Entre pro time

Grêmio

Vim ver o time do Luís Castro pessoalmente e afirmo: é bem pior do que a gente imagina!

Publicado

em

  • Eu tinha uma curiosidade muito específica sobre esse Grêmio. E ela não tinha relação com resultado. Não tinha relação com classificação. Não tinha relação nem com vitória ou derrota. A dúvida era outra: afinal de contas, existe mesmo essa evolução que Luís Castro e a direção gremista falam há semanas?
  • Porque esse discurso já foi repetido várias vezes. O treinador fala que o time está melhorando. A direção fala que o trabalho é excelente. Felipão fala que o que está sendo feito é grandioso. Todo mundo dentro do clube parece enxergar uma evolução clara.
  • Então nada mais justo do que olhar de perto.
  • E depois de ver o jogo no estádio, observando movimentações sem bola, posicionamento, comportamento coletivo e detalhes que muitas vezes passam despercebidos na televisão, a conclusão que fica é bastante simples: essa evolução não aparece.
  • E aqui é importante separar uma coisa da outra. Porque o Grêmio não é um time completamente desorganizado. Pelo contrário. Dá pra perceber que existe organização posicional. Dá pra perceber que os jogadores sabem onde precisam estar. O problema é que futebol não é só ocupar espaço. Futebol exige conexão entre setores. Exige intensidade. Exige movimentação. Exige mecanismos.
  • E é justamente aí que o Grêmio desmorona.
  • O time tem uma dificuldade enorme de fazer coisas básicas. Triangulações simples. Aproximação. Troca rápida de passes. Construção de jogadas que envolvam três ou quatro jogadores. Muitas vezes parece que cada atleta está executando sua função individualmente sem que exista uma ligação real entre as peças.
  • E isso fica ainda mais evidente quando se olha para o meio-campo.
  • Porque o Grêmio praticamente não tem meio-campo.
  • Essa talvez seja a principal conclusão do jogo. Existe uma distância gigantesca entre quem inicia as jogadas e quem deveria criar. O Arthur virou praticamente o primeiro homem da saída de bola. É ele quem organiza o início das jogadas. Só que entre ele e o setor ofensivo existe um vazio enorme.
  • E quando existe um vazio desse tamanho no futebol moderno, o time simplesmente para de funcionar.
  • O resultado é que o Grêmio passa a depender excessivamente dos lados do campo. Só que aí aparece outro problema. As peças também parecem encaixadas de forma estranha.
  • O Mec joga longe da região onde mais consegue produzir. Braithwaite fica isolado em funções que não potencializam suas características. E o time perde dois jogadores ao mesmo tempo. Não ganha profundidade pelas pontas e também não ganha criatividade por dentro.
  • É como se o Grêmio escolhesse jogar sem um meia e sem um ponta ao mesmo tempo.
  • E aí fica difícil entender o que exatamente o treinador busca.
  • Porque quando o Mec aparece por dentro, mesmo em lances isolados, o time melhora. A jogada sai. O drible acontece. O adversário é atacado. Existe alguma criatividade. Mas isso acontece pouco. Muito pouco.
  • Do outro lado havia um Corinthians que, mesmo com suas limitações, apresentou exatamente aquilo que falta ao Grêmio. Intensidade. Aproximação. Troca rápida de passes. Triangulações. Jogadores participando da mesma jogada ao mesmo tempo.
  • E isso ficou ainda mais evidente no segundo tempo.
  • O Grêmio faz 1 a 0 cedo e imediatamente recua. Entrega campo. Entrega posse. Entrega iniciativa. A partir daí passa a viver esperando um contra-ataque que raramente acontece. O Corinthians começa a empurrar o time para trás, cria volume, ocupa espaços e transforma o jogo praticamente num ataque contra defesa.
  • E sinceramente? Em nenhum momento parecia surpreendente que o empate fosse acontecer.
  • Porque o Grêmio não controla os jogos. O Grêmio sobrevive aos jogos.
  • Claro que existe contexto. Marcos Rocha não consegue sustentar intensidade física durante toda a partida. João Pedro precisou ser resgatado praticamente do esquecimento. Tetê está longe do rendimento esperado. Alguns jogadores vivem momento técnico ruim. Tudo isso é verdade.
  • Mas também existe um ponto que não pode mais ser ignorado: muitos dos problemas são coletivos.
  • Quando um time não consegue criar aproximações, não consegue construir jogadas, não consegue ocupar espaços entre linhas e não consegue manter a posse de bola minimamente organizada, a discussão deixa de ser apenas individual.
  • Ela passa a ser coletiva.
  • E aí chegamos ao ponto mais delicado de todos.
  • Se fosse qualquer outro treinador do futebol brasileiro vivendo exatamente esse cenário, provavelmente já estaria demitido.
  • Não é uma defesa de demissão. Não é um pedido de troca. É apenas uma constatação sobre como funciona o futebol brasileiro. Resultados ruins, desempenho ruim e pouca evolução normalmente levam ao mesmo destino.
  • Só que Luís Castro possui um respaldo que praticamente nenhum outro treinador teria.
  • A direção acredita nele. A direção acredita no projeto. A direção acredita que existe algo sendo construído para o futuro.
  • O problema é que o presente continua mostrando outra coisa.
  • E depois de assistir tudo de perto, a sensação que fica é justamente essa: o Grêmio pode até ter organização. Pode até ter planejamento. Pode até ter boas intenções.
  • Mas a evolução que o clube insiste em vender simplesmente não aparece dentro de campo.
Publicidade

Destaque