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O pedido de desculpas do Pezzolano para os jogadores no vestiário do Inter

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  • O Inter vive aquele típico momento em que a ideia já existe, mas a execução ainda não acompanha. E quando isso acontece, o que aparece de fora é um time irregular — mas por dentro tem muito mais coisa acontecendo.
  • A principal delas chama atenção: Pezzolano pediu desculpas ao elenco. Internamente, ele reconheceu que ainda não conseguiu fazer o time jogar da forma que prometeu quando chegou. A proposta era clara — um Inter mais ofensivo, mais protagonista, com mais controle do jogo — mas, até agora, o que se viu foi um time que evoluiu mais defensivamente do que no ataque.
  • E isso abre uma leitura bem direta. Parte do problema passa pelos jogadores, que ainda não conseguiram executar o modelo. Outra parte passa pelo próprio treinador, que ainda não conseguiu implementar totalmente sua ideia. O próprio clube entende que o momento é de transição, principalmente do ponto de vista ofensivo.
  • Só que tem um detalhe que ajuda a entender por que esse processo está acontecendo assim: a forma como o Pezzolano trabalha. Ele não é um técnico de sistema fixo. Nos treinos, o Inter tem preparado três formações diferentes para o mesmo jogo. Isso serve tanto para evitar o vazamento da escalação quanto, principalmente, para permitir mudanças durante a partida.
  • E isso já está acontecendo. O Inter varia bastante dentro dos jogos. Em alguns momentos atua com linha de cinco, depois ajusta para linha de quatro, muda o meio de três para dois, recompõe com duas linhas de quatro… tudo isso sem trocar peças, apenas reposicionando jogadores. Não é bagunça, é tentativa de adaptação constante ao que o jogo pede.
  • Só que esse tipo de modelo cobra um preço. E esse preço é alto: intensidade física.
  • Pezzolano valoriza muito o jogador que corre, pressiona e mantém ritmo alto o tempo todo. E isso começa a explicar algumas escolhas que, à primeira vista, podem parecer estranhas. O Borré, por exemplo, segue com prestígio mesmo sem números tão altos de gol. Internamente, a leitura é que ele entrega exatamente o que o treinador quer: desgaste na defesa adversária, pressão e participação tática.
  • Inclusive, tem um bastidor que reforça isso. O Borré chegou a trazer um preparador físico próprio para fazer treinos extras em Porto Alegre. Em muitos lugares isso poderia gerar desconforto, mas com o Pezzolano acontece o contrário: ele incentiva. Para ele, a parte física é central no modelo de jogo.
  • E aí entra um ponto delicado do elenco: Alan Patrick. Tecnicamente é diferenciado, mas atua numa função que exige intensidade constante, alternando entre meio e ataque. E isso levanta uma dúvida interna sobre o encaixe dele nesse sistema. Ele ainda tem importância, ainda decide jogos, mas claramente não é o perfil físico ideal dentro da lógica que o treinador prioriza.
  • O mesmo raciocínio aparece em outras situações, como no caso do Benjamin Arhin. O Inter sabe que ele tem histórico de lesões, mas vê potencial justamente pelo perfil físico e intensidade. Por isso, o clube está investindo forte na recuperação e no fortalecimento muscular, pensando mais no futuro do que no agora.
  • No fim das contas, o Inter vive um processo bem claro. Tem um treinador com ideia definida, um modelo baseado em intensidade e adaptação tática, e um elenco que ainda está tentando acompanhar tudo isso. O time já mostra evolução defensiva, mas ainda precisa encaixar o jogo ofensivo.
  • E talvez o pedido de desculpas resuma bem o momento: o plano existe, está sendo aplicado, mas ainda não está funcionando como deveria.
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