário que dava para enfrentar, continua afundado na zona de rebaixamento, teve mais uma atuação comprometida por erros individuais e ainda saiu com três suspensos importantes para um dos quatro jogos em casa que deveriam salvar sua temporada.
  • A noite foi terrível para o lado colorado.
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