Entre pro time

Grêmio

Direção do Grêmio muda discurso e cogita demissão de Luís Castro

Publicado

em

  • Luís Castro não está mais garantido como técnico do Grêmio. E essa é uma mudança muito importante no discurso interno do clube. Durante bastante tempo, mesmo depois de derrotas, atuações ruins e vaias na Arena, a informação que vinha da direção era sempre a mesma: esqueçam a possibilidade de demissão. Luís Castro estava bancado, era elogiado pelas mudanças internas, havia até dirigente dizendo que ele fazia praticamente um milagre dentro do Grêmio. Agora o papo mudou. A paciência está chegando no limite e já existe, sim, uma chance real e concreta de troca no comando técnico.
  • Isso não significa necessariamente que Luís Castro será demitido nas próximas horas. O Grêmio tem Botafogo na quarta-feira e Palmeiras no domingo, e existe a possibilidade de a direção dar esses dois jogos como uma última oportunidade antes da Data Fifa. Depois do Palmeiras, o clube teria cerca de 16 dias sem partidas para eventualmente trocar o treinador, contratar outro nome e começar um trabalho diferente. Mas o mais importante é entender que, pela primeira vez, a permanência deixou de ser uma certeza. Se os próximos resultados forem ruins, ele pode cair.
  • A própria direção está deixando isso vazar de maneira bastante clara. Uma pessoa importante da alta cúpula chegou a dizer algo na linha de: “Nós não somos burros e nem teimosos”. Ou seja, o Grêmio quer mostrar que está enxergando o que todo mundo está enxergando. Não é burro a ponto de não perceber que o time joga mal e também não quer ser teimoso insistindo eternamente numa ideia que não está funcionando. Outra frase que circulou internamente foi ainda mais simples: “Tudo tem limite”. E parece que o limite de Luís Castro está começando a chegar.
  • O que segura uma troca imediata não é necessariamente multa, salário ou dinheiro. O principal problema hoje é outro: quem vem? Não existe um treinador óbvio disponível no mercado que faça o Grêmio olhar e dizer: “É esse cara. Demite o Luís Castro agora e contrata esse aqui”. Se existisse um nome com consenso, como um Dorival Júnior livre no mercado, a sensação é de que a troca poderia acontecer muito rapidamente. Só que esse treinador não está disponível. E demitir apenas por demitir, sem saber quem vai assumir, também traz um risco enorme numa temporada em que o Grêmio está com pontuação de time que briga contra o rebaixamento e, ao mesmo tempo, está a três jogos de conquistar uma Copa do Brasil.
  • Existe também o custo. Luís Castro tem um contrato pesado e, numa eventual saída agora, o Grêmio ainda teria valores importantes para pagar. A conta gira na casa dos R$ 2 milhões mensais pela estrutura do treinador, e um novo técnico de nível alto dificilmente chegaria por menos de R$ 1 milhão por mês com sua comissão. Então, por alguns meses, o Grêmio poderia acabar gastando algo próximo de R$ 3 milhões mensais apenas com comissões técnicas. É muito dinheiro. Só que, pelo que se sabe, isso não é o fator que está travando a decisão. O que pega mesmo é encontrar alguém que a direção tenha convicção de que fará um trabalho melhor.
  • Alguns nomes naturalmente começam a aparecer. Tite já foi lembrado nos bastidores e existe toda aquela repercussão do áudio de Celso Rigo, uma figura influente no ambiente gremista. Renato Portaluppi também surge automaticamente sempre que existe alguma crise no Grêmio. E aí tem uma situação curiosa: seria um time ameaçado no Brasileirão, mas ao mesmo tempo com três partidas para ganhar uma Copa do Brasil. Para Renato, uma possível conquista poderia significar ainda mais um capítulo histórico no clube. A dúvida é se ele teria interesse em assumir essa barca agora. São discussões que existem, mas não há neste momento um substituto definido.
  • Por isso Botafogo e Palmeiras podem virar praticamente dois jogos decisivos para Luís Castro. Se o Grêmio responder, conseguir bons resultados e respirar no Campeonato Brasileiro, o treinador compra tempo. Segue tentando desenvolver o trabalho e chega vivo para preparar a semifinal da Copa do Brasil. Se vierem novas atuações ruins e novas derrotas, aí a Data Fifa aparece como uma janela muito boa para uma mudança. São 16 dias para encontrar um substituto e dar alguns treinos antes da sequência seguinte.
  • E isso tudo chama ainda mais atenção porque há pouco tempo o discurso era completamente diferente. Depois do sorteio da Copa do Brasil, Alex Leitão foi perguntado diretamente se Luís Castro ficaria e respondeu: “Sim, claro”. Disse que era o treinador do Grêmio e tinha a confiança da direção. Até então, era isso mesmo. A direção bancava. Só que futebol muda rápido. Vieram novas derrotas, o time não apresentou evolução coletiva, a zona de rebaixamento se aproximou e a pressão aumentou.
  • Então hoje a informação é simples: Luís Castro não está mais intocável. Não quer dizer que ele caiu, nem que a demissão está assinada. Mas aquela convicção absoluta que existia deixou de existir. O Grêmio está olhando, avaliando e admitindo internamente que pode trocar.
  • Agora Botafogo e Palmeiras podem definir muita coisa. Se o time reagir, Luís Castro respira. Se continuar mostrando o mesmo futebol lento, previsível e sem evolução, a Data Fifa pode marcar o início de um novo trabalho na Arena.
Publicidade

Destaque