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O que mais faltou nesta derrota do Inter contra o Cruzeiro

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  • Inter perdeu para o Cruzeiro por 2 a 1 no Beira-Rio, voltou a jogar depois de 50 dias e, de certa maneira, retomou também o sofrimento que já virou rotina para o torcedor. No frio, na chuva e diante de pouco mais de 12 mil pessoas, o time foi vaiado no intervalo e ao final da partida. E, embora seja fácil colocar toda a responsabilidade sobre Paulo Pezzolano por ter mudado novamente a equipe, não me parece que o treinador tenha feito algo de absurdo.
  • Muita gente olhou para a escalação e viu Félix Torres, Mercado e Maripán. “Ah, são três zagueiros”. Não eram. Félix Torres jogou como lateral-direito. O Inter atuou com duas linhas de quatro, com Anthoni no gol, Félix Torres pela direita, Mercado e Maripán na zaga e Luiz Felipe na lateral esquerda. Villagra e Bruno Gomes foram os volantes, Vitinho ficou pela direita, Bernabei pela esquerda e, na frente, Alerrandro e Carbonero. Não houve uma mudança tática tão absurda assim.
  • O problema é que, hoje, parece muito claro que Pezzolano está tentando encontrar uma estratégia diferente a cada partida porque, na normalidade, este time do Inter corre sério risco de cair. Se ele simplesmente repetir a mesma forma de jogar e esperar que os jogadores resolvam, a tendência não parece ser boa. Então ele tenta neutralizar os pontos fortes dos adversários, encontrar alguma fragilidade e buscar o resultado a partir disso.
  • Por isso, para mim, a derrota não pode ser colocada simplesmente na conta do treinador. O Inter teve erros individuais importantes. Alerrandro teve oportunidades claras e não conseguiu marcar. Em uma delas, praticamente dentro da pequena área, finalizou mal e permitiu a recuperação do zagueiro do Cruzeiro. Em outra, recebeu a bola na entrada da área, tentou fazer o passe para Carbonero, mas entregou uma verdadeira “moranga”. Se a bola chegasse com um mínimo de qualidade, Carbonero teria ficado de frente para o goleiro, com enorme chance de marcar.
  • E aí está um dos grandes problemas do Inter: falta qualidade na tomada de decisão. Os jogadores parecem saber o que precisam fazer em campo. Sabem quando pressionar, quando atacar, quando defender e qual deveria ser a movimentação. O problema é executar. O passe sai errado, a assistência não chega, a finalização não acontece quando deveria. O Inter sabe o que fazer, mas erra na hora de fazer.
  • O Villagra também comprometeu bastante. É um jogador de quem eu gosto e que tem características interessantes, principalmente pela intensidade e pela capacidade de ajudar o meio-campo. Mas ele teve participação direta nos dois gols do Cruzeiro. No primeiro, o Inter sai jogando, Maripán toca para Villagra, e ele tenta insistir na jogada pela lateral. O passe sai errado, a defesa está saindo e a bola acaba nas costas da linha defensiva. Kaio Jorge protege, finaliza na saída do goleiro e faz 1 a 0. A culpa, nesse lance, não é do Maripán. O chileno até chega para disputar a jogada. O problema começa no erro de passe do Vilagra. Até um zagueiro de altíssimo nível teria dificuldade para resolver aquela situação depois que o adversário recebe a bola nas costas da defesa.
  • No segundo gol, Villagra também é driblado com muita facilidade por Matheus Pereira. O jogador do Cruzeiro entra na área, passa pelo volante e finaliza forte para fazer 2 a 0. São erros individuais que acabam decidindo partidas.
  • E é por isso que eu não consigo colocar toda a culpa em Pezzolano. O treinador fez mudanças durante o jogo, mexeu na posição de Carbonero, alterou a participação de Bernabei, mudou jogadores e tentou encontrar soluções. Mesmo depois de sofrer o segundo gol e ficar com um jogador a menos, o Inter melhorou e conseguiu marcar com Carbonero. O gol não foi suficiente, mas mostra que o treinador estava tentando encontrar uma resposta.
  • O Inter não teve uma posse de bola tão inferior assim. O Cruzeiro ficou com 53%, contra 47% do Internacional. O time também tentou pressionar em alguns momentos e não faltou vontade ou entrega. O que faltou foi bola. Faltou qualidade para executar jogadas simples.
  • E aí entra também o Alerrandro. A gente gastou metade do Debate Raiz discutindo a condição física dele e, de fato, voltar acima do peso foi um erro profissional. Mas, quando chegou a hora do jogo, ele estava em condições de jogar. Teve um mês de pré-temporada e não conseguiu aproveitar as oportunidades que teve. O problema, no fim das contas, foi dentro de campo.
  • O Maripán também acabou sendo muito criticado por uma comparação inevitável com Rogel. Ele lembra fisicamente o ex-zagueiro do Inter e isso acaba pesando contra ele. Mas, neste jogo, não me parece correto colocar a culpa do primeiro gol no chileno. O erro principal foi de Villagra.
  • O mesmo vale para Victor Gabriel. O lance em que ele ergue a perna e atinge um jogador do Cruzeiro foi grave. É uma decisão completamente equivocada e ele precisa ser criticado por isso. Não dá para erguer a perna daquela maneira em um carrinho e colocar em risco a integridade de um colega de profissão.
  • E, de certa maneira, é o mesmo problema que apareceu em vários momentos da partida: decisões erradas. Alerrandro perdeu oportunidades, Villagra errou passes e foi driblado no segundo gol, Victor Gabriel tomou uma decisão muito ruim. São erros dos jogadores que acabam comprometendo o trabalho coletivo.
  • É claro que também dá para discutir se Pezzolano não deveria simplificar um pouco mais o jogo e manter uma estrutura mais estável. Talvez um time que está lutando contra o rebaixamento não possa mudar tanto de uma partida para outra. Mas também é preciso reconhecer que, com este elenco, o treinador parece estar tentando encontrar alguma solução.
  • O Inter não parece um time perdido. Os jogadores sabem, mais ou menos, o que precisam fazer. O problema é que, na hora de executar, a execução é ruim. E isso, para mim, é ainda mais preocupante. Não falta vontade. Não falta entrega. Falta capacidade para tomar as decisões certas e executar o básico do futebol.
  • O Inter voltou depois de 50 dias e perdeu novamente. O sofrimento continua. E, neste momento, a sensação é de que Paulo Pezzolano está tentando encontrar uma maneira de fazer este time sobreviver. O problema é que os jogadores, até agora, estão dificultando muito essa missão.
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