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Os detalhes financeiros surpeendentes que a direção do Inter apresentou

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  • O Internacional entra em campo nesta terça-feira contra o Atlético já carregando um peso que vai muito além da simples classificação na Copa do Brasil. Claro que existe favoritismo. O próprio Alex, técnico do time adversário, admitiu isso publicamente depois da derrota por 2 a 1 no primeiro jogo, em Florianópolis. E sinceramente, seria uma surpresa enorme se o Inter não confirmasse a vaga no Beira-Rio. Até porque existe uma diferença técnica clara entre os elencos e também uma necessidade financeira importante por trás dessa partida.
  • Porque não é só futebol. Passar de fase significa colocar mais R$ 3 milhões no caixa. Somando com os R$ 2 milhões já garantidos por disputar essa etapa, o clube chegaria em aproximadamente R$ 5 milhões arrecadados na competição. E quando a gente olha o cenário financeiro colorado, qualquer valor desse tamanho acaba tendo peso enorme.
  • Ao mesmo tempo, o momento do Inter dentro de campo talvez seja melhor do que a tabela geral do Brasileirão faz parecer. Sim, o clube ainda aparece ali numa posição desconfortável, perto da metade inferior da tabela, mas existe um recorte que internamente começa a gerar um pouco mais de confiança. Nas últimas 10 rodadas do Campeonato Brasileiro, o Inter tem a quinta melhor campanha da competição segundo os dados da Universidade Federal de Minas Gerais. E isso conversa diretamente com aquela virada de chave que o próprio Pezzolano vem tentando construir desde o jogo contra o Santos.
  • Aliás, talvez esteja justamente aí a principal mudança do Inter. O time deixou de insistir naquela ideia de controlar os jogos o tempo inteiro para apostar muito mais num modelo reativo. Contra o Coritiba, por exemplo, ficou muito claro. O Internacional entregava a bola de propósito em vários momentos porque queria o espaço para contra-atacar. E isso também explica porque a campanha colorada como visitante é boa. O Inter hoje tem uma das melhores campanhas fora de casa no Brasileirão. O problema continua sendo o Beira-Rio.
  • E isso chama atenção porque durante muitos anos o Beira-Rio foi justamente um diferencial do clube. Só que hoje o rendimento em casa derruba bastante a campanha colorada. Como mandante, o Inter aparece perto da zona de rebaixamento no recorte do campeonato. Não significa que o estádio virou um problema, mas claramente o fator local já não produz o mesmo impacto de outras temporadas.
  • Mesmo assim, o Pezzolano segue sustentando publicamente a confiança no grupo. Depois do último jogo, por exemplo, ele saiu defendendo jogadores que vinham sendo questionados. Disse que não viu falha do Rochet, elogiou bastante o Tabata e voltou a destacar o Alan Patrick como um jogador capaz de resolver situações que poucos no futebol brasileiro conseguem enxergar. Também reforçou a importância do Borré, que voltou a marcar e parece retomando espaço.
  • Só que talvez a declaração mais interessante tenha sido sobre o Vitinho. O treinador praticamente deixou escapar que o atacante está muito próximo de recuperar espaço entre os titulares. Pezzolano falou sobre a força física, verticalidade e capacidade de explosão do jogador.
  • Mas inevitavelmente a discussão financeira continua aparecendo no Inter o tempo inteiro. E isso ficou muito evidente na aprovação das contas da gestão Barcellos no Conselho Deliberativo. Oficialmente, as contas foram aprovadas sem ressalvas. Só que quando a gente olha os números da votação, o cenário parece menos tranquilo do que o comunicado oficial tenta transmitir.
  • Porque aproximadamente 45% dos conselheiros votaram pela aprovação total. Só que quase 30% defenderam aprovação com ressalvas e outros 25% votaram contra. Ou seja: mais da metade dos presentes demonstrou algum tipo de desconforto com a situação financeira apresentada pelo clube.
  • E o principal ponto de discussão segue sendo a Liga Forte. O Inter contabilizou lá atrás cerca de R$ 218 milhões pela venda de direitos de televisão, mas depois a operação efetivada acabou sendo menor do que a inicialmente prevista. Agora o clube vai precisar diluir esse ajuste financeiro ao longo dos próximos anos, reduzindo receitas futuras em parcelas anuais.
  • Na prática, muita gente dentro do Conselho entende que o dinheiro entrou como receita cheia num primeiro momento, mas a correção está sendo distribuída aos poucos para não gerar um impacto gigantesco imediato nas contas do clube. Até porque um prejuízo muito elevado poderia trazer problemas em regras financeiras, Profut e controles da CBF.
  • Ao menos alguns indicadores melhoraram. O faturamento do Inter cresceu bastante e ficou perto dos R$ 800 milhões na última temporada. Além disso, o clube fechou o ano com pequeno superávit e conseguiu reduzir a dívida total, que caiu de cerca de R$ 978 milhões para R$ 939 milhões.
  • Ainda é uma dívida extremamente alta. Ainda existe um caminho enorme pela frente. Mas pelo menos os números mostram uma tentativa de estabilização financeira enquanto o clube tenta também reorganizar o futebol dentro de campo.
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