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Grêmio

As projeções que são feitas para a melhora do Grêmio vão exigir muito do torcedor!

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  • O mais interessante da coletiva do Luís Castro após o empate com o Montevideo City Torque nem foi ele dizer que o trabalho dele é “de médio para baixo”. O mais importante foi a fala do Grêmio antes disso. Porque em vez de surgir qualquer tipo de pressão interna, aconteceu exatamente o contrário. A direção saiu em defesa do treinador praticamente em bloco. Presidente falando, Felipão falando, recado em rádio, bastidor vazando informação de respaldo. Todo mundo reforçando a mesma ideia: Luís Castro não corre risco.
  • E isso revela muito sobre o momento atual do Grêmio. Porque hoje o clube parece muito mais preocupado em sustentar um projeto do que propriamente discutir desempenho imediato. O próprio presidente Odorico praticamente oficializou isso quando falou abertamente em “18 meses” para o clube começar a respirar melhor financeiramente. Ou seja: internamente, o Grêmio já trabalha com uma lógica de sofrimento prolongado. E talvez isso explique por que o discurso sobre o Luís Castro continua tão protegido mesmo com o time oscilando tanto.
  • Porque a direção enxerga nele muito mais do que só o treinador do time principal. Eles enxergam alguém ajudando numa reconstrução financeira através da base. O discurso interno é muito claro: se um ou dois desses guris explodirem, o clube reorganiza a casa. E sinceramente? Faz sentido. O problema é que isso também aumenta muito a tolerância com o desempenho dentro de campo. Porque aí qualquer crítica ao futebol apresentado acaba sendo respondida com um “mas olha o trabalho de bastidor”. E são discussões diferentes. Uma coisa é valorizar o uso da base. Outra é ignorar problemas que seguem aparecendo praticamente toda rodada.
  • O próprio Luís Castro voltou a falar sobre calendário, desgaste físico e falta de tempo para treinar. E isso é verdade. O Grêmio realmente vem jogando num ritmo absurdo. Só que também começa a existir um limite pra esse argumento. Porque não dá mais pra tudo virar justificativa automática. O time continua sofrendo defensivamente, continua desorganizado em vários momentos dos jogos e continua dependendo demais de mudanças no segundo tempo pra conseguir competir melhor. E isso vem acontecendo repetidamente.
  • A situação do Arthur mostra bem isso. Existia um acordo pra ele voltar aos poucos, entrando alguns minutos por partida. Só que o Grêmio tá tão necessitado de organização dentro dos jogos que o cara já tá entrando antes do previsto e sendo usado quase no desespero. E agora ainda existe o problema da repescagem da Sul-Americana, que vai apertar ainda mais o calendário. Jogos do Brasileirão devem ser remarcados, julho vira um caos e o próprio Luís Castro já começa a preparar o discurso do desgaste antes mesmo dessa sequência começar.
  • Mas talvez o movimento mais curioso tenha sido outro. O Felipão praticamente iniciou uma campanha pública de valorização do treinador. E não foi uma defesa qualquer. Ele citou até jogador da base de 15 anos que deve começar a treinar com o profissional pra reforçar a ideia de que o Grêmio tem alguém pensando o futuro do clube. A mensagem foi muito clara: “olhem além do resultado”.
  • Só que futebol brasileiro raramente funciona assim. Porque enquanto a direção fala em reconstrução de médio prazo, o torcedor olha pro campo querendo ver evolução agora. E talvez esse seja o grande conflito atual do Grêmio. O clube parece convencido de que tá no caminho certo, mas o time ainda não consegue convencer dentro de campo na mesma proporção. Toda entrevista da direção hoje parece quase uma tentativa de convencer o ambiente externo de que existe algo grandioso acontecendo nos bastidores.
  • Talvez exista mesmo, mas no futebol brasileiro existe uma regra que quase nunca muda: quando o desempenho demora demais pra aparecer, o discurso começa a perder força. E o Grêmio claramente aposta que vai conseguir sobreviver tempo suficiente até esse futuro prometido chegar.
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