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Algumas informações que pouca gente sabe sobre a compra da gestão da Arena pelo Grêmio

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Wesley Santos/Press Digital

Quero falar sobre a questão as obras do entorno da Arena. Sei que é meio chato a galera aceitar, mas o que tá rolando aqui é o seguinte:

Em 2008, quando assinou o contrato, Grêmio e OAS se comprometeram a realizar diversas obras de melhorias no bairro do Humaitá. Resumidamente, isso sempre é feito em grandes obras para compensar o impacto que tu vai causar na cidade por conta do teu empreendimento.

Fala-se que, na época, o orçamento era de quase R$ 200 milhões em melhorias no bairro. Confesso que o valor que achei em reportagens falava em R$ 160 milhões em benefícios. Enfim, é fato que era um valor alto.


Prefeitura e Ministério Público já reduziram duas vezes o valor das obras do entorno – Wesley Santos/Press Digital

Entre as melhorias, estaria a construção de escolas, uma creche comunitária, associação de moradores e melhorias nas ruas do entorno, duplicação da AJ Renner, por exemplo.

Só que a verdade é que o estádio ficou pronto, a Lava Jato veio, faliu a OAS e nada do que deveria ter sido feito como compensação à sociedade pelos impactos ambientais da obra foram entregues.

A partir daí começou uma série de negociações pra tentar solucionar este problema:

  • No final de 2014, a prefeitura e o Ministério Público aceitaram uma redução de 30% dos investimentos que seriam feitos em nome de um acordo. Os quase R$ 200 milhões, vieram pra R$ 138 milhões. A alegação era que se isso fosse pra justiça iria demorar muito. Então, era melhor negociar. As obras até começaram em dezembro de 2014, mas pararam em março de 2015.
  • Na metade de 2018, um novo acordo teve que ser feito. Ainda com tudo parado, prefeitura e MP tiveram que aceitar reduzir o investimento para os atuais R$ 43 milhões. Motivo? Quando se criou o complexo Arena, ficou prevista a construção de um hotel, um shopping e diversas salas comerciais por ali. Como nada disso vai ser feito, a contra partida pelo impacto teria que ser menor. E novamente prefeitura e MP aceitaram a redução.
  • Agora, o que se discute não é mais o valor e sim as garantias que essa obra vai sair. No seu último parecer, o MP alega que não pode assinar um acordo por pelo menos três motivos que vou listar abaixo:
  1. O Grêmio quer criar duas empresas. Uma sua e outra da OAS. A sua empresa vai tocar a Arena e a grana que entrar da Arena vai para a empresa da OAS fazer estas obras. O problema é que estas empresas sequer foram criadas e o MP diz que não tem como assinar um acordo com empresas que não existem, ninguém sabe seus sócios ou patrimônio.
  2. O Grêmio diz que vai bancar até R$ 43 milhões e deu. Se passar do valor previsto, não é mais com ele. E o MP quer saber quem vai pagar a conta se a obra passar da quantia orçada.
  3. O Grêmio garante o dinheiro, mas não a execução da obra. Resumidamente, se a OAS não entregar as obras, o Grêmio não faz nada. O clube trata de futebol. Não vai se responsabilizar por tocar uma obra. Sendo assim, se por acaso a OAS falhar de novo, sobra tudo para a prefeitura de Porto Alegre.

E, embora muitos possam dizer que hoje não tem nada e é melhor o Ministério Público aceitar esse acordo de uma vez, a verdade é que MP e prefeitura já aceitaram reduções drásticas por pelo menos duas vezes.

Mas o principal nem é isso. O principal é que essa é a última carta na manga que o estado tem para conseguir negociar em bons termos. Afinal, todos sabem do quanto é importante para o Grêmio a compra da gestão. O MP sabe disso. E tenta construir o melhor e mais seguro acordo que for possível porque se o Grêmio comprar a gestão não vai mais ter nada a negociar.

O tema é complexo e o presidente Romildo já disse pelo menos duas vezes neste ano que pensa seriamente em desistir da compra. Mas também não podemos esquecer que, em março de 2017, o Grêmio soltou nota no site dizendo que estava desistindo e depois voltou atrás.

O presidente Romildo sabe blefar e fazer uma pressão como ninguém. Teremos que aguardar os próximos capítulos.

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