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Ex-vice do Inter aumenta ainda mais a crise política no Inter

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Alexandre Lops/Inter

Em seu espaço numa coluna digital toda a sexta-feira no site Espaço Vital, Roberto Siegmann, ex-vice do Internacional, rebateu com veemência as declarações dadas por D’Alessandro e Roberto Melo recentemente na imprensa.

Pra quem não sabe, ele e Luciano Davi foram ditos como os principais alvos das criticas de ambos.

Siegmann contesta, inclusive, o fato de D’Alessandro estar sendo usado politicamente pela atual gestão colorada.


Aqui o texto assinado por Roberto Sigmann:

A inversão dos valores pela covardia

Um dos principais problemas que vivemos no Brasil é o da inversão de valores e o desrespeito às instituições. É bem verdade que elas, as instituições, tampouco se ajudam. Vide o Supremo Tribunal Federal que, a cada sessão, se encalacra ainda mais perante a sociedade.

Lembro de um episódio no qual a minha filha, discutindo com uma senhora que havia afirmado que ela não poderia dizer algo, respondeu: “Aprendi com os meus pais que não devemos esconder nossas opiniões, pois, se assim agirmos, estaremos ludibriando, sendo quem não somos”.

É verdade. Penso exatamente assim!

Digo isso porque recebi inúmeros conselhos para me abster de comentar as opiniões do capitão do time, antecedentes ao Gre-Nal de ontem e, ainda, as declarações daquele que ocupa, em caráter definitivo, durante toda a atual gestão, independentemente do seu desempenho, a vice-presidência de futebol.

Pois bem.

Quanto ao jogador que nesse espaço sempre foi alvo dos meus elogios, reconhecida a sua relevância no time, tenho apenas alegações preliminares, pois, antes de tudo, possuímos natureza de liame com o Internacional bem distintas.

Ele é um empregado do clube, inserto na sua estrutura e, nessa condição, percebe como contraprestação um expressivo e invejável salário. Paralelamente, tenho 28 anos de vida clubística, sem receber direta, indiretamente, oficialmente ou não, qualquer valor ou vantagem, como é exigível a todos que voluntariamente se dedicam ao clube. Atuei e atuo, exclusivamente motivado pela minha paixão, sendo que ela não se mede por contrato ou dinheiro.

Não responsabilizo o jogador, pois imagino que diante dos nossos visíveis problemas técnicos, a sua mente esteja focada nos treinos e nas competições, não na política de bastidores.

Já esclareço, como um antídoto aos fofoqueiros e maliciosos de plantão, que a carapuça não me serviu. Todas as críticas que fazemos, tanto o grupo político que integro, como eu, são fundamentadas e acompanhadas de propostas disponibilizadas a todos.

Apenas divergimos quanto aos métodos de gestão que se mostram ineficientes, retrógrados e, portanto, obsoletos. Queremos, como todos os colorados, o melhor para o nosso clube. Ocupamos os espaços institucionais que conquistamos graças aos votos que nos foram confiados pelos associados. Jamais omitimos ou encobrimos nossas posições e propostas.

Agora, frise-se: não abdicamos ou renunciamos ao direito de criticar!

Lembram do ano em que caímos? Pois é, salvo raríssima exceção, na qual não se incluem o atual presidente e o vice de futebol, não havia crítica, sequer no Conselho Deliberativo. O papel de fiscalização foi mitigado pelo aparente e falso desejo de harmonia.

Não há um registro em ata do Conselho com posicionamento dos senhores Marcelo Medeiros, Roberto Melo e boa parcela de seus pares.

Em síntese, quando a vaca é de presépio, o gato que derruba a manjedoura é livre e de carne e osso.

O que lamento é que o capitão do time tenha sido indireta e maliciosamente instrumentalizado pela atual direção. Em um ato vil, utilizaram o jogador como verdadeiro boneco de ventríloquo. É improvável, pelo que conhecemos do capitão, que às vésperas de um Gre-Nal, após dois resultados negativos, estivesse preocupado com a política do clube

O que houve é gravíssimo!

Lembro de uma outra oportunidade na qual os jogadores foram instrumentalizados. Foi quando da tragédia com a Chapecoense. Os jogadores foram perfilados perante as câmeras das emissoras de tevê de todo o Brasil por ordem da direção de então (Vitório Píffero, presidente; Fernando Carvalho, vice de futebol). Logo, a ideia de instrumentalizar não é nova, assim como a covardia tampouco o é.

Mas as pérolas da noite da vitória, na qual, de alguma forma resgatamos o nosso papel na competição, foram as declarações do Sr. Melo. Não contente com a armação da semana, com o factoide criado, passou a insinuar que a culpa de tudo era de conselheiros que passaram sem sucesso pelo vestiário.


Aqui a carapuça tampouco me serve! Sequer posso ser comparado a ele. Melo não ganhou sequer um Campeonato Gaúcho, perdendo dois em sequência. Quando fui vice de futebol, ganhamos em condições muito mais difíceis que as atuais, dentro do Olímpico e cuja conquista já era festejada pelo adversário. A obrigação de Melo, como dirigente, é de acusar menos e planejar mais. Um clube da grandeza do Internacional não pode ficar dois anos sem vencer o Campeonato Gaúcho.

Fui diretor de futebol na campanha que nos levou à conquista do bi da Libertadores. Já o senhor Melo passou pelas categorias de base exatamente no período da fase vergonhosa e do engendrado time B (Inter B – uma sinecura e vitrine de negócios para terceiros), por mim encerrado.

O que lamento é que foi inaugurado no Beira-Rio, diante da fraqueza dos atuais dirigentes – que não se capacitam sequer para a formulação de frases articuladas nos microfones – a trincheira institucional para os covardes. Se valem dos ídolos com vilania para atacarem conselheiros que legitimamente exercem o papel de representantes dos sócios; usam do espaço pós-jogo para atacarem pessoas inominadas.

Todavia, como o Internacional é perene e as “figurinhas” passam, digo que o caminho que apontam é arriscado e todo o nosso cuidado é pouco.

Bem, saúdo a torcida colorada pelo resultado frente ao adversário, amenizando as mazelas que nos impõem.

Um aviso final: se algum dia eu tiver que esconder alguma opinião ou princípio que defendo para ser politicamente palatável como candidato, não contem comigo. Não contem porque, como sempre, enganar não dá certo.

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