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Grêmio

Vim ver pessoalmente e tenho boas notícias sobre o Grêmio do Luís Castro

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  • O Grêmio conseguiu uma vitória extremamente importante na Arena e, mais do que os três pontos, mostrou sinais claros de evolução. A equipe ainda está muito distante daquele time que o torcedor gostaria de ver, mas já existe uma ideia de jogo mais definida, um padrão tático e, principalmente, jogadores começando a responder dentro desse sistema. Para quem viu o Grêmio contra o Corinthians antes da parada, a diferença é muito grande. Naquela ocasião, o time parecia ter voltado pior. Agora, dá para enxergar trabalho do técnico Luís Castro.
  • O treinador encontrou um jeito de jogar. Quando defende, o Grêmio atua praticamente em um 4-1-4-1, com Noriega à frente da defesa e dois jogadores de cada lado do meio-campo. Quando ataca, existe um tripé no meio, dois pontas e Carlos Vinícius na frente. Não é um futebol espetacular, não é um time que está gastando a bola, mas é uma equipe que sabe o que precisa fazer. E, neste momento, isso é extremamente importante para um elenco que vinha completamente perdido.
  • E existem algumas descobertas muito interessantes. Para mim, o Grêmio achou um zagueiro. O Walace, que veio do CRB, está mostrando personalidade, força física, boa leitura e, principalmente, segurança. Ele joga pela esquerda, sabe sair jogando e parece entender exatamente o que precisa fazer. A amostragem ainda é pequena, obviamente, mas vendo o jogador de perto, a impressão é muito boa. Hoje, eu colocaria o Walace à frente do Gustavo Martins sem pensar duas vezes. Ele me lembra bastante o Kannemann pela personalidade e pela maneira de competir. E, sinceramente, eu não imaginava que o Grêmio fosse encontrar tão rapidamente uma reposição tão interessante para uma posição que parecia problemática.
  • Outro ponto muito positivo é Diego Caito. O lateral-direito melhora o time e permite que Pavon jogue na posição em que realmente rende mais, como ponta. E tem também o Noriega, que eu sempre gostei como jogador. Já gostei dele como zagueiro e agora estou gostando ainda mais como primeiro volante. Ele não é veloz, mas tem imposição física, protege a frente da área e dá uma estabilidade que o Grêmio estava precisando muito. É aquele jogador que talvez não faça uma jogada espetacular, mas organiza o setor e deixa o time mais seguro.
  • O problema é que, junto dessas boas notícias, continuam aparecendo os mesmos erros individuais. O Nardoni fez uma partida muito ruim, perdeu uma bola que acabou originando o gol sofrido pelo Grêmio e deixou o torcedor irritado. O Jovane Cabral também teve uma atuação muito abaixo e praticamente não conseguiu produzir pelo lado esquerdo. Enquanto Pavón e Villasanti ainda tentavam alguma coisa pela direita, o lado esquerdo simplesmente não funcionava. Luís Castro percebeu isso e mexeu no intervalo, colocando Amuzu no lugar de Giovani Cabral.
  • E aqui aparece outro mérito do treinador. O empate do Grêmio saiu de uma jogada trabalhada de bola parada. Carlos Vinícius cabeceou para o meio e Walace apareceu de surpresa para marcar. Isso é trabalho. É exatamente o tipo de detalhe que mostra que existe treinamento por trás da equipe. Depois, Luís Castro também percebeu rapidamente que Nardoni estava comprometendo e fez a troca. Colocou Dodi, manteve a estrutura e tirou do campo um jogador que estava começando a contaminar o desempenho da equipe e a paciência da torcida.
  • Depois disso apareceu Pavón. E, por mais que ele tenha errado bastante durante a partida, é impossível ignorar que o argentino está entregando gols importantes. Mais uma vez, cobrou uma falta com inteligência, tirou da barreira, dificultou a vida do goleiro e marcou. Pode discutir se a barreira ajudou ou não, mas a cobrança foi dele. O Grêmio precisava de um jogador que resolvesse uma partida assim e, neste momento, Pavón está fazendo isso.
  • Agora, existe um problema muito claro: o Grêmio ainda é um time de uma nota só. E talvez isso seja até proposital neste momento. Luís Castro parece ter entendido que é melhor construir uma coisa simples, repetir o comportamento e ganhar confiança antes de tentar inventar demais. É aquela ideia de ir de menos para mais. Primeiro encontra uma estrutura, depois começa a colocar variações.
  • Só que o próximo passo precisa ser justamente esse. O Grêmio precisa variar mais. Hoje, é muito previsível. A equipe joga pelos lados, tenta chegar por ali e muitas vezes não consegue criar nada pelo meio. Falta troca de posição, falta movimentação, falta começar uma jogada por um lado e terminar pelo outro. Diego Caito poderia atacar mais em determinados momentos, Marlon poderia ficar, os volantes poderiam inverter posições e os pontas poderiam aparecer por dentro. Não precisa mudar o esquema. Precisa criar alternativas dentro dele.
  • Porque, se o Grêmio continuar jogando exatamente da mesma maneira, os adversários vão começar a entender. E aí fica muito mais difícil. A evolução defensiva é evidente, mas ainda existe uma distância enorme na qualidade ofensiva. Carlos Vinícius, por exemplo, está muito abaixo do que já apresentou. Perdeu uma oportunidade muito clara no primeiro tempo e teve outra situação depois que um centroavante do nível dele normalmente resolveria. Parece outro jogador depois da parada.
  • E o cenário fica ainda pior quando entra Braithwaite. A sensação hoje é que a torcida já perdeu boa parte da confiança nele. Carlos Vinícius ainda tem um pouco mais de crédito, mas o dinamarquês entra e não consegue mudar a partida. Isso também é um problema para Luís Castro, porque o banco ainda não oferece tantas soluções.
  • Mesmo assim, não dá para sair dessa partida reclamando do Grêmio. Pelo contrário. O time tem problemas, tem jogadores que estão comprometendo e ainda precisa melhorar muito, mas existe evolução. Walace parece uma grande descoberta, Diego Caito está dando resposta, Noriega trouxe estabilidade, Marlon voltou a jogar bem e o sistema defensivo está muito mais organizado.
  • E tem o goleiro Weverton, que para mim merece um destaque especial. Depois que o Grêmio fez 2 a 1, o adversário pressionou muito e ele fez duas defesas enormes. Uma delas foi simplesmente absurda. É cedo para cravar qualquer coisa, mas, até aqui, ele está se mostrando uma das melhores contratações da temporada.
  • Então é isso: o Grêmio ainda não é um grande time, está longe disso. Mas agora existe um caminho. Antes, não existia nem isso. Luís Castro encontrou uma estrutura, os jogadores estão começando a entender o que precisam fazer e algumas contratações estão respondendo muito melhor do que se imaginava. Se o treinador conseguir, aos poucos, colocar mais variações ofensivas sem destruir essa organização que finalmente apareceu, aí sim podemos começar a imaginar um Grêmio mais competitivo.
  • A vitória é importante justamente por isso. Não é apenas pelo resultado. É porque, depois de muito tempo, dá para olhar para o Grêmio e enxergar alguma construção. Ainda tem muita coisa para melhorar, mas pelo menos agora existe um caminho para seguir.
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