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Começou muito bem o Inter de Eduardo Baptista

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  • Eu não tenho bola de cristal, mas ouso dizer que esse Inter 2 a 1 Corinthians pode ter mudado alguma coisa na trajetória colorada nesta temporada. Ainda é cedo, obviamente. Ninguém sabe o que vai acontecer daqui para frente. Só que Eduardo Baptista estreou com três pontos, o time mostrou mais energia, teve um pouco mais de intensidade e conseguiu engajar novamente um torcedor que apareceu em bom número no Beira-Rio. E tem mais: antes de um Gre-Nal, o Inter passou o Grêmio na tabela. Para qualquer pessoa de fora do Rio Grande do Sul, os dois seguem brigando lá embaixo e pronto. Aqui não. Aqui isso importa. E muito.
  • A primeira coisa que chama atenção é justamente essa mudança de energia. O Inter fez gol com 42 segundos. Isso já diz muita coisa. Não acho que tenha sido um futebol completamente diferente daquele dos melhores momentos de Paulo Pezzolano, porque o Inter também teve bons jogos com ele. Mas a reta final do trabalho do uruguaio estava muito ruim e o time parecia sem resposta. Eduardo Baptista chegou e, pelo menos na estreia, trocou o oxigênio do vestiário. O time entrou ligado.
  • E o primeiro gol mostra algumas apostas importantes do novo treinador. Thiago Maia aparece para ganhar a bola pelo alto. Alerrandro participa como centroavante de verdade, dando continuidade na jogada. Alan Patrick recebe numa posição mais de meia, e não como falso 9. Depois encontra Vitinho mais perto do gol, e ele finaliza para marcar. Parece simples, mas são mudanças de função que podem fazer bastante diferença. Vitinho deixa de ser aquele jogador que precisa voltar toda hora como ala e passa a aparecer mais onde pode decidir. Alan Patrick volta a ser meia. E Alerrandro oferece uma referência na frente.
  • Taticamente, o desenho foi um 3-4-2-1. Bruno Gomes pela direita da linha de três, Mercado centralizado e Juninho pelo lado esquerdo. Aguirre fazia o corredor direito e Bernabei o esquerdo. Villagra e Thiago Maia eram os dois homens de meio, enquanto Vitinho e Alan Patrick jogavam atrás de Alerrandro. Sem a bola, em vários momentos isso virava uma linha de cinco. Não é uma revolução em relação ao que Pezzolano já fazia. Existem semelhanças claras. A principal diferença aparece nas funções e em alguns comportamentos.
  • Vitinho mais perto do gol talvez seja uma das mudanças mais importantes. Estou repetindo isso porque realmente pesa. Ele vinha se sacrificando demais pelo time e perdendo justamente aquilo que pode entregar de melhor: presença ofensiva e capacidade para finalizar. Alan Patrick também parece ter sido devolvido para uma zona em que se sente mais confortável. E foi o melhor jogador em campo para mim. Segurou bola, organizou, apareceu quando o Inter precisava respirar e praticamente toda jogada lúcida passava pelo camisa 10.
  • Só que calma. Não dá para esconder o outro lado da partida. O Corinthians colocou três bolas na trave. Três. Anthoni também precisou trabalhar muito e em algumas dessas jogadas ainda consegue tocar na bola antes dela bater no poste. Então não foi um jogo em que o Inter simplesmente dominou o Corinthians de ponta a ponta. Muito pelo contrário. Houve momentos em que o adversário criou bastante e poderia ter marcado. Bernabei, por exemplo, sofreu muito pelo lado esquerdo e teve grandes dificuldades durante a partida.
  • Por isso a vitória tem mérito, mas não pode virar aquela história de que agora está tudo resolvido. O Inter mereceu ganhar porque fez por onde, aproveitou seus momentos e mostrou uma postura melhor. Só que um empate do Corinthians não seria nenhum absurdo pelo volume de chances que criou. Até uma virada poderia ter acontecido se aquelas bolas na trave entrassem. Futebol também tem dessas coisas. Dessa vez caiu para o lado colorado.
  • No segundo tempo, inclusive, o Corinthians passou a jogar mais e o Inter praticamente deixou de chegar durante um bom período. A primeira grande escapada colorada que lembro acontece já perto dos 20 minutos, com Paulinho desperdiçando uma chance. Depois, quando parecia que o jogo estava mais para o empate do que para o segundo gol, o Inter consegue roubar uma bola no campo ofensivo e mata a partida. Bruno Henrique encontra Alan Patrick e sai o 2 a 0.
  • E esse gol coroa a atuação do camisa 10. Alan Patrick voltou a ser protagonista. Não apenas pelo lance decisivo, mas porque voltou a jogar como o cara que pensa o time. Isso é fundamental para o Inter. Se Eduardo Baptista conseguir recuperar o melhor Alan Patrick nesta reta final, já é uma diferença gigantesca para um time que precisa desesperadamente de jogadores capazes de decidir.
  • Anthoni também merece muito destaque. Se Alan Patrick foi o melhor em campo, o goleiro aparece logo atrás. Salvou o Inter em momentos importantes e contou com a trave como parceira em outras situações. É uma atuação que ajuda a explicar por que o Colorado conseguiu sustentar a vantagem mesmo sofrendo.
  • Carbonero entrou bem no segundo tempo e também começa a encontrar uma função diferente. Já existe a informação de que ele pediu para atuar mais como ponta clássico, e a tendência é de que vire justamente essa peça para incendiar partidas na reta final. Com o adversário mais cansado, ele entra aberto, encara marcador e tenta criar desequilíbrio no um contra um. Contra o Corinthians já deu alguns sinais de que pode funcionar assim.
  • Então a estreia de Eduardo Baptista teve, sim, bastante coisa positiva. Não foi perfeita. Não resolveu os problemas defensivos. Não transformou o Inter num grande time em poucos dias. Mas trouxe intensidade, colocou jogadores importantes em funções melhores, devolveu protagonismo para Alan Patrick, aproximou Vitinho do gol e conseguiu aquilo que mais importa agora: três pontos.
  • E aí vem o Gre-Nal.
  • O Inter estava mal, mal e mal. Agora chega pelo menos um pouco mais leve, com vitória, com técnico novo e acima do Grêmio na tabela. Isso não apaga absolutamente nada do que aconteceu antes e nem significa que a crise acabou.
  • Mas, antes de um clássico, chegar com um pouco de confiança já muda bastante coisa.
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