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Os detalhes financeiros do confuso acordo entre Grêmio e Flamengo

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  • O acordo entre Grêmio e Flamengo dentro da Libra virou muito mais do que uma simples discussão sobre pay-per-view. O tamanho da repercussão mostra como o futebol brasileiro ainda está longe de encontrar estabilidade quando o assunto é liga e divisão de dinheiro.
  • Porque no fim das contas, o que aconteceu foi o seguinte: Flamengo e Grêmio ficaram do mesmo lado numa interpretação contratual que mudou a distribuição das receitas de televisão pelos próximos anos.
  • E isso gerou uma reação enorme nos bastidores. Inclusive ajudando a empurrar o Palmeiras para fora da Libra politicamente, mesmo com os contratos já assinados até 2029.
  • O centro da discussão está numa cláusula considerada “dúbia” sobre os valores de pay-per-view.
  • A gestão atual do Flamengo, liderada pelo BAP, entende que o clube estava recebendo menos do que deveria nesse cálculo. O assunto foi parar na Justiça, houve bloqueio de valores e começou um risco real de travamento financeiro dentro da Libra.
  • E aí entra o Grêmio.
  • Enquanto praticamente todos os outros clubes tinham um entendimento diferente da cláusula, a gestão de Alberto Guerra já vinha internamente concordando com a visão do Flamengo. Depois, na gestão Odorico Roman, essa posição foi mantida com ainda mais alinhamento.
  • O resultado foi um acordo lateral entre os dois clubes.
  • Funciona mais ou menos assim: todos os clubes da Libra vão abrir mão de cerca de R$ 4,7 milhões por ano para aumentar a fatia do Flamengo no contrato. Com isso, o Flamengo ganha aproximadamente R$ 150 milhões extras ao longo dos quatro anos do acordo.
  • Só que o Grêmio recebe um tratamento diferente nessa história.
  • O Flamengo devolveria ao Grêmio cerca de R$ 6 milhões anuais justamente como compensação pelo entendimento semelhante que os dois clubes tiveram durante toda a negociação.
  • Na prática, dependendo da leitura, o Grêmio pode interpretar isso de duas maneiras.
  • A primeira é mais fria matematicamente: o clube perde R$ 4,7 milhões e recebe R$ 6 milhões de volta. Ou seja, teria um ganho líquido real de cerca de R$ 1,3 milhão por ano.
  • A segunda interpretação, que é a defendida internamente pela atual gestão gremista, é outra. O raciocínio seria: como todos os clubes acabaram obrigados a aceitar a redistribuição para evitar uma guerra judicial longa com o Flamengo, aqueles R$ 4,7 milhões já estavam “perdidos”. Então os R$ 6 milhões recuperados seriam praticamente lucro cheio dentro do cenário inevitável.
  • E é justamente aí que a polêmica explode.
  • O Palmeiras chegou a chamar oficialmente a nota do Grêmio de “mentirosa”, porque entende que o clube gaúcho vendeu a situação publicamente de uma maneira mais favorável do que ela realmente seria.
  • Ao mesmo tempo, tudo isso também escancara um problema muito maior: a dificuldade absurda dos clubes brasileiros em construir uma liga unificada.
  • Durante muito tempo existiu a expectativa de que Libra e Liga Forte eventualmente se aproximassem, como aconteceu em outros mercados internacionais. A ideia era criar uma estrutura mais organizada, forte comercialmente e menos dependente da CBF.
  • Só que o cenário atual parece caminhar exatamente no sentido contrário.
  • Os clubes brigam entre si, questionam contratos assinados, disputam fatias internas de receita e começam a gerar rupturas políticas dentro dos próprios blocos.
  • O Palmeiras já se afastou politicamente da Libra. A Liga Forte também vive tensões internas. E enquanto isso acontece, a CBF continua mantendo enorme poder sobre a organização do futebol brasileiro.
  • Talvez esse seja o ponto mais importante de toda essa história.
  • Porque o debate já deixou de ser apenas “quem ganha mais dinheiro”. Agora começa uma discussão maior sobre governança, confiança entre os clubes e principalmente sobre a capacidade — ou incapacidade — do futebol brasileiro de construir uma liga realmente forte e estável no futuro.
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