Grêmio
Presenciei uma das maiores atuações individuais da história da Arena
O Weverton acaba de fazer uma das maiores atuações individuais da história da Arena. É isso mesmo. O goleiro do Grêmio fez pelo menos cinco defesas que pareciam impossíveis e, praticamente sozinho, garantiu o empate contra o Palmeiras. Se a briga contra o rebaixamento já era uma realidade antes da partida, o Grêmio agora tem pelo menos um ponto a mais nessa caminhada por causa dele. E é tudo na conta do Weverton. Os outros jogadores tiveram enormes dificuldades, o time foi pressionado durante boa parte da partida, mas o goleiro simplesmente resolveu não deixar o Palmeiras ganhar.
Teve defesa de tudo quanto é jeito. Cabeçada, chute de longe, finalização à queima-roupa, bola por cima, bola por baixo, reflexo, desvio que ainda bate no travessão. Foi uma atuação magistral. Não tem muito o que retocar. Weverton não foi apenas o melhor jogador do Grêmio, foi disparado o melhor jogador em campo. E eu iria além: se a gente começar a listar grandes atuações individuais na história da Arena, colocando partidas de Luan, Douglas, defesas históricas de Marcelo Grohe e tantos outros nomes, o que Weverton fez contra o Palmeiras entra tranquilamente nessa conversa. Talvez top três, top cinco. Foi desse nível.
E ainda existe um ingrediente especial. O Palmeiras é um clube onde Weverton construiu uma história gigantesca, conquistou títulos e virou um dos grandes nomes recentes. Então fazer justamente contra esse adversário uma partida desse tamanho obviamente tem um significado diferente. Hoje ele é jogador do Grêmio e, pelo que está entregando, já dá para dizer sem muita dificuldade que é uma das melhores contratações dessa gestão. Talvez a melhor. Goleiro que dá ponto vale muito. E contra o Palmeiras ele deu um ponto praticamente sozinho.
A estreia de Renato Portaluppi na Arena acabou ficando em segundo plano justamente por causa disso. E também precisa existir calma na avaliação. Renato teve poucos dias para trabalhar. Não existia possibilidade de revolucionar o time. O máximo que podia fazer era ajustar posicionamento, simplificar funções e tentar proteger um elenco que vinha sofrendo demais. Foi exatamente isso. O Grêmio entrou muito mais fechado, praticamente num 5-4-1, com João Pedro e Pedro Gabriel pelos lados, Gustavo Martins, Balbuena e Wallace formando a linha de três zagueiros, Noriega e Villasanti no meio, Pavón ajudando numa ponta e Carlos Vinícius isolado lá na frente.
Era um Grêmio mais retrancado e fazia sentido. O Palmeiras é muito melhor neste momento, Renato não teve tempo para trabalhar e precisava primeiro impedir que o time continuasse sendo atropelado defensivamente. Só que mesmo com cinco defensores o Palmeiras criou muito, porque tem qualidade para isso. O maior problema do Grêmio foi o meio-campo. Noriega, mais uma vez, mostrou dificuldade para atuar numa linha de dois volantes. Luís Castro já tinha identificado isso. Ele funciona melhor como primeiro homem, protegendo diretamente a frente da área, e se atrapalha quando precisa alternar saída e cobertura ao lado de outro volante. Villasanti também não fez boa partida e o Grêmio praticamente não teve meio-campo.
A bola batia e voltava. Principalmente no primeiro tempo, o Grêmio vivia apenas de escapadas. Recuperava, tentava acelerar e rezava para alguma coisa acontecer. O Palmeiras teve uma intensidade muito alta e pressionou durante praticamente toda a etapa inicial. Na segunda, naturalmente caiu um pouco fisicamente e até entregou mais a bola ao Grêmio. E aí apareceu outro problema: quando o Grêmio precisa propor, também não sabe muito o que fazer. Faltam qualidade e mecanismos para trabalhar com posse.
Renato tentou corrigir algumas coisas. Tirou Noriega e colocou Danilo Barbosa para proteger melhor o sistema defensivo. O jogo ficou um pouco mais controlado, mas o Palmeiras continuou chegando e Weverton continuou salvando. O Grêmio também teve suas oportunidades, é verdade. Carlos Vinícius apareceu cara a cara em uma delas, teve bola na trave e algumas escapadas perigosas. Só que, se essa partida tivesse que ter um vencedor pelo que aconteceu em campo, seria o Palmeiras. Essa é a realidade. O empate só existe porque Weverton fez uma partida absurda.
E quando a gente olha individualmente para o restante do time, os problemas continuam aparecendo. João Pedro voltou porque o Grêmio estava sem lateral-direito e mostrou dificuldades físicas. Diego Caito teve lesão muscular e só deve voltar depois da parada. Pedro Gabriel também ainda não conseguiu se firmar na esquerda como se imaginava. Villasanti está abaixo. Carlos Vinícius ficou isolado, brigando sozinho com os zagueiros, tentando ganhar espaço, proteger bola e esperar alguém se aproximar. É muito pouco suporte ofensivo para o centroavante.
Depois Renato tentou Enamorado por um lado, Jovane Cabral pelo outro e Braithwaite no lugar de Carlos Vinícius. Só que aí aparece outra limitação: o banco também não transforma o time. Não existe aquela sensação de olhar para os reservas e pensar “agora entrou alguém que vai mudar o jogo”. Trocam as peças e muitas vezes o nível continua o mesmo. Esse é o elenco que Renato recebeu e vai precisar encontrar uma maneira de fazer funcionar.
Por isso imagino que a tendência daqui para frente seja fechar a casinha. Pode ser novamente com linha de cinco, pode virar duas linhas de quatro com um primeiro volante bem definido, mas acho difícil Renato querer transformar esse Grêmio num time que controla partidas com posse e joga no campo do adversário. O elenco não pede isso. O mais lógico é defender melhor, diminuir espaço, tornar os jogos mais feios se for necessário e tentar machucar nos contra-ataques e escapadas.
Agora vem a Data Fifa e Renato finalmente terá tempo para trabalhar. É aí que vamos conseguir avaliar alguma coisa de verdade. Contra o Palmeiras, ainda era um time praticamente herdado, com poucos ajustes. Depois da parada, ele terá que apresentar alguma evolução, porque a situação no Brasileirão continua perigosíssima.
Mas hoje o assunto é Weverton.
Sem ele, provavelmente o Grêmio estaria falando de mais uma derrota e talvez até de um placar pesado. Com ele, ganhou um ponto contra um dos melhores times do campeonato.
Que partida. Que atuação. E que goleiro o Grêmio tem.
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