Inter
Olha o que o Grêmio deixou acontecer antes do Gre-Nal
- O empate em 1 a 1 com o Remo mostra um problema que acompanha o Grêmio praticamente durante o Campeonato Brasileiro inteiro. A gente se empolga, Renato chega, tem Data Fifa, ganha tempo para trabalhar, existe uma semifinal de Copa do Brasil logo ali na frente e começa aquela esperança de que alguma coisa diferente pode acontecer. Só que o Grêmio continua sendo extremamente fiel ao que apresentou durante toda a temporada. Em casa até consegue alguma coisa. Fora, simplesmente não sabe o que é vencer. São 29 rodadas disputadas e nenhuma vitória longe da Arena. Como é que um time vai fazer uma campanha minimamente segura assim? E eu nem estou falando em Libertadores. Estou falando em não cair.
- O Grêmio tem 30 pontos e precisa achar aproximadamente outros 15 para chegar naquela conta tradicional de permanência. Só que agora faltam nove rodadas. Então aqueles pontos improváveis que precisavam aparecer nunca vieram. E contra o Remo nem era exatamente uma vitória impossível. Era um jogo em que o Grêmio precisava aproveitar para finalmente vencer fora, ganhar alguma gordura antes da semifinal da Copa do Brasil e chegar no Gre-Nal num ambiente melhor. Nada disso aconteceu. Pelo contrário: o Inter venceu o Corinthians, passou o Grêmio na tabela e chega para o clássico com um pouco mais de confiança. Os dois continuam numa situação horrorosa, evidentemente, mas estamos no Rio Grande do Sul. Aqui estar na frente do rival antes de um Gre-Nal mexe com o ambiente.
- E o jogo também não foi bom. Renato tinha desfalques, isso é verdade. Caio Paulista precisou jogar na lateral esquerda, Dodi apareceu no tripé de meio-campo, Villasanti voltou da seleção paraguaia e o desenho foi basicamente um 4-1-4-1. Não existe nenhum absurdo em jogar assim. Muita gente no mundo joga. O problema é o que o Grêmio faz dentro desse sistema. O Remo teve muito mais posse de bola, o Grêmio passou longos períodos sem conseguir controlar a partida e novamente mostrou enorme dificuldade para aproximar os setores.
- O gol gremista nasce de um lance completamente atrapalhado. Wallace consegue uma puxeta, a bola chega em Kannemann e ele, do jeito que dava, empurra para o gol. O Grêmio já não estava jogando bem, mas fez 1 a 0. E aí tu pensa: pronto, agora segura, acha uma escapada, faz a primeira vitória fora de casa e volta para Porto Alegre respirando. Só que os velhos problemas continuaram. Everton precisou fazer defesa importante, o time seguiu dando espaços e Carlos Vinícius ficou completamente isolado no ataque.
- Dá até pena em alguns momentos. Carlos Vinícius passa o jogo brigando sozinho com zagueiro, pedindo aproximação e tentando fazer alguma coisa sem receber companhia. Braithwaite entrou depois e também não resolveu, porque não é simplesmente trocar o centroavante. O problema está antes. O Grêmio não consegue fazer o time chegar junto. O atacante fica lá na frente morrendo de fome enquanto meio-campo e pontas não aproximam com qualidade suficiente.
- E aí chegamos numa questão que vai além do Renato. Futebol, muitas vezes, é jogador. O treinador terá responsabilidade, ainda mais agora que teve uma Data Fifa para trabalhar, mas o elenco também precisa entregar. Pavón teve lance em que não cruzou nem chutou direito. Tetê entrou, Enamorado entrou e apareceram chances para matar o jogo. Enamorado perdeu duas. Tetê também teve sua oportunidade e ainda deu uma bola muito boa para uma das chances desperdiçadas por Enamorado. Se esses jogadores resolvem, o Grêmio poderia tranquilamente estar falando de uma vitória por 2 a 1 ou até 3 a 1.
- E aí precisa começar a existir uma discussão sobre algumas contratações. Tetê chegou cercado de expectativa e até agora não entrega aquilo que se imaginava pelo investimento e pelo nome. Enamorado é ainda mais complicado. Tu olha algumas atuações e pensa: será que não existe um garoto na base capaz de fazer uma função parecida por muito menos? Não estou dizendo que qualquer menino vai entrar e resolver o Grêmio, mas historicamente a base já salvou o clube em vários momentos. Quando tu investe milhões em um jogador, precisa existir algum retorno técnico. Principalmente quando aparecem duas chances claras num jogo em que o time precisa desesperadamente vencer.
- Renato também entra na conta. Ele escolheu Dodi, montou o 4-1-4-1 e teve tempo durante a parada para começar a implementar suas ideias. Dodi, inclusive, recebeu o terceiro cartão amarelo e está fora do Gre-Nal. Não sei nem dizer se isso é uma notícia boa ou ruim neste momento. Mas Renato vai precisar encontrar uma maneira de fazer esse time produzir mais. Não dá para viver apenas de organização defensiva e escapadas quando tu enfrenta adversários contra os quais precisa tomar iniciativa.
- O problema maior é que as limitações técnicas continuam aparecendo. Falta aproximação, falta criatividade, falta alguém capaz de decidir e falta gol. E isso é muito preocupante para um time que chegou à 29ª rodada com 30 pontos. É campanha de rebaixamento. Com Renato ou sem Renato. Ele chegou agora e vai tentar mudar, mas não dá para esconder a tabela embaixo do tapete.
- E agora vem o Gre-Nal.
- Olha que temporada maluca. Até aqui, uma das grandes diferenças entre Grêmio e Inter foram justamente os clássicos. O Grêmio levou vantagem no Gauchão, depois passou pelo rival na Copa do Brasil e agora os dois podem fazer um Gre-Nal que tenha peso gigantesco na luta contra o rebaixamento. Um clássico que não vale taça, não vale classificação, mas pode decidir quem sai um pouco da lama e quem afunda ainda mais.
- O Grêmio deixou o Inter passar antes desse jogo. Continua sem uma única vitória fora de casa. Tem semifinal de Copa do Brasil pela frente e ainda não conseguiu criar a gordura que precisava para tratar o mata-mata com alguma tranquilidade.
- É isso que tem para a janta.
- E é uma pobreza de futebol impressionante.