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Foi isso o que mais me chamou atenção no jogo do Inter contra o Palmeiras

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  • O empate em 0 a 0 contra o Palmeiras, em São Paulo, foi um ótimo resultado para o Internacional. É o líder, um dos principais times do campeonato, uma equipe extremamente difícil de enfrentar dentro de casa e o Inter não apenas não perdeu como também não foi amassado. O Colorado competiu dentro da sua realidade, soube sofrer e conseguiu sair com um ponto importante. E, mais uma vez, todo mérito precisa ser dado a Paulo Pezzolano, que parece ter entendido uma coisa básica: o Inter não sabe jogar de forma ofensiva. É uma equipe com limitações enormes e, a partir disso, precisa jogar fechado, proteger a defesa e tentar encontrar um gol em uma escapada, em um contra-ataque ou em uma bola que apareça. Se não acontecer, o 0 a 0 também serve.
  • E é exatamente por isso que esse empate tem um gosto tão positivo. O Inter vem de uma sequência pesada, enfrentando Flamengo, Corinthians pela Copa do Brasil e agora Palmeiras, e conseguiu passar por esses jogos sem ser derrotado. Não é pouca coisa. Dentro do contexto atual do clube, eu quase diria que dá vontade de soltar foguete na Padre Cacique. O time entendeu as próprias limitações e está tentando sobreviver a partir delas. Contra o Palmeiras, isso ficou muito claro.
  • O Palmeiras teve 62% de posse de bola contra 38% do Inter, mas isso não significa que tenha sido uma pressão absurda. No segundo tempo, os paulistas apertaram um pouco mais, chegaram a jogar com dois centroavantes, com Vitor Roque e Flaco López, mas mesmo assim não conseguiram criar aquela avalanche que normalmente se espera quando o Palmeiras joga em casa. E esse é justamente o mérito do Inter. O Palmeiras teve mais a bola, mas não teve tantas oportunidades claras. O 0 a 0 foi justo e, principalmente, foi compatível com aquilo que o Internacional se propôs a fazer.
  • O Inter entrou com uma linha de cinco na defesa, mas Pezzolano fez algumas mudanças em relação aos últimos jogos. Bruno Gomes, Maripán e Félix Torres formaram a linha de três zagueiros, Vitinho e Mateo Bahía ficaram pelos lados, Bruno Henrique e Paulinho atuaram como volantes, Bernabei apareceu pela direita, Carbonero pela esquerda e Alan Patrick praticamente como um falso nove. É um 5-2-2-1 que, dependendo do momento, vira um 5-2-3. A ideia é muito clara: proteger a defesa, colocar dois jogadores na frente e deixar Alan Patrick com liberdade para recuar e tentar conectar os ataques.
  • E mais uma vez Maripán fez uma boa partida. Isso merece ser destacado porque, quando ele estreou mal, muita gente já decretou que o jogador era ruim. Eu, inclusive, reconheci que ele tinha feito uma partida ruim, mas sempre achei precipitado fazer uma avaliação definitiva de um jogador que tinha acabado de chegar. E agora ele está mostrando por que foi contratado. A mesma coisa aconteceu com Félix Torres. Ele chegou ao Corinthians cercado de expectativa, foi caro, veio de seleção e, quando não rendeu imediatamente, virou alvo. Depois, quando passou a ser mais protegido pelo sistema, melhorou. O Maripán está vivendo algo parecido no Inter. Se o treinador consegue montar um sistema que protege as características dele, o jogador consegue render muito mais.
  • Bruno Henrique também merece enorme destaque. Mais uma vez atuou como primeiro volante e fez uma partida estupenda. Protegeu a defesa, correu muito e fez o Inter não sentir tanto a ausência de Fernando. É um time extremamente solidário. Vitinho pode terminar jogando como lateral, pode terminar como falso nove. Bernabei, que anteriormente era lateral, já apareceu pela esquerda, agora joga pela direita. O Inter tem vários jogadores híbridos, capazes de cumprir funções diferentes, e isso ajuda muito na estratégia de Pezzolano.
