Grêmio
Tem coisa muito mais importante do que as polêmicas acontecendo no Grêmio
- Mais uma atuação ruim do Grêmio. E não dá mais pra tratar como algo pontual, como um jogo isolado ou uma noite ruim. O problema é mais profundo, porque se repete praticamente em todas as competições e cenários possíveis.
- Dessa vez, o empate contra o Athletico Paranaense escancarou algo que já vinha incomodando: o time não tem um jeito claro de jogar. E isso é o mais preocupante. Não é sobre arbitragem, não é sobre lance específico, não é sobre um erro individual. É sobre um coletivo que simplesmente não existe de forma consistente.
- O trabalho do Luís Castro segue sem entregar respostas. O Grêmio não joga bem em casa, não joga bem fora, não joga bem na Sul-Americana e não joga bem no Brasileirão. E isso começa a pesar porque não há sinais claros de evolução. Pelo contrário, o cenário parece travado.
- É difícil até definir o time. Não dá pra dizer se é uma equipe de posse de bola ou de transição. Não dá pra dizer se pressiona alto ou se prefere baixar linhas. Não dá pra dizer se joga com amplitude, por dentro, com velocidade ou com construção mais lenta. A cada jogo surge uma tentativa diferente, mas nenhuma se consolida.
- E isso ficou ainda mais evidente nessa partida. O Grêmio chegou a jogar com um a mais por boa parte do confronto e, mesmo assim, não conseguiu transformar isso em domínio real. Teve mudanças, teve variação com três zagueiros, teve tentativa de ocupar melhor os lados do campo… mas, na prática, pouco aconteceu.
- As chances existiram, é verdade. Teve bola na área, teve finalização, teve oportunidade clara perdida — como a cabeçada do André Henrique. Mas tudo muito mais no esforço individual do que em construção coletiva. Não há um padrão que se repita, uma jogada que se reconheça, uma ideia que se sustente.
- E aí entra um ponto que começa a incomodar de vez: já passou tempo suficiente para esse time mostrar alguma identidade. Não é mais início de trabalho. Não é mais adaptação. O Grêmio investiu, trouxe jogadores, mudou peças. E mesmo assim, não evolui.
- Claro que os jogadores têm responsabilidade. Dá pra apontar atuação abaixo do esperado de vários nomes, decisões erradas, pouca objetividade, erros técnicos. Mas isso não explica tudo. Porque quando o problema é coletivo, quando o time inteiro parece desconectado, a análise inevitavelmente passa pelo comando.
- Não se trata de pedir demissão ou de tomar decisão precipitada. Mas também não dá pra fingir que está tudo dentro do esperado. Não está. O Grêmio não joga bem e não mostra sinais claros de que está perto de jogar.
- No fim das contas, o que mais pesa não é nem o resultado. É a sensação. Assistir a um jogo do Grêmio hoje virou algo arrastado, sem fluidez, sem construção, sem identidade. E isso, mais do que qualquer empate, é o que realmente acende o sinal de alerta.
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