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Grêmio

Esse é o Grêmio do Luís Castro e dos jogadores do Grêmio

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  • O Grêmio perdeu por 2 a 1 para o Vasco dentro da Arena e agora não dá mais para tratar a zona do rebaixamento como alguma coisa distante. O Tricolor tem pontuação de time que briga lá embaixo e terminou a partida com mais de 34 mil torcedores gritando “vergonha, time sem vergonha”. Depois da classificação sobre o Inter na Copa do Brasil, existia alguma empolgação, uma expectativa de que aquele Gre-Nal pudesse representar uma virada de chave e fazer o Grêmio finalmente sair da zona da confusão. Não aconteceu. Pelo contrário. O Atlético-MG está chegando para a semifinal da Copa do Brasil voando baixo, enquanto o Grêmio segue marcando passo no Brasileiro. E não tem nem como dizer que a derrota para o Vasco foi injusta. Futebol também tem merecimento. Tu pode até achar um gol, como o Grêmio achou, mas precisa fazer alguma coisa para merecer os três pontos. O Grêmio não fez.
  • Esse é o Grêmio de Luís Castro. Lento, previsível, com pouquíssimo jogo coletivo e repetindo problemas que aparecem praticamente desde que o treinador chegou. Só que também é o Grêmio dos jogadores do Grêmio. Não dá para jogar tudo no colo do técnico quando Tetê, Nardoni e outros jogadores cometem erros desse tamanho. Da mesma maneira, não dá para absolver Luís Castro quando, depois de tantos meses de trabalho, o time continua pegando a bola e aparentemente não sabendo o que fazer com ela. As duas coisas existem ao mesmo tempo. Tem deficiência de treinador e tem deficiência técnica de jogador. E quando tu junta tudo, aparece exatamente o que nós vimos contra o Vasco.
  • O primeiro tempo resumiu bastante isso. O Grêmio teve duas ou três jogadas. Kannemann fez um lançamento longo para Tetê, ele dominou, encontrou Diego Caito, que cortou para dentro e bateu de esquerda. Depois o próprio Tetê conseguiu uma finalização interessante na entrada da área. E acabou. Não teve uma construção coletiva constante, não teve uma sequência de ataques trabalhados. Até o gol do Grêmio foi um achado. Jovane Cabral fez uma pressão alta, que nem é característica desse time, roubou a bola e ela chegou para Villasanti. Léo Jardim falhou, Villasanti foi esperto, entrou na área e fez 1 a 0. Mérito do volante por estar ali? Claro. Mas o gol não nasceu de um mecanismo que o Grêmio repete e trabalha. Foi uma bola recuperada, uma falha do Vasco e o Grêmio aproveitou.
  • E mesmo vencendo, quem novamente precisou salvar o time foi Everton. O goleiro fez pelo menos três grandes defesas durante a partida. Três milagres. O Vasco marcou duas vezes e poderia ter feito quatro, cinco se o Grêmio não tivesse um goleiro de nível de Seleção Brasileira, com duas Copas do Mundo no currículo. Everton é uma baita contratação e tem todos os méritos por isso. Só que quando o teu goleiro precisa ser o principal jogador praticamente toda rodada, alguma coisa está muito errada. O ponto positivo começa até a virar prova do tamanho do problema defensivo.
  • Existem jogadores que ainda conseguem dar resposta. Diego Caito tem qualidade, Wallace tem seus momentos, Villasanti fez uma boa partida, Krovinović é um jogador tecnicamente bom e Kannemann novamente foi bem. Krovinović terminou até jogando aberto pela esquerda, mas evidentemente não vai virar um ponta. É um meia atuando pelo lado. O problema está principalmente quando o Grêmio precisa de qualidade ofensiva. Tetê novamente entregou muito pouco. Participou de dois lances no primeiro tempo e foi isso. Quando saiu para a entrada de Enamorado, foi vaiado pela torcida. E isso já começa a virar rotina. Só que Enamorado entra e também não muda absolutamente nada. Troca um, coloca outro e o nível ofensivo continua muito baixo.
  • O empate do Vasco expõe ainda mais os problemas coletivos. O Grêmio estava posicionado para marcar e mesmo assim permitiu uma inversão para uma zona completamente vazia. O jogador vascaíno recebeu sem ninguém por perto, avançou e cruzou. Dentro da área tinha um monte de gremista, cinco ou seis jogadores, mas a marcação virou uma espécie de pebolim. Todo mundo estava lá e ninguém resolveu. O Vasco empatou e ninguém poderia dizer que era injusto. Naquele segundo tempo, só o Vasco conseguia jogar minimamente. O Grêmio tentava sair em contra-ataque e nunca encaixava. O Vasco também errava bastante, até porque é outro time que está brigando na parte de baixo, e por isso a partida ficou ruim. Mas, mesmo num jogo ruim, o adversário conseguia ser melhor.
  • Aí, quando tu imagina que depois do 1 a 1 o Grêmio vai se soltar, tentar vencer em casa e pressionar, acontece o contrário. Nardoni entra justamente para preencher o meio-campo e entrega um presente ao Vasco. Tenta uma inversão que ninguém consegue explicar, dá a bola para o adversário e a jogada termina no segundo gol. E é por isso que não dá para fazer uma análise dizendo apenas “culpa do Luís Castro”. O treinador tem uma responsabilidade enorme porque o time não evolui coletivamente, mas existem jogadores cometendo erros técnicos muito graves. Tetê entrega pouco. Nardoni entra e participa diretamente do gol adversário. Jovane Cabral teve o mérito na jogada do gol gremista, mas também segue entregando pouco no conjunto da obra.
  • O ataque praticamente não tem individualidades que resolvam. O que o Grêmio tem de melhor individualmente está concentrado lá atrás: goleiro, lateral, zagueiro. Kannemann joga bem, Everton salva, Diego Caito consegue produzir. Só que quando chega no setor ofensivo, falta tudo. Falta coletivo e falta individual. E ainda existe um problema sério pelo lado esquerdo. Pedro Gabriel sofreu novamente, principalmente no primeiro tempo, com o Vasco jogando nas costas dele. Em determinado momento precisou parar adversário com falta e tomou amarelo porque simplesmente não estava conseguindo acompanhar. É um garoto, precisa ser considerado, mas o problema existe.
  • Então não é exagero da torcida quando aparecem os protestos. O Grêmio tem gigantescas dificuldades para jogar futebol neste momento. Tem problemas que passam por Luís Castro e problemas que passam diretamente pelos jogadores. O 3 a 0 no Gre-Nal foi uma atuação enorme, classificou o time para a semifinal da Copa do Brasil e deu uma anestesiada em todo mundo. Só que aquilo não pode esconder o restante da temporada. Desde então, o Grêmio perdeu para o Vitória e agora perdeu dentro de casa para o Vasco. O Brasileiro continua cobrando.
  • E agora não dá mais para ficar dizendo apenas que o Grêmio está “do outro lado da rua” olhando a zona da confusão. Está chegando cada vez mais perto de atravessar. Tem pontuação de Z4, não consegue engrenar no Campeonato Brasileiro e acaba de sair de campo ouvindo mais de 34 mil pessoas gritarem “vergonha, time sem vergonha”.
  • Quem vai criticar o torcedor por isso? Não tem como. Neste momento, essa é a realidade do Grêmio.
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