  • Mas existe um problema nessa história toda e ele se chama Alan Patrick. Eu continuo não gostando da ideia de colocá-lo como uma espécie de falso nove. Não porque ele não tenha capacidade técnica para fazer isso, mas porque o contexto não ajuda. Alan Patrick é um jogador que precisa receber a bola, olhar para frente e encontrar alguém. Se ele estiver próximo do gol, melhor ainda. O problema é que, muitas vezes, ele recebe a bola muito longe da área, precisa disputar fisicamente com os zagueiros e depois ainda encontrar uma solução.
  • A ideia de Pezzolano parece ser justamente fazer Alan Patrick recuar para receber e, a partir daí, procurar Bernabei de um lado e Carbonero do outro. Só que isso depende muito da qualidade desses dois jogadores. E contra o Palmeiras nenhum dos dois conseguiu entregar o que vinha entregando. Bernabei fez partidas recentes em que praticamente carregou o ataque do Inter sozinho, mas dessa vez, deslocado para a direita, não conseguiu repetir o desempenho. Carbonero, por outro lado, continua abaixo. Se existe um jogador do Inter que está destoando negativamente nesse momento, é ele.
  • E isso também explica por que Alan Patrick está abaixo. Claro que ele poderia jogar melhor, mas não dá para colocar toda a responsabilidade nele. Quando ele domina a bola e olha para frente, precisa ter opções. Se Carbonero está mal e Bernabei não consegue repetir o nível das últimas partidas, Alan fica praticamente sem saída. Em alguns jogos, quando tinha pelo menos uma opção funcionando, o Inter conseguia encaixar algum contra-ataque. Contra o Palmeiras, nem isso aconteceu com tanta frequência.
  • Ainda assim, o Inter teve suas oportunidades. Já perto do final, apareceram dois contra-ataques que poderiam ter sido melhor aproveitados, além daquela escapada do Vitinho que quase terminou em gol. É exatamente disso que o Inter vai viver. Não vai ser um time que vai dominar os adversários, controlar posse de bola e criar dez oportunidades por partida. A realidade é outra. O Inter precisa ser sólido, esperar o momento e aproveitar as poucas chances que aparecerem.
  • E aqui está o principal ponto: Pezzolano parece ter entendido isso. O treinador percebeu que o Inter tem fragilidades e montou um time que consegue conviver com elas. É um time consciente, solidário e muito comprometido com aquilo que precisa fazer. Não é bonito, não é ofensivo, não é um futebol que vai encantar o torcedor, mas está funcionando. Contra o Palmeiras, funcionou muito bem.
  • Agora, o grande desafio é repetir isso contra adversários que não sejam Flamengo, Corinthians ou Palmeiras. Porque uma coisa é jogar fechado no NuBank Parque e outra é jogar no Beira-Rio contra Chapecoense, Remo ou outros times que também vão entregar a bola para o Inter. Aí o time vai precisar mostrar se consegue manter esse padrão defensivo sem simplesmente abrir mão do jogo. Ainda assim, eu não mudaria muita coisa agora. Se esse é o jeito que está dando resultado, é melhor repetir até que os jogadores ganhem confiança e o treinador consiga, aos poucos, acrescentar novas alternativas.
  • No fim das contas, o 0 a 0 foi um ponto conquistado. E, para esse Internacional, contra esse Palmeiras, fora de casa e depois de uma sequência tão pesada, é um ponto muito bem-vindo. O Inter já entendeu que não pode jogar de qualquer maneira. Precisa jogar dentro das suas limitações, ser competitivo, correr, marcar e esperar a oportunidade. Pezzolano parece ter entendido isso. E, neste momento, é exatamente o que o Colorado precisa fazer.
